O cultivo das Relações Interpessoais

O cultivo das relações interpessoais

O cultivo das Relações Interpessoais

O cultivo das relações interpessoais é extremamente importante para a vida cristã. É certo que a vida humana consiste em relacionamentos. Tudo o que o homem é reflete-se em seu modo de lidar com as pessoas.

Por isto, a Bíblia ensina como o cristão deve viver em sociedade. Já nascido de novo, o crente deve viver de acordo com um padrão de comportamento pautado no amor.

Não levando em consideração os seus próprios interesses (1 Co 13.5), pois o amor de Cristo contrapõe-se ao individualismo egocêntrico tão cultuado nos dias atuais.

Até porque, a salvação em Cristo Jesus leva-nos a agir como verdadeiros cidadãos dos céus e a promover o crescimento do Reino de Deus. “Portanto, cada um de nós agrade ao seu próximo no que é bom para edificação” (Rm 15.2).

Texto Bíblico Romanos 14.13-23; 15.1-3.

O Amor Cristão é a base para um bom Relacionamento

1 –  Uma vida nova.

É impossível falar do salvo em Cristo sem se referir ao verdadeiro amor cristão. Estar arraigado no Filho de Deus significa, antes de tudo, achar-se arraigado no amor (Cl 2.7; Ef 3.17) que, juntamente com a fé e a esperança, faz parte da essência da vida cristã (1 Co 13.13; 1 Ts 1.3; Cl 1.4). No amor de Deus, concretiza-se a nova vida em Cristo.

2 –  Deus nos amou primeiro.

O amor com o qual os cristãos devem amar-se uns aos outros é um reflexo do amor de Deus em Cristo. Há na Bíblia várias expressões exortando os crentes a amarem-se uns aos outros como Cristo nos amou (Fp 2.1,2,5; Ef 5.2,25; Rm 12.1,9-21; 1 Jo 4.8,16).

3 –  Edificados em amor.

Amar uns aos outros é um mandamento do Senhor Jesus (Jo 15.12). Assim, todos saberão que somos seus discípulos (Jo 13.35). O amor é um elemento essencial para a vida e o crescimento da Igreja (Ef 4.15,16); é o vínculo da perfeição (Cl 3.14).

O amor é mais importante do que qualquer discussão. É o amor que mantém a unidade da Igreja (Cl 2.2), o corpo de Cristo. Este conceito permeia todo o ensino bíblico. O apóstolo chama a igreja à responsabilidade mútua: todos devemos formar uma perfeita unidade.

Portanto, que o amor de uns para com os outros seja colocado a serviço da edificação da Igreja. Nada é mais importante que o amor na Igreja de Cristo (Ef 4.13; Cl 3.14).

O Amor Fraternal

1) A fraternidade.

A segunda parte de Romanos apresenta o mesmo tom das exortações de Jesus no Sermão do Monte. O texto dos vv.9-21 trata do amor fraternal, profundo, sincero e prático, sem hipocrisia, que deve reinar entre os crentes. O amor, o respeito mútuo e a solidariedade constituem-se no padrão para o Cristianismo.

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2) O amor sincero.

A partir do v.9 o apóstolo exorta os crentes a observar alguns preceitos sociais, principalmente a comunhão fraternal. Quem não ama ao seu próximo, não ama a Deus (1 Jo 4.20).

Esse amor deve ser sincero. Isto é: em obras e em verdade, não só em palavras (1 Jo 3.18). Essa era a característica da Igreja no primeiro século (At 2.42-47).

3) Amar os crentes e os inimigos.

A grandeza dessa passagem reside também no fato de o apóstolo nos exortar a amar e a perdoar até mesmo os de fora (vv.14,17-21). Isso já fora dito por Jesus no Sermão do Monte (Mt 5.42-48).

Devemos procurar essa convivência pacífica com todos, até onde for possível: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens” (v.18). Leia mais sobre Bondade que confere vida.

O individualismo é Prejudicial

 1 –  Individualismo.

O individualismo é o sistema egocêntrico no qual o ser humano opta por viver exclusivamente para si. Nada pode ser mais contrário ao ensino bíblico! Bastante adotado atualmente, o individualismo tem diferentes manifestações: o egoísmo, a inimizade, o ódio (Rm 1.29).

Logo, é fácil entender por que a Bíblia o repele tão fortemente, colocando-o em sua “lista de vícios” (Ef 4.31; Cl 3.5).

2 – O contraponto

O vivar cristão tem como alvo amar ao próximo (Jo 13.35), considerar os outros superiores a si mesmo (Fp 2.3) e abdicar de seus direitos em prol do bem-estar alheio (Fp 2.4).

João também é enfático ao afirmar: quem não ama não é nascido de Deus (1 Jo 4.7,8). Se alguém nasceu de novo, ama ao próximo assim como Cristo nos amou.

É algo imperativo! A Bíblia exorta-nos a ter o mesmo sentimento de Cristo (Fp 2.5): humildade, amor e altruísmo (Rm 15.3).

Liberdade Cristã no Relacionamento Interpessoal

 1 –  Agindo sempre com sabedoria.

A igreja em Roma tinha dois grupos: os mais fracos e os mais fortes na . Em função disto, Paulo dirige-se a ambos com palavras sábias e precisas a respeito de um assunto que os dividia — a ingestão de certos alimentos tidos como imundos.

O apóstolo Pedro, como judeu, enfrentou problemas nessa área até que veio a compreender devidamente o plano de Deus (At 10.9-15).

Antes de entrar no assunto, Paulo evoca sua autoridade apostólica: “Eu sei e estou certo, no Senhor Jesus, que nenhuma coisa em si mesma é imunda…” (Rm 14.14).

Dessa forma, todos podiam estar tranquilos: tantos os fortes quanto os fracos na fé, pois esta palavra vinha de alguém que possuía, de fato, autoridade. Antes de se converter, era o apóstolo um judeu nacionalista e um fariseu nitidamente legalista.

Mas agora, salvo em Jesus, compreende ele: o Reino de Deus não é comida nem bebida mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo (Rm 14.17).

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As proibições dietéticas da Lei de Moisés, por conseguinte, funcionavam apenas como sombras dos bens futuros. Com a chegada de Cristo, já não tinham razão de ser; não passavam de rudimentos.

2 –  A Igreja e o Judaísmo.

A Igreja de Cristo não está obrigada a cumprir as regras do judaísmo, pois o Senhor Jesus, através de sua morte, libertou-nos da maldição da Lei.

Aliás, o próprio filho de Deus ensinou: o que realmente importa na lei são as reivindicações de Deus quanto à justiça, à misericórdia e à fé (Mt 23.23 cf. Mq 6.8; Mt 5.17; Rm 10.4). Aos crentes que assimilavam o ensino do Novo Testamento, Paulo chama-os de fortes.

Apesar disso, não devem eles prevalecer sobre os mais fracos, vindo a desprezá-los por não haverem, ainda, alcançado o pleno entendimento do plano de Deus.

Ora, se os fortes não devem desprezar os fracos, estes por sua vez não devem censurar os fortes. Pois a obrigação de ambos é se amarem como Cristo nos amou e entregou-se por nós (Rm 14.13).

Há que se levar em conta sempre o “bem maior” — o Reino de Deus! Esta é a bússola do crente que vai guiá-lo em suas decisões: o bem-estar do corpo de Cristo!

3 –  O Reino de Deus.

Cristo veio ao mundo com a finalidade de tornar os homens cidadãos do seu reino (Mc 1.14,15). Por conseguinte, o cristão é um cidadão do Reino de Deus (Cl 1.13), onde tudo é diferente (Jo 18.36), inclusive a maneira de se pensar (1 Co 2.16).

Logo, o meu modo de ser já não importa. Devemos ver tudo sob a perspectiva do Reino. O Rei dos reis exorta-nos a buscar o Reino de Deus e a sua justiça, a fim de que as demais coisas nos sejam acrescentadas (Mt 6.33).

Portanto, o comer, o vestir-se, o ter um teto para se abrigar, embora importantes à nossa sobrevivência, são postos em segundo plano.

4 – Individualismo x Reino.

A partir do momento que o cristão se dá conta de que participa do Reino de Deus (1 Pe 2.9,10), seus esforços começarão a ser investidos no crescimento deste Reino e na glorificação do Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

O salvo busca agradar ao próximo, promovendo-lhe a edificação (Rm 14.19; 15.2), em detrimento do seu próprio bem-estar. Por esse motivo, no Reino de Deus não há lugar para o individualismo, pois o Senhor Jesus é tudo em todos.

5 –  Liberdade x amor.

Embora o cristão não seja obrigado a observar as regras dietéticas da lei de Moisés, Paulo exorta-nos a não agir de forma individualista.

Ele insta-nos a que visemos, em primeiro plano, o bem-estar espiritual de nossos irmãos, a fim de que estes não se escandalizem com as nossas atitudes. Pois a nossa liberdade não pode escandalizar aqueles por quem Cristo morreu.

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Aliás, o próprio Senhor deixa-nos uma forte exortação neste sentido (Mt 18.6,7). É claro que a liberdade cristã não nos autoriza a viver de forma desordenada e a pecar.

Afinal, somos um povo santo; devemos andar como Cristo andou (1 Jo 2.6). O amor, portanto, leva-nos a considerar as dificuldades dos mais fracos. Se não agirmos assim, estaremos pecando por não amar nossos irmãos como Cristo nos amou e entregou-se por todos nós.

Argumento Doutrinário

Os Limites da nossa Liberdade (14.13-21).  Enquanto o primeiro estágio do argumento de Paulo tratou de atitudes de julgamento, o segundo incita o ouvinte a considerar que tipo de ação é apropriado numa comunidade formada pela aceitação graciosa de Deus de todos os crentes.

Os termos tropeço e escândalo (v.13) são usados de modo sinônimo como metáforas para algo que faz alguém perder a fé.

O ‘tropeço’ é algo que pode fazer alguém tropeçar; um ‘escândalo’, que se referia originalmente ao pedaço de madeira que mantinha aberta a armadilha para animais, é usado no Antigo e Novo Testamento como algo que poderia levar a pessoa a pecar.

A imagem é clara: O exercício aberto de liberdade pelos fortes apresenta uma tentação para os fracos, o que poderia resultar em queda no pecado.

Para ouvir a força da combinação destas palavras, temos de recordar o uso destes dois conceitos em Romanos 9.33, onde aparecem na citação de Isaías 8.14. Lá, o tropeço (‘uma pedra que os faz cair’) se refere a Cristo.

Os judeus tropeçaram em Cristo, ou seja, eles ficaram ofendidos com Ele, e ao rejeitarem Jesus como Messias eles rejeitaram a iniciativa salvadora de Deus.

Paulo adverte

Semelhantemente, em Romanos 14 Paulo exorta os gentios a evitar qualquer ação que possa levar outros não observar certos dias santos.

– […] Partindo da premissa de que a consciência individual desempenha um papel determinante para a conduta ética do indivíduo, pelo menos duas implicações ocorrem para os fortes:

1) A consciência dos fracos não deve ser menosprezada ou desconsiderada, mas antes levada em conta por causa do mandamento do amor. Comer na frente de alguém que considera a prática errada e cometer o engano de colocar o princípio da liberdade na frente do princípio do ágape.

2) É não apenas ofensivo, mas potencialmente destrutivo os fortes, desconsiderarem os sentimentos dos fracos. ” (Van Johnson. Romanos. In ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário Bíblico Pentecostal. RJ: CPAD, 2003, pp.907-8).

Conclusão

Vimos que, na verdade, Paulo incentiva e demonstra que os verdadeiros salvos em Cristo devem relaciona-se, não somente entre os mesmos, mas com toda a sociedade levando em consideração e tendo como base o amor.

Quanto mais do amor de Deus tivermos em nossos corações e maturidade espiritual alcançarmos do Senhor, mais cuidado devemos ter em nossos relacionamentos com os nossos irmãos e mais dispostos devemos estar para renunciar a tudo que for preciso, a fim de melhor servir ao Senhor à medida que convivemos com os santos para a glória de Deus.

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