O que é Evangelização

O que é Evangelização

O QUE É EVANGELIZAÇÃO

 

Evangelização é, sem dúvida, a missão máxima da igreja, por isso a igreja de Cristo não pode enclausurar-se dentro dos templos, mas deve cumprir a sua missão por toda a parte, onde estão os pecadores.

O progresso real de uma igreja é avaliado por seu alcance evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus. Todas as demais atividades são importantes, mas a prioritária e incessante é a evangelização.

 

Neste artigo você estudará sobre:

1. Definição do termo Evangelização

2. Porque devemos Evangelizar

3. Quando devemos Evangelizar

4. Onde devemos Evangelizar

5. Como devemos Evangelizar

6. Resultado da Evangelização

7. Evangelização e Responsabilidade Social

Bons estudos!

 

DEFINIÇÃO DO TERMO EVANGELIZAÇÃO

Evangelização ou evangelismo consiste na pregação do Evangelho cristão (a mensagem da salvação em Jesus de Nazaré segundo a fé cristã).

A palavra “evangelista” provém da palavra εὐάγγελος (“eu-angelos“), do grego koiné, que significa “boas novas” ou “boas notícias” e que também serve de base para o nome dos quatro primeiros livros do Novo Testamento bíblico chamados “Evangelhos”. Por isso, os autores destes quatro livros são denominados evangelistas – Mateus, Marcos, Lucas e João.

A melhor definição de evangelização foi dada por Cannon May Warren, da Abadia de Westminster, em Londres: “Evangelização é a apresentação de Jesus Cristo no poder do Espírito Santo, de tal maneira que os homens possam conhecê-lo como Salvador e servi-lo como Senhor, na comunhão da igreja e na vocação da vida comum”. Isso é evangelização. J. Edwin Orr (1912-1987), historiador e avivalista.

Disse também o renomado pregador contemporâneo Billy Graham: “A evangelização abrange todos os esforços no sentido de declarar as boas novas de Jesus Cristo, com o objetivo de que as pessoas entendam a oferta de salvação de Deus, tenham fé e tornem-se discípulos.Billy Graham, 85 anos, evangelista americano

1 – Considerações Gramaticais

 a –  Literatura Clássica:

O verbo “Evangelizar” (Eu/aggeli/zw) (euangelizo) e o substantivo “Evangelho” (Eu/agge/lion) (euangélion) − com os seus cognatos, “Evangelismo”, “Evangélico”, ”Evangelista”, “Evangelização” −, são palavras provenientes do grego, que passando pelo latim, chegaram ao nosso idioma de forma transliterada.1

b –  O uso destas expressões é bem antigo na língua grega, antecedendo em muito ao Novo Testamento, remontando aos escritos de Homero (IX séc. a.C.).  A palavra “evangelho” passou evolutivamente por três significados básicos, a saber:

 1 –  A recompensa dada ao mensageiro por sua mensagem (Homero e Plutarco).

2 –  As ofertas de ações de graça aos deuses por uma boa nova recebida.

3 –  O conteúdo da mensagem: as próprias boas novas (1Sm 31.9). Após uma campanha vitoriosa, os arautos percorriam o país anunciando o evangelho, ou seja, as novas de vitória.

Como no Império Romano o imperador tipificava uma espécie de deus e salvador, tendo poder sobre todas as coisas, os acontecimentos de sua vida se constituíam num “evangelho”. Por isso ele era cultuado.

Assim, desde o seu nascimento, maioridade, sua ascensão ao trono, discursos, decretos ou mesmo a sua visita à determinada cidade, era anunciado como uma boa nova de alegria, felicidade e paz: era o evangelho.

(Evangelho: In: Antônio Geraldo da Cunha, Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, 2ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1991, p. 338. Homero, Odisséia, São Paulo: Abril Cultural, 1979, XIV.152. p. 130).

2 – No Antigo Testamento

A palavra hebraica correspondente (hb)(be sorâh) tem um emprego militar, estando a sua raiz associada ao trazer boas notícias, ainda que não necessariamente.

Ou seja: A boa nova nem sempre é entendida assim por quem a recebe (1Sm 4.16-17; 2Sm 18.19-20/Jr 20.15). Num contexto de expectativa, a sentinela aguarda com ansiedade o mensageiro para saber das novas (2Sm 18.24-27/Is 52.7).

De forma teológica a palavra indica uma mensagem que inicialmente somente Israel possui a respeito do reinado de Deus com a consequente paz, justiça e salvação (Sl 40.9; 96.1-13; Is 40.9; 41.27; 52.7; 95.1); contudo, no futuro, a mensagem se plenificará no Messias e todas as nações se regozijarão na plenitude dessas bênçãos (Is 61.1-3/Lc 4.16-21; 1Co 15.54-56; Cl 1.5-6; 2.13-15/Is 60.6).7

 Na Septuaginta o substantivo Eu/agge/lion (euangélion) não ocorre no sentido religioso, sendo usado na forma secular de trazer “boa notícia” ou “recompensa pelas boas novas” (Cf. 2Sm 4.10; 18.22,25); já o verbo eu/aggeli/zomai (euangelízomai) é usado teologicamente.  

O sentido básico da palavra (Eu/agge/lion) (Evangelho) é “boas novas”, sendo um termo técnico para “novas de vitória”; consistindo o “evangelizar” [grego: Eu/aggeli/zw e Eu/aggeli/zomai ], no ato de “trazer ou anunciar boas novas”, “proclamar”, “pregar”, ser o agente das notícias de vitória.  

Podemos tabular o uso de eu/aggeli/zomai de três formas especiais, antecipando, de certo modo, o sentido dado no Novo Testamento: Proclamar a Glória de Deus manifesta em Sua justiça, fidelidade, salvação, graça e verdade (Sl 40.9; Sl 96.2).(Cf. John N. Oswalt, Bãsar: In: R. Laird Harris; Gleason L. Archer, Jr.; Bruce K. Waltke, orgs. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo: Vida Nova, 1998, p. 227).

 

PORQUE DEVEMOS EVANGELIZAR

(Extraído e adaptado do livro do Pastor Antonio Gilberto, CPAD, A prática do Evangelismo Pessoal.

1. Porque o nosso Senhor ordenou (Mc 16.15)

Para muitos cristãos, Jesus é apenas o Salvador de suas almas, mas não Senhor e Rei de suas vidas. O evangelho integral apresenta Jesus não só como Salvador, mas também como Senhor (At 16.31).

A ordem de evangelizar vem do Senhor para os seus súditos. Não é um convite: é um mandamento do nosso Senhor. Mas não devemos evangelizar só porque é um mandamento, mas porque amamos a Jesus e queremos ser-lhe gratos.

Vejamos as desculpas mais comuns dos crentes quanto a esta ordem do Senhor:

a.”Estou muito ocupado”; “Não tenho tempo”.

Entretanto o Senhor Jesus não estava tão ocupado a ponto de não poder vir morrer em nosso lugar.

Aqui no mundo Ele sempre cumpria na hora o programa do Pai, mesmo sabendo que o final seria o Calvário (Mt 26.45; Lc 22.14; Jo 2.4; 13.1; 17.1). Ele não andava tão ocupado a ponto de não ouvir o clamor das almas aflitas (Mc 5.30; Lc 18.40).

b.”Estou muito cansado “.

Jesus, no sol de meio-dia, junto à fonte de Jacó, não estava tão cansado a ponto de não poder atender a samaritana perdida (Jo 4.6,7).

c.”Não sei falar”; “Não dou para nada na igreja”.

d.”Não tenho capacidade”.

Outros também já deram as mesmas desculpas, mas ao obedecerem à ordem do Senhor, foram maravilhosamente usados por Ele. Estude os exemplos de: Moisés (Ex 3.11), Gideão (Jz 6.15), Isaías (Is 6.5), Jeremias (Jr 1.6) -Amos (Am 7.14).

Portanto, entregue ao Senhor o que você tem, irmão. Ele transformará o pouco no muito (Jo 6.9-13). Ele dará a capacidade necessária (Mt 4.19; 2 Co 3.5).

A missão de evangelizar o mundo, entregue por Jesus à sua Igreja, implica em dever e responsabilidade (Ez 33.8,9; Rm 1.14; 1 Co 9.16).

Uma das razões da inatividade de muitas igrejas e crentes na obra de evangelização vem do seu descuido quanto à vinda de Jesus.

Os cristãos primitivos foram ativos na evangelização, não só porque eram cheios do Espírito Santo, mas também porque esperavam a volta de Jesus em seus dias.

2. Porque temos recebido de Deus talentos, e assim temos uma mordomia para dar conta (Mt 25.14-30; Lc 16.2; 19.13).

O dia da prestação de contas com o nosso Senhor está perto (Rm 14.10; 1 Co 3.13-15; 2 Co 5.10).

3. Porque Deus nos concedeu o privilégio de participar do seu trabalho

Servir ao Senhor não é apenas um dever cristão, é também um grande privilégio. Deus podia usar outros meios para levar a mensagem de salvação ao pecador.

Ele assim faz quando lhe apraz, mas isto não é regra geral; é exceção. Seu método é usar homens para falar a homens. O trabalho de ganhar almas para Deus é um privilégio que Ele nos concede para obtermos galardão no dia de Cristo (Fp 2.16).

Há, neste sentido, uma solene declaração da Bíblia em Pv 11. 30. A salvação é dádiva de Deus, mas galardão é recompensa que o crente obtém mediante sua atividade na obra do Senhor.

4. Porque o pecador sem Jesus está perdido (Rm 5.12)

A palavra “perdido”, significa perdido mesmo, isto é, sem solução, desenganado, extraviado, desgarrado, arruinado. Jesus usou esta palavra em Lc 19.10.

Precisamos compreender que esta é a situação atual do pecador não-salvo. Jesus não usou termos menores, nem arrudeios.

Aqui, entre nós, quando desaparece um avião, um navio, uma expedição ou mesmo uma pessoa, todos os recursos disponíveis são mobilizados para salvar o que está perdido.

Vamos nós fazer menos, ou cruzar os braços ante o perdido pecador, que se não aceitar Jesus como seu Salvador, irá para o Inferno eterno?

Se, como parte de um curso de evangelismo pessoal, tivéssemos de passar 24 horas no Inferno, para ver o que se passa lá entre os perdidos, ao voltarmos, toda nossa vida giraria em torno da obra de evangelizar e ganhar almas perdidas, e também desviados, e jamais pôr tropeço na vida de alguém.Uma alma vale mais do que todo o mundo (Mc 8.36,37).

O amor que Jesus demonstrou por nós no Calvário deve nos constranger (2 Co 5.14). A visão deste sublime amor de Jesus torna-se mais real quando meditamos a respeito do seu suor de sangue, da traição de Judas, do esbofeteamento, dos pregos nas mãos e nos pés; na sede, na zombaria.

Sim, quando sentimos seu coração rasgado de dor; quando vemos seu rosto desfigurado pelos maus-tratos; quando ouvimos seu brado pungente nas trevas e contemplamos a sua cabeça pendente na cruz!

Na mensagem ao profeta Isaías, Deus dirige-se a todos nós: “A quem enviarei eu? E quem irá por nós?” (Is 6.8). O irmão já teve a visão horrível das almas condenadas caminhando nas trevas para o abismo?

Lembre-se de que está agora salvo porque alguém duma maneira ou de outra o levou a Cristo, meu caro irmão! Queremos somente receber e não dar também?

O “ide”

O “ide” de Jesus significa também atravessar fronteiras. Anunciar o Evangelho em uma cultura diferente é o grande desafio da obra missionária.

Não podemos desprezar a cultura de um povo a quem pretendemos evangelizar, nem impingir-lhe a nossa (1 Co 1.1,2). A cultura de um povo deve ser avaliada e provada pelas Escrituras.

Se por um lado toda cultura tem a sua beleza e bondade, pois o homem foi Criado por um Deus bom e amoroso, por outro, em consequência da Queda, as culturas foram manchadas pelo pecado e dominadas, em parte, por ações demoníacas. Você está pronto a pregar o Evangelho além de suas fronteiras? Prepare-se para este desafio.

 

QUANDO DEVEMOS EVANGELIZAR

A única resposta é: AGORA! Como os pecadores crerão agora, se eu não falar agora? (Ml 1.9; At 17.30; Hb 3.7). As almas precisam ser ganhas para Jesus agora, porque: AGORA é que estamos vivos.

Em Lucas 16 temos a história de um homem que se interessou pela salvação dos outros, mas só depois de morto, quando nada mais podia fazer.

AGORA temos pouco tempo. Jesus não tarda a vir. Se no tempo do apóstolo João, sua vinda já estava próxima (Ap 22.20), que diremos nós hoje? Urge atentar para Jo 9.4.

Nosso tempo também pode ser pouco no sentido de a liberdade religiosa ser cerceada ou mesmo cassada, como já aconteceu e está acontecendo em certos países.

Quanto à idade daqueles a quem devemos evangelizar, a resposta sempre será – agora. Crianças, jovens e velhos podem ser ganhos para Jesus agora.

Na igreja, um dos grandes setores de evangelização das crianças é a Escola Dominical, quando devidamente aparelhada. Nela, o professor de crianças tanto pode levar as crianças a Cristo, como ensiná-las a viver para Cristo.

Quem ganha uma criança para Jesus salva uma vida inteira. Quem ganha um adulto, salva apenas meia vida, pois a outra metade o mundo já levou.

Cuidado, pois! Uma oportunidade perdida pode nunca mais voltar. Um coração hoje aberto pode amanhã estar fechado, e… para sempre.

 

ONDE DEVEMOS EVANGELIZAR

Nem em todos os locais podemos fazer cultos de pregação, mas ganhar almas individualmente, sim. Vejamos alguns locais onde isso pode suceder:

1. Nos cultos

Os crentes ganhadores de almas devem ficar alerta nos cultos de pregação, especialmente quando estes chegam ao término.

Há pecadores que, mesmo depois de convencidos pelo Espírito Santo, precisam de ajuda para fazer sua decisão. Muitos têm dúvidas, temores e dificuldades internas.

Nessas horas, uma palavra de encorajamento da parte de Deus é decisiva. Há pessoas que nunca entraram num templo. Acham tudo estranho. Uma voz amiga vence tais barreiras.

Quantos milhares de pecadores fizeram sua decisão porque alguém os conduziu à frente. Não convém insistir demais nem também forçar. Deixe o Espírito Santo dirigir as coisas.

Muitas almas se extraviam por falta de uma palavra amiga, portanto, dê atenção pessoal a elas. Nos cultos ao ar livre, o trabalho pessoal com os circunstantes é valiosíssimo. Muitos frutos têm sido colhidos assim.

2. Nos lares

O lar pode ser o nosso. Muitas vezes o campo de trabalho não é o interior do país nem o exterior, mas a nossa própria casa, isto é, pais, irmãos, filhos, parentes. Jesus disse que o campo é o mundo (Mt 13.38); ora, o mundo começa à nossa porta.

Os crentes primitivos evangelizavam de casa em casa (Mc. 5.19; At 5.42; 20.20). Muitas grandes igrejas de hoje, começaram em casas particulares. O lar foi a primeira instituição divina, e Deus tem em mira a salvação de todos no lar (Gn 19.12; Êx 12.3; Js 6.23-25; At 11.14; 16.31). Leia também sobre O poder da evangelização na família.

3. Em público

Aqui, há muitos locais a considerar. O apóstolo Paulo pregou em praças (At 17.17). À beira de rios (At 16.13). Na parábola das bodas, o Senhor Jesus fez menção disso (Lc 14.21).

Há pessoas de tal temperamento e formação; de tais superstições e preconceitos, que jamais entrarão num templo evangélico. Muitas vezes há também proibição. 

Tais pessoas só poderão ser atingidas pelo evangelismo pessoal em público. Evangelizar é ir ao encontro do povo. Jesus não disse: “Venha todo o povo ouvir a pregação do Evangelho”, mas, “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”.

4. No trabalho (indústrias, profissões particulares, etc.)

Jesus chamou vários discípulos quando ocupados em seus trabalhos habituais (Mt 9.9; Mc 1.16-19). O grande evangelista D.L. Moody foi salvo quando trabalhava no interior duma sapataria.

Há ocasiões em que a melhor maneira de falar de Jesus em .tais lugares é através da própria vida, vivendo diante dos patrões, empregados e colegas como um verdadeiro filho de Deus, deixando a luz brilhar nas trevas.

Uma vida assim atrai os outros para Cristo. “A única Bíblia que muitas pessoas leem é a vida de um crente” (D.V. Hurst). É como se fosse o “Evangelho Segundo Fulano de Tal”.

É preciso prudência para falar nos locais acima mencionados, de modo que não haja violação de rotinas, quebra de instruções, etc. A hora de almoço e. o tempo de descanso podem ser as ocasiões apropriadas.

Não é preciso um sermão. Muita gente pode ser alcançada em público: barbeiros, ascensoristas, engraxates, comerciantes, comerciários, empregados em geral, balconistas etc. O irmão R.A. Torrey dava cinco características de uma boa oportunidade em público. Ei-las:

* Quando desocupada

* Quando de bom humor

* Quando comunicativa

* Quando em atitude séria.

5. Nos transportes em geral (trens, navios, aviões, ônibus, etc)

Em viagem, normalmente as pessoas estão dispostas: gostam de conversar e ler. Outras ficam apreensivas. O transporte em que viajamos diariamente pode ser o meio de ganharmos muitas almas para o reino de Deus.

Peça, irmão, ardentemente ao Senhor que o dirija a falar aos pecadores. Às vezes, quando não é possível falar, podemos entregar um folheto apropriado. (Quanto a isto, estudaremos mais adiante.)

6. Nas instituições públicas (hospitais, prisões, abrigos, penitenciárias, institutos, etc).

Aqui, a primeira providência é obter a devida permissão para o serviço que se pretende fazer. É um ato nobre e cristão levar alegria e prazer aos internos de tais instituições.

Muitos deles, dali não voltarão mais ao convívio dos seus. A única oportunidade que terão de ouvir o Evangelho será pelo testemunho pessoal, pelo rádio ou pela página impressa. “Estando enfermo e na prisão, não me visitaste” (Mt 25.43).

Paulo ganhou o carcereiro dentro da prisão (At 16.23,24). Há pessoas que em são estado de saúde e em plena liberdade, jamais ouviriam o Evangelho, mas nas instituições de internamento podem ouvir de boa mente.

O campo é vasto nas organizações deste tipo. Milhares têm aceitado Cristo nas prisões, sanatórios, abrigos, etc. Outros estão a espera que alguém lhes leve a mensagem da salvação. (Lede Hb 13.3.)

7. Aproveitando as ocasiões

Pessoas atingidas por infortúnios, desgraças, catástrofes, etc, ouvindo do poder salvador de Cristo, poderão render-se a Ele.

Quando uma pessoa acha-se no centro de tais acontecimentos, esvaem-se-lhe a vaidade, o egoísmo, os pontos de vista, os preconceitos, etc. Numa situação assim, o Evangelho deve ser indicado como a felicidade eterna.

Há pessoas que em situações normais não dão qualquer importância ao assunto da salvação, mas atingidas pela adversidade, tornam-se receptivas.

Muitos têm sido salvos em tais circunstâncias. Por exemplo: ali está um homem morrendo sem salvação. Ele treme ao enfrentar a eternidade sem Deus. Em tais momentos o testemunho de Jesus pode ser vital e decisivo.

Quantos já estão na glória, tendo sido salvos nos últimos momentos de vida? O malfeitor ao lado de Cristo, foi salvo assim (Lc 23.42,43). Momentos de decisões importantes também são ocasiões próprias para se falar de Jesus.

 

COMO DEVEMOS EVANGELIZAR

Para começar, o ganhador de almas tem de ter experiência própria da salvação. É um paradoxo alguém conduzir um pecador a Cristo, sem ele próprio conhecer o Salvador.

Isto é apontar o caminho do Céu sem conhecê-lo. Quem fala de Jesus deve ter experiência própria da salvação. (Ver Sl 34.8 e 2 Tm 1.12.)

1. O uso da Palavra de Deus e seu estudo constante (2 Tm 2.15)

Este é um dos fatores do crescimento espiritual e da prática de ganhar almas. Estando nosso coração cheio da Palavra de Deus, nossa boca falará dela (Mt 12.34).

É evidente que o ganhador de almas precisa de um conhecimento prático da Bíblia; conhecimento esse, não só quanto à mensagem do Livro, mas também quanto ao volume em si, suas divisões, estrutura em geral, etc.

Sim, para ganhar almas é preciso “começar pela Escritura” (At 8.35). Aquilo que a eloquência, o argumento e a persuasão humana não podem fazer, a Palavra de Deus faz, quando apresentada sob a unção do Espírito Santo.

Ela é qual espelho. Quando você fala a Palavra, está pondo um espelho diante do homem. Deixe o pecador mirar-se neste maravilhoso espelho! Assim fazendo, ele aborrecerá a si mesmo ao ver sua situação deplorável.

Está escrito que “Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20). Através da poderosa Palavra de Deus, o homem vê seu retrato sem qualquer retoque, conforme Is 1.6. No estudo da obra de ganhar almas, há muito proveito no manuseio de livros bons e inspirados sobre o assunto.

Há livros deste tipo que focalizam métodos de ganhar almas; outros focalizam experiências adquiridas, o desafio, o apelo e a paixão que deve haver no ministério em apreço.

A igreja de Éfeso foi profundamente espiritual pelo fato de Paulo ter ensinado a Palavra ali durante três anos, expondo todo o conselho de Deus (At 20.27-31). Em Corinto ele ensinou dezoito meses (At 18.11). Veja a diferença entre essas duas igrejas através do texto das duas epístolas (Coríntios e Efésios).

2. Uma vida correta

Paulo evangelizando pessoalmente a Félix, o governador da Judéia, disse: “Procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Deus como para com os homens” (At 24.16).

A consciência nos seus dois lados – para com Deus e para com os homens – deve estar limpa. Muitos crentes têm sido desaprovados por Deus por falharem nesta parte. Trabalham à toda força e frutos não há.

Perguntam: “Por que não há frutos no meu trabalho?” As Escrituras respondem em Is 52.11. Davi compreendia que o pecado é um impedimento à conversão dos pecadores (Sl 51.2-13). Consideremos aqui os seguintes textos:

* 1 Pe 1.15 – Aqui a santidade é requerida em todas as maneiras de viver.

* Fp 1.27 – Mostra que a nossa conduta deve ser conforme o Evangelho.

* Rm 12.1,2 – O ensino aqui é que não devemos ter uma vida conformada com o mundo. O povo de Deus deve caminhar o mais possível distante do mundo.

Certo patrão estava examinando um grupo de motoristas, a fim de selecionar um deles para ficar como empregado de sua firma. A certa altura do teste, surgiu a seguinte pergunta dele: “Se vocês fossem por uma estrada, beirando um precipício, qual seria a menor distância a que chegariam da beira do abismo, respeitando os limites de segurança?”

Os motoristas querendo demonstrar habilidade e experiência, foram dizendo: “um metro”, “menos de um metro”, “meio metro”. Nenhuma resposta agradava o patrão até que um deles disse: “Eu caminharia tão longe quanto possível do precipício”.

Este candidato foi aceito para o emprego. Assim deve ser também na vida espiritual… O descrente não lê a Bíblia, mas lê a vida do crente, que de fato deve ser uma Bíblia aberta! (2 Co 3.2).

3. Aprendendo com o supremo ganhador de almas – Jesus (Mt 4.19)

Em sacrifício, amor, serviço e métodos na obra de ganhar almas, Jesus é o nosso perfeito exemplo. Entre os diversos casos de evangelização pessoal do Senhor Jesus, abordaremos um – o da mulher samaritana, em João cap.4. Se seguirmos os passos de Jesus para ganhar a samaritana, muito aprenderemos quanto à evangelização pessoal.

Em seu ministério, inúmeras vezes Jesus pregou a milhares de ouvintes; entretanto, um dos seus mais belos sermões – o de João cap. 4 -, foi proferido perante uma só alma.

Isto revela também a importância do testemunho pessoal. Noutra ocasião, Jesus dirigiu um extenso estudo bíblico para dois discípulos (Lc 24.27).

Sigamos, pois, os passos do Senhor ao ganhar a samaritana:

3.1 Ter amor, espírito de sacrifício (vv. 4,6,8).

O v.4 fala de sacrifício; o v.6, de cansaço; e v.8, de necessidade (fome). Tudo por causa duma alma perdida. É interessante notar que Jesus estava cansado da viagem (v.6), mas não do trabalho.

O ganhador de almas deve estar possuído de ardente amor e compaixão pelos perdidos. O apóstolo Paulo tinha a mesma paixão (Rm 9.2,3).

3.2 Ir ao encontro do pecador (v.5).

Notai como o Senhor Jesus foi do geral ao particular: primeiro, à província de Samaria (v.4), depois à cidade de Sicar (v.5), e por último à fonte de Jacó, para onde a mulher deveria vir (v.6).

Jamais deveremos esperar que os pecadores venham ao nosso encontro. Jesus mostrou, em Mt 4.19, que a obra de ganhar almas é comparada a uma pescaria espiritual.

O pescador tem de colocar-se no local da pesca, se quiser apanhar peixes. Noutras passagens da Bíblia encontramos o mesmo ensino, como em Lc 15.4. O profeta Ezequiel, conduzido pelo Espírito Santo, foi até os cativos do seu povo e sentou-se entre eles (Ez 3.14,15).

3.3 Paciência (v.6).

Diz o texto: “Assentou-se”. Assim fez, esperando pelo pecador. (Ler At 17. 2.)

3.4 Entrar logo no assunto da salvação (v. 7).

Há sempre uma porta aberta para se falar da salvação. No caso da samaritana, o assunto do mo mento era água e sede, e logo Jesus falou da água da vida que sacia a sede da alma.

Vemos um caso idêntico em Atos capítulo 8. Aí o assunto era leitura e logo o servo de Deus iniciou a conversa com uma pergunta também sobre leitura (v.30).

Em João, capítulo 2, quando Jesus conversava com Nicodemos, talvez soprasse uma brisa, e logo Ele usou o vento como figura (v.8).

3.5 Ficar a sós com quem está falando (v. 8).

Quando alguém estiver falando com um pecador a respeito da salvação, evite perturbá-lo, a me nos que seja convidado.

3.6 Deixar os preconceitos raciais ou sociais (vv.9,10).

Jesus veio desfazer todas as barreiras que impedem a perfeita relação entre Deus e o homem, e entre este e seu semelhante. Os preconceitos têm causado grandes males na sua ação destruidora de separar, ao passo que Jesus veio unir (Ef 2.11-22).

3.7 Não se afastar do assunto da salvação (vv.9-13).

No v.9, a mulher alega o problema do preconceito. No v.12, Jesus volta ao assunto inicial: água, mas agora água da vida. Nos w.11,12, a mulher apresenta dificuldades.

Nos w.13,14, Jesus volta ao assunto inicial: salvação. Resultado: no v.15 já há na pecadora um certo grau de interesse.

3.8 Fazer ver ao ouvinte que ele é pecador (v.16).

Jesus sabia que a samaritana não tinha marido, mas para motivar uma declaração dela, disse-lhe: “Chama o teu marido e vem cá”. Muitos pecadores não se podem salvar porque não querem reconhecer que são pecadores e muito menos perdidos.

3.9 Não atacar defeitos, nem condenar (v. 18).

Isto não quer dizer que vamos bajular alguém ou concordar com sua vida ímpia e pecaminosa.

3.10 Evitar discussão (vv.20-24).

Não permitir que a conversa degenere em discussão. No v.20, a mulher aponta o fato de os judeus desacreditarem na religião dos samaritanos.

É costume também o pecador apontar falhas nas igrejas e nas vidas de certas pessoas crentes. Isto mostra que tais ouvintes, em lugar de olhar para Cristo, estão atrás de igrejas e pessoas. O alvo perfeito é Cristo (Hb 12.2).

Crentes errados darão conta de si mesmos (Rm 14.12). Diz uma autoridade em Relações Humanas: “Você nunca vencerá uma discussão.

Se perder, perdeu mesmo, e se ganhar perdeu também, porque um homem convencido contra a vontade, conserva sempre a opinião anterior. Quem perde numa discussão fica ferido no seu amor próprio”.

3.11 O sexo influi, às vezes (v.27).

O ideal é falar com pessoas do mesmo sexo, sem contudo fazer disso uma lei. É provável que se uma mulher falasse à samaritana, talvez não prendesse tanto a sua atenção.

Outros exemplos de Jesus evangelizando pessoalmente:

a) Jesus e Nicodemos (Jo 3.1-21).

b) Zaqueu, o publicano (Lc 19.1-28).

c) O cego Bartimeu (Mc 10.46-52).

d) O malfeitor na cruz (Lc 23.39-43).

e) O doutor da lei (Lc 10.25-37).

f) O jovem rico (Mt 19.16-30).

g) A mulher adúltera (Jo 8.1-11).

h) A mulher enferma (Mc 5.25-34).

i) A mulher siro-fenícia (Mc 7.24-30).

j) O paralítico de Cafarnaum (Mc 2.1-12).

4. Ser cheio do Espírito Santo

Nos negócios puramente humanos, o homem pode ter êxito e promover o progresso. Isto acontece nas construções, nas indústrias, no comércio, na arte, nas ciências, etc, mas no tocante à obra de Deus, só pode de fato haver avanço quando ela é acionada pelo Espírito de Deus. Ele é que comunica vida.

Quando o trabalho do Senhor passa a ser dirigido exclusivamente pelo homem, torna-se em organização mecânica, fria e estéril. A Igreja de Deus, quando dinamizada pelo Espírito Santo, é de fato um organismo vivo, que cresce sempre para a glória de Deus.

A ordem de Jesus à Igreja para pregar o Evangelho está intimamente ligada à ordem para receber o poder do alto, como se vê em Lc 24.49; At 1.8. O poder de Deus faz a diferença.

O apóstolo Pedro, fraco e tímido antes do Pentecoste, tornou-se coluna, após o revestimento de poder. Todo o crente nascido de novo tem em si o Espírito Santo (1 Co 3.16), mas o poder glorioso para o testemunho e serviço de Cristo, vem com toda plenitude aos servos batizados com o Espírito Santo (At 1.4,5,8; 2.1-4).

Após o crente ter sido cheio do Espírito Santo é preciso permanecer cheio sempre (Ef 5.18). Aí não se trata de um convite divino, mas de uma ordem. Leia mais sobre o Uma vida de frutificação em Jesus Cristo.

5. É preciso orar sempre (Ef 6.18,19)

A oração abre portas e remove barreiras. Ela é o meio de comunicação com Deus. A Igreja nasceu quando em oração, e é nesse ambiente que ela cresce e se desenvolve (At 1.14).

Pedro estava orando quando Deus o usou para a salvação de Cornélio, seus parentes e amigos (At 10). (Ver Sl 126.6; At 20.31.) É mais fácil falar ao pecador sobre Deus, depois que falamos com Deus sobre o pecador…

6. Fé na operação da Palavra de Deus.

Quando falamos a Palavra de Deus, precisamos confiar no seu autor. À nós crentes compete anunciar a Palavra; a Deus, operar. Aquele que disse “Ide por todo o mundo”, também disse “Eis que estou convosco”.

Devemos falar a Palavra com plena convicção de que é o poder de Deus para salvação de todo o que crê (Is 55.11; Rm 1.16).

Há pecadores que aceitam a mensagem da salvação com toda a simplicidade, outros não. Se o irmão está procurando levar uma alma a Cristo, nunca desanime.

Certo irmão sueco orou 50 anos para Jesus salvar determinada pessoa, e viu-a aceitar o Salvador. O Dr. R. A. Torrey, célebre ganhador de almas, orou 15 anos por uma pessoa, e esta veio a crer em Jesus.

Os homens que conduziam o paralítico de Lucas cap.5 só conseguiram chegar à presença de Jesus, subindo ao eirado, o que não era muito fácil. Mas não desanimaram. Isto é perseverança.

Às vezes é preciso um esforço assim. Qualquer caso, mesmo os piores, acham solução no Senhor Jesus. Para Deus nunca houve impossíveis. Ele é especialista nisso!

Portanto, é preciso anunciar a Palavra com plena confiança na sua divina ação. Quando você estiver falando de Jesus, ore em espírito para que Deus honre a Palavra dele e manifeste o seu poder salvador.

7. É preciso amor

Fé e amor andam juntos na evangelização. Quaisquer outros recursos serão meros paliativos, como relações humanas, sociologia etc. Jesus foi a personificação do amor.

Ele salvou os pecadores amando-os até o fim (Jo 13.1). Sua posição ao morrer de braços abertos na cruz é a expressão máxima do amor. Ali, num gesto de infinito alcance, Ele uniu os dois povos com seus braços acolhedores (judeus e gentios).

8. A apresentação pessoal

Cuide disso. Sua aparência é importante, como é importante a mensagem que você leva. Deus pode usar quem Ele quiser e o que Ele quiser, até uma queixada de jumento, como no caso de Sansão, mas quanto à sua aparência pessoal, irmão, fica a seu critério.

Cuide de sua apresentação, mas sem exagero. Roupa passada, gravata no lugar, limpeza geral, inclusive das unhas; barba bem feita, cuidado com o hálito.

O traje deve ser modesto, decente e de bom gosto. Um traje mundano, imoral e indecente não é próprio do cristão; pode atrair o povo, mas não para Cristo.

Não permita que seu traje seja motivo de atração para os ímpios, desviando, assim, a atenção a Cristo. Diz a Palavra de Deus no Sl 103.1: “Tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome”.

9. O uso da fala (1 Co 14.9)

Ao ler a Bíblia ou falar ao pecador, procure evitar solecismos prosódicos, observando a pronúncia correta das palavras, o que inclui todas as suas letras.

Evite o pedantismo a todo o custo, porque logo será descoberto. Pedantismo é falsa cultura. Na pronúncia da língua portuguesa atente para a acentuação, entonação e pontuação. Uma dicção exata impõe-se e dá destaque.

Jesus certamente observava bem estas regras. O correto emprego das palavras é também muito importante. Por exemplo, nunca dizer “verso” em lugar de “versículo”, quando referir-se às divisões dos capítulos da Bíblia o certo é “versículo”.

Jesus ensinou seus discípulos a orar, mas não a pregar, porque aprender a falar e pregar é tarefa nossa. Jesus unge a mensagem e opera por meio dela.

Por meio da oração buscamos o Senhor para que Ele inspire e ilumine a pregação. O que é para o homem fazer. Deus não executa. (Ver Jo 11.39.) Um auxiliar valioso para a grafia e pronúncia correta dós nossos vocábulos é o “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”, edição de 1981.

O meio ambiente de pessoas cultas também influi poderosamente na boa formação lingüística e cultural. O apóstolo Paulo nunca desprezou os li-vros (2 Tm 4.13). É de grande valor o estudo de bons livros, como concordância, dicionários, gramáticas, manuais doutrinários, etc.

10. O manuseio prático da Bíblia

É muito importante o pleno desembaraço no manuseio do volume sagrado. Isto significa saber onde estão as passagens necessárias e localizá-las no volume sagrado com rapidez.

É imperioso conhecer a abreviatura de cada livro. Como já foi dito, este curso de evangelismo pessoal adota o sistema mais simples de abreviar os livros da Bíblia: apenas duas letras para cada livro, sem ponto abreviativo.

Há outros sistemas, mas esse é o mais simples.

Nunca cite um versículo incompleto ou de maneira duvidosa. Isso compromete. Também nunca acrescente ou subtraia palavras do texto bíblico, mutilando-o.

Quanto a isso. é bom atentar para a advertência de Dt 4.2; 12.32; Pv 30.5,6; Ap 22.18,19. Neste curso temos de memorizar muitos textos da Palavra de Deus. Se isso parecer difícil ou impossível, lembremo-nos de Fp 4.13.

11. O uso de folhetos e literatura em geral

Nunca distribua nada sem primeiro ler para si. Há um provérbio que diz: “Nem tudo que brilha é ouro”. Ande sempre munido de porções impressas da Palavra de Deus: folhetos, revistas, Novos Testamentos. Bíblias completas ou porções dela.

Há ocasiões em que não se pode falar nem ingressar em determinados lugares, mas a Palavra de Deus pode fazer tudo isso.

Milhares já foram salvos pela mensagem impressa. Distribua a mensagem conforme a situação do momento. O agricultor, quando semeia, escolhe a semente antes de lançá-la ao solo; ele assim faz porque os terrenos são diferentes.

Também se pode evangelizar por meio de cartas pessoais. Neste caso, as cartas devem sempre ser manuscritas, a fim de conduzir o toque pessoal. Na Bíblia temos muitas mensagens em forma epistolar.

Evangelização e Cultura

O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local.

A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca.

O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas.

As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras.

Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus” (Pacto de Lausanne, Suíça, 1974).

 

RESULTADO DA EVANGELIZAÇÃO

Aqui estão algumas das bênçãos resultantes da evangelização pessoal:

1. Crescimento da obra do Senhor Quem ganha almas está ajudando a edificar a Igreja.

Ela na Bíblia é comparada a um edifício que se completa pela edificação. A igreja no seu início, cresceu depressa porque os crentes evangelizavam sem cessar.

Isto é visto nos primeiros oito capítulos do livro de Atos, que é o livro histórico da Igreja. Uma igreja local que possui um grupo de crentes cheios de zelo e paixão pelas almas crescerá sempre.

E se toda uma igreja for despertada para evangelizar o crescimento será tal, que despertará uma região, um estado, um país e mesmo o mundo.

2. Maior paixão pelas almas

Isso tem acontecido com os servos de Deus através dos tempos. Por exemplo, Paulo – o grande ganhador de almas, após 25 anos de labor constante, sua paixão pelos perdidos era tal, que exclamou certa vez: “Tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração.

Porque eu mesmo poderia desejar ser separado de Cristo, por amor de meus irmãos” (Rm 9.2,3). Tal amor e paixão pelos perdidos não encontra palavras para descrever-se.

3. Fortalecimento na fé

Nossa fé é fortalecida quando testemunhamos Deus cumprir sua Palavra. É maravilhoso e edificante ver como Deus cumpre o que está escrito no que tange à salvação das almas, quando as condições exigidas por Ele são satisfeitas.

Paulo dizia com confiança nesse sentido: “Não me envergonho do evangelho” (Rm 1.16). Isto significa que por onde quer que ele falasse a Palavra, Deus confirmava a pregação com salvação de pecadores e demais bênçãos.

4. Estímulo a outros irmãos

A prática de ganhar almas e as bênçãos daí decorrentes estimulam outros a se renderem ao Senhor para que Ele os use de igual modo. Crentes inflamados pela salvação dos pecadores transmitem influência aos descuidados e indiferentes.

Tendo apreciado o porquê, quando, onde, como e os resultados da evangelização dos pecadores, peçamos a Deus que nos revele e ajude a deixar tudo aquilo que impede a nossa participação efetiva na evangelização das almas perdidas, e que Ele derrame sobre nós o seu Espírito, dotando-nos, assim, de poder para a tarefa de evangelizar e ganhar os perdidos para Ele. Que Ele nos faça homens e mulheres segundo o seu coração.

Você, irmão, está sinceramente disposto a orar assim? Oh! que Deus desperte seu povo enquanto é tempo de falar aos perdidos, do seu amor e da sua salvação, antes que entrem no Inferno!

 

EVANGELIZAÇÃO E RESPONSABILIDADE SOCIAL

O nosso próximo é uma pessoa, um ser humano, criado por Deus.

E Deus não o criou como uma alma sem corpo (para que pudéssemos amar somente sua alma), nem como um corpo sem alma (para que pudéssemos preocupar-nos exclusivamente com seu bem-estar físico), nem tampouco um corpo-alma em isolamento (para que pudéssemos preocupar-nos com ele somente como um indivíduo, sem nos preocupar com a sociedade em que ele vive).

Não! Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social.

Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como ‘um corpo-alma em sociedade’. Portanto, a obrigação de amar o nosso próximo nunca pode ser reduzida para somente uma parte dele.

Se amamos o nosso próximo como Deus o criou (o que é mandamento para nós), então, inevitavelmente, estaremos preocupados com o seu bem-estar total, o bem-estar do seu corpo, da sua alma e da sua sociedade.

[…] É verdade que o Senhor Jesus ressurreto deixou a Grande Comissão para a sua Igreja: pregar, evangelizar e fazer discípulo. E esta comissão é ainda a obrigação da Igreja.

Mas a comissão não invalida o mandamento, como se ‘amarás o teu próximo’ tivesse sido substituído por ‘pregarás o Evangelho’. Nem tampouco reinterpreta amor ao próximo em termos exclusivamente evangelísticos” (STOTT, J. R. W. Cristianismo Equilibrado. 3.ed., RJ: CPAD, 1995, pp.60,61).

O “ide”. O “ide” de Jesus significa também atravessar fronteiras. Anunciar o Evangelho em uma cultura diferente é o grande desafio da obra missionária. Não podemos desprezar a cultura de um povo a quem pretendemos evangelizar, nem lhe impingir a nossa (1 Co 1.1,2).

 

CONCLUSÃO

Portanto, cabe a todos nós firmarmos o nosso compromisso com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo.

 

Referências

– Bíblia de Estudo Palavra Chave (ARC)

– Apontamentos Teológicos do Autor

– PETERS, G. W. Teologia Bíblica de Missões. 1.ed., RJ: CPAD, 2000.

– Livro do Pastor Antônio Gilberto, CPAD, A prática do Evangelismo Pessoal.

 

Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC. Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB). Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama). Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI). Conferencista, Seminarista, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba.

 

 

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O que é Evangelização