O Sacerdócio de Cristo e o Levítico

O sacerdócio de Cristo e o Levítico

O Sacerdócio de Cristo e o Levítico

 O Senhor Jesus Cristo, ao encarnar-se, tornou-se o holocausto perfeito, para resgatar-nos de nossos pecados, tornando-nos propícios ao Pai.  porque Ele morreu e ressuscitou eficazmente por toda a humanidade. Ele é o Holocausto dos holocaustos.

Texto Bíblico (Êxodo 28.1; Levítico 8.22; Hebreus 7.23-28; 1 Pedro 2.9).

O Sacerdócio Levítico

Os Levitas

Levi, um dos doze filhos de Jacó, tinha três filhos: Gérson, Coate e Merari (Gn 46.8,11). Quando a família aumentou durante a estada no Egito, a família de Levi passou a ser uma tribo e as famílias dos três filhos se tornaram divisões tribais. Arão, Miriã e Moisés nasceram na divisão coatita da tribo (Êx 2.4; 6.16-20; 15.20).

Quando os judeus adoraram o bezerro de ouro no sopé do Monte Sinai, foram os levitas que se uniram a Moisés contra a idolatria e na consagração a Deus.

Ao tomarem essa atitude, eles destruíram muito dos idólatras. Sua consagração resultou em se envolverem na construção do Tabernáculo (Êx 28.1-30) e em cuidar dele.

Quando o Tabernáculo foi removido, os coatitas levaram a mobília, os gersonitas , as cortinas e seus pertences, e os meratitas transportaram e instalaram o Tabernáculo propriamente dito (Nm 3.35-37; 4.29-33).

Segundo Números 3.40-51, os levitas agiram como substitutos dos primogênitos de toda casa judia. Em vista de Deus ter poupado a vida dos primogênitos judeus por ocasião da primeira Páscoa (Êx 11.5; 12.12,13), o primogênito pertencia tecnicamente ao Senhor, mas os levitas deviam atuar no serviço de Deus em lugar deles.

Por serem separados para o serviço de Deus, não se esperava que fossem à guerra (Nm 1.3; cf. v.49) ou plantassem seus próprios alimentos numa área tribal.

Eles deviam espalhar-se por toda a Terra Prometida e viver entre o povo (Nm 35.1-8) e deviam ser sustentados com os dízimos do povo (Nm 18.21) (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.325,326).

A diferença entre “levitas” e “sacerdotes”.

Muito importante destacar é que nem todo levita era sacerdote.

Os “levitas”, reconhecidos assim, foram escolhidos e necessários para exerceram funções de ajuda ao sacerdócio no Tabernáculo, e mais tarde no Santo Templo, para ensinar a Torá ao povo e auxiliar os sacerdotes em todo o sentido na adoração pública no santuário (utensílios, transporte, portas, instrumentos de música do Tabernáculo e, respectivamente, o Templo — Nm 1.50).

Diferentemente dos “levitas”, os sacerdotes eram separados eminentemente para os ofícios sagrados do Tabernáculo e do Templo: oferecer sacrifícios e ofertas no altar; mediar a relação do povo com o Deus de Israel.

O Sacerdote e os Levitas

Falaremos um pouco sobre o sumo sacerdote e os levitas, cuja função era conduzir a adoração e representar o povo diante de Deus.

Os hebreus haviam deixado o Egito e era preciso que a adoração fosse institucionalizada e diferente do que tinham visto e aprendido durante os anos de escravidão. Veremos que Deus escolheu e separou uma única tribo, a de Levi, para a adoração e o serviço no Tabernáculo.

Ser escolhido para tal função era um privilégio, uma honra, mas também uma grande responsabilidade e abnegação já que os descendentes de Levi não teriam herança como às demais tribos. O Senhor seria a herança deles e o sustento viria das outras tribos. Era preciso ter e viver dela.

Deus determinou que os sacerdotes deveriam ser descendente de Arão. Também era exigido que as mulheres dos sacerdotes fossem israelitas de sangue puro. Mesmo depois da vinda de Jesus, para atuar como sacerdote, era preciso comprovar por meio de registros genealógicos a descendência de Arão.

Mas, graças ao sacrifico de Jesus Cristo na nova aliança, cada crente é um sacerdote santo, chamado para oferecer sacrifícios espirituais (1Pe 2.5).

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O sumo sacerdote:

Dentro da divisão dos coatitas, a família de Arão passou a ser de sacerdotes. De um lado isso os tornou encarregados dos levitas. Itamar supervisionava os gersonitas (Nm 4.28) e os meraritas (v.33); Eleazar cuidava dos coatitas (v.16).

Por outro lado os sacerdotes eram distintos dos levitas, porque só eles podiam tocar nas coisas santas — tudo que tivesse a ver com o altar, a lâmpada, ou a mesa da proposição (Nm 5.5-15).

O sacerdote nem sempre era quem fazia o sacrifício, mas era ele quem levava o sangue para o altar (por exemplo, Lv 3.2). O próprio Arão veio a ser sumo sacerdote (às vezes chamado de principal sacerdote). Ele usava roupas especiais (Lv 16.2), interpretava o lançamento das sortes sagradas que eram mantidas em seu peitoral.

Arão e seus filhos

Arão tinha quatro filhos. Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Nadabe e Abiú morreram por terem cometido sacrilégio em seus deveres religiosos como sacerdotes e o sumo sacerdócio passou então para Eleazar e foi mantido em sua família (Nm 20.25-29). Eli era um sacerdote da família de Eleazar.

O sumo sacerdócio parece ter passado depois para a família de Itamar. Foi Salomão quem fez retornar a linguagem de volta à família de Eleazar, colocando Zadoque na posição de sumo sacerdote. Essa posição foi mantida na família dele até que seu descendente veio a ser deposto por Antíoco Epifânio nos dias dos macabeus.

Neste período posterior, os sumo sacerdotes eram indicados pelo poder reinante (Anás foi deposto pelos romanos e substituído por Caifás — veja Lucas 3.2; Jo 18.13-24), mas quando eles se tornaram forte o bastante para resistir às autoridades, adotaram seu próprio estilo de soberania” (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Tempos Bíblicos. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.326,327).

Obs.: O livro de Levítico foi entregue mui particularmente aos filhos de Levi, objetivando orientá-los quanto às atividades cultuais, santificadoras e intercessoras.

Atividades do Sacerdócio Levítico

1 –  Atividades cultuais.

Os levitas tinham como atribuição exclusiva zelar pela santidade, perfeição e beleza do culto do Deus de Israel (Nm 3.12).

E, para que todas as coisas saíssem de acordo com as recomendações divinas, obrigavam-se eles a observar rigorosamente as ordenações do Levítico.

Seu ofício deveria refletir a glória de Deus (Lv 9.1-6). Por esse motivo, tudo neles tinha de estar de acordo com as prescrições do Senhor: ordenação, pureza moral, espiritual e física (Lv 8.1-36; 10.8-11).

2 – Atividades santificadoras.

A reivindicação mais urgente e importante do livro de Levítico é a santificação de Israel como herança particular do Senhor: “Portanto, santificai-vos e sede santos, pois eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 20.7).

Os sacerdotes, por conseguinte, deveriam, em primeiro lugar, cuidar de sua própria santificação para terem condições de zelar pela santidade de todo o povo (Lv 16.1-11). Recomendação semelhante faz o apóstolo Paulo aos obreiros de Cristo (1Tm 4.16).

3 –  Atividades intercessoras.

A principal atividade do sacerdote era, sem dúvida, fazer a intermediação entre o pecador arrependido e o Deus Santo, Único e Verdadeiro (Lv 9.7), haja vista o gesto de Arão quando da apostasia de Coré e seu bando.

Naquele momento, o povo de Israel esteve prestes a ser destruído, mas o gesto do sumo sacerdote tornou a nação propícia a Deus (Nm 16.46).

Pertencentes ao Sacerdócio Levítico

1 – “A estola.

A vestimenta usada pelo sumo sacerdote era ornamentada. Pedras colocadas em fivelas nos dois ombros, nas quais os nomes das tribos estavam gravados, pareciam sua mais importante característica. Ao usá-la, o sumo sacerdote aceitava o papel de representante de todo o povo.

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O que ele fazia, fazia por eles e por Deus. Sacerdotes comuns vestiam simples estolas longas até as coxas, feitas de linho fino branco quando ministravam (Êx 39.27; 1 Sm 2.18; 2 Sm 6.14).

2 – O peitoral.

O peitoral era um colete finamente modelado. Era preso à estola com correntes de ouro e decorado com quatro fileiras de joias, cada um representando uma tribo de Israel.

Há contudo, um significado especial em vestir o nome das tribos de Israel sobre o coração do sumo sacerdote. Como representante de outros diante Deus, ele deveria preocupar-se profundamente com eles, até mesmo como o próprio Senhor.

A adoração pode ser cerimonial. Mas pode tornar-se um mero ritual” (LAWRENCE, Richards O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.70).

3 – “Ordenação:

O ato histórico separa para sempre o sacerdócio dos outros israelitas. Mesmo após o tempo de Jesus, somente quem podia provar sua descendência de Arão por completos registros genealógicos era permitido atuar no sacerdócio.

E à mulher do sacerdote era exigido ser uma israelita de sangue puro, de uma família sem qualquer tipo de imperfeição. Hoje, cada crente é um sacerdote, um membro adotado da família de Deus (1Pe 2.5).

4 – Orelha e polegar, dedo do pé:

Alguns têm sugerido que tocar essas partes do corpo com sangue simboliza a necessidade dos sacerdotes de estarem sempre prontos para ouvir a voz de Deus, sempre prontos a segui-lo.

5 – Parte da cerimônia de ordenação envolvia restringir Arão e seus filhos à câmara do Tabernáculo por sete dias.

O ato simbolizava separar os sacerdotes do restante do povo, e separá-los para Deus. Porém, isso sugere ainda mais: Somente aqueles que vivem diariamente na verdadeira presença de Deus podem servir ao Senhor efetivamente.

Precisamos permanecer junto a Ele, se desejamos ter um ministério junto aos outros” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse, capítulo por capítulo. 9ª Edição, RJ: CPAD, 2010, p.80).

O Sacerdócio Perfeito de Cristo

A transitoriedade do Sacrifício

A oferta do Holocausto, como as demais, era transitória e insuficiente para resolver o problema do pecado, conforme escreve o escritor aos Hebreus: “Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar” (Hb 8.13).

Graças a Deus!, hoje não é preciso mais queimar animal algum. Está consumado! Tudo pago! Tudo se deu por intermédio da revelação do Verbo Encarnado. Nosso Senhor se tornou homem para se apresentar como um de nós. Um amor que não se pode medir fez tudo isso.

Além do Verbo Encarnado, nosso Senhor padeceu um sofrimento imenso porque tinha perfeita consciência de que Ele deveria morrer. Não!, nosso Senhor não morreu para servir de um grande exemplo para a humanidade, mas para salvá-la de uma vez por todas.

A morte e a ressurreição de nosso Senhor é o “clímax” de todo o plano divino para prover uma salvação suficiente e eterna para o seu povo. Cristo é o Holocausto perfeito porque, nEle, tudo o que era necessário para que o ser humano fosse salvo se realizou. Um Holocausto que gerou vida para todo o que crê! Estejamos em Cristo, o Holocausto perfeito!

Jesus Cristo, o Sacrifício Perfeito

A fim de que o Filho de Deus se tornasse o nosso holocausto perfeito, três coisas foram-lhe necessárias: a encarnação, o sofrimento e, finalmente, a morte e ressurreição.

1 –  A encarnação de Cristo.

A encarnação de Cristo foi o cumprimento cabal e perfeito da profecia de Davi: “Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste” (Sl 40.6).

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Assim, o Messias reconhece, através do Salmista, que os holocaustos são ineficazes, em si mesmos, para redimir o pecador. Eis por que Ele, o Filho de Deus, apresentou-se como a oferta e o ofertante, para resgatar eficazmente a humanidade (Hb 10.1-10).

Nessa condição, Jesus Cristo foi provado em todas as coisas, exceto no pecado, a fim de mostrar a eficácia de seu maravilhoso, eterno e definitivo sacrifício (Hb 9.26).

2 – O sofrimento de Cristo.

Assim como a vítima do holocausto era, antes de ser queimada, repartida em pedaços, o Senhor Jesus foi submetido a todos os sofrimentos, angústias e dores (Is 53). Diz o profeta que o Ungido de Deus sabia o que era padecer.

O autor da Epístola aos Hebreus afirma, por sua vez, que o Senhor Jesus, durante o seu ministério terreno, apresentou ao Pai, constantes clamores e lágrimas (Hb 5.7). Jesus Cristo foi duramente provado em todas as coisas.

Mas, vencendo-as, apresentou um testemunho fiel e poderoso na Terra, nos Céus e no próprio Inferno (Fp 2.9-11). Na condição de Cordeiro de Deus, o Holocausto dos holocaustos, Ele reunia, em si, o cumprimento de todas as ofertas, oferendas e sacrifícios do livro de Levítico (Jo 1.29). No Apocalipse, o Leão da tribo de Judá ainda é glorificado como o Cordeiro que foi morto em nosso lugar (Ap 5.6).

3 –  A morte e ressurreição de Cristo.

O auge do sofrimento de Jesus Cristo, como o nosso perfeitíssimo holocausto, foi a sua morte no Calvário. Ele foi morto e sepultado (Mt 27.59-66).

Mas, no terceiro dia, eis que ressurge dos mortos como Rei dos reis e Senhor dos senhores (Mt 28.1-10). Com a sua ressurreição, Jesus plenifica o sacrifício perfeito, como ofertante e oferta (Hb 9.27,28). Ele é o Holocausto dos holocaustos. Aleluia!

Cristo a perfeita oferta

“Foi ele, o consagrado, que disse: ‘Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração’ (Sl 40.8); ‘A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra’ (Jo 4.34); e ‘[…] porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou’ (Jo 5.30).

Mas, também em João 17.4, na grande oração sacerdotal, Ele disse: ‘Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer’. Na cruz, uma de suas últimas elocuções foi: ‘Está consumado’.

Certamente, a Salvação estava completa para nós. Jesus foi a primeira oferta de holocausto perfeita trazida perante Deus.

Portanto, Cristo foi a oferta de holocausto. Ele nasceu para que pudéssemos renascer, Ele morreu para que pudéssemos morrer para o pecado e viver nEle, Ele ressuscitou para que pudéssemos conhecer o poder de sua ressurreição em nossas vidas.

‘E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará os vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita’ (Rm 8.11)” (Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015, p.1752).

Conclusão

Sabemos que hoje, em virtude do sacrifício de Cristo, não mais necessitamos de intermediários humanos para nos achegarmos a Deus (1Jo 4.10). Jesus é o nosso sublime e perfeito Sumo Sacerdote (Hb 7.26,27).

Todavia, a santidade continua a ser exigida daqueles que oram e intercedem; que o façam “levantando mãos santas” (1Tm 2.1,8). É de suma importância refletirmos  sobre o sacrifício perfeito de Jesus Cristo. Ele morreu eficazmente por mim e por você.

Assim, por essa razão, temos de viver uma vida de santidade e pureza. Somente assim, seremos vistos pelo Pai Celeste como fiéis testemunhas do Evangelho. Não podemos ignorar o sacrifício de Cristo. Se o fizermos, sobre nós recairá o justo e esperado juízo de Deus (Hb 10.26,27).

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