Igreja, Agência Evangelizadora

Igreja Agência Evangelizadora

IGREJA, AGÊNCIA EVANGELIZADORA

 

A Bíblia é enfática quando nos revela que a Igreja é a agência do Reino de Deus na terra, por isso, ela não pode enclausurar-se dentro dos templos, mas deve cumprir a sua missão por toda parte, onde estão os pecadores.

No entanto, devemos sempre reconhecer que o progresso real de uma igreja é avaliado por seu alcance evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus.

Todas as demais atividades são importantes, mas a prioritária e incessante é a evangelização.

 

Neste artigo você estudará sobre:

1. Definição de Evangelho, Evangelização e Evangelismo

2. Fundamento ou Base da Evangelização

3. A Evangelização Urbana e a Transcultural

4. A Igreja como portadora do mistério oculto

5. A missão evangelizadora da Igreja

Bons estudos!

 

TEXTO BÍBLICO

Mateus 28

19 — Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

20 — ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém!

 – Marcos 16

15 — Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.

16 — Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.

17 — E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas;

18 — pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão.

 

DEFINIÇÃO DE EVANGELHO, EVANGELIZAÇÃO E EVANGELISMO

Existem três palavras interligadas na proclamação das Boas-Novas que merecem a nossa atenção: evangelho, evangelismo e evangelização. Estas definem e explicam a missão máxima da igreja na terra.

1. Evangelho (Mc 16.15).

Só entenderemos a importância da missão evangelizadora da igreja compreendendo o significado de evangelho. O que é evangelho? No sentido mais simples, o evangelho é definido como “boas-novas de salvação em Cristo”.

Noutras palavras, “evangelho” é o conteúdo da revelação de Deus, em Jesus como Salvador e Senhor de todas as criaturas que o aceitam como seu Salvador pessoal. Evangelho, portanto, é o conjunto das doutrinas da fé cristã que deve ser anunciado a toda criatura.

2. Evangelização.

Mateus 28.19,20 apresenta o imperativo evangelístico de Cristo à sua igreja, com quatro determinações verbais:

a) Ir. No sentido de mover-se ao encontro das pessoas, a fim de comunicar a mensagem salvífica do evangelho;

b) Fazer discípulos. Com o sentido de “estar com” as pessoas e torná-las seguidoras de Cristo;

c) Batizar. É o ato físico que confirma o novo discípulo pela sua confissão pública de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor;

d) Ensinar as doutrinas da Bíblia, com o objetivo de aperfeiçoar e preparar o discípulo para a sua jornada na vida cristã.

3. Evangelismo.

Possui um caráter técnico, pois se propõe a ensinar o cristão a cumprir, de modo eficaz, a tarefa da evangelização.

O evangelismo na igreja local implica uma ação organizada e ativada pelos membros, para desenvolver três ações necessárias à pessoa do evangelista: informação, persuasão e integração do novo convertido.

Evangelho, evangelização e evangelismo distinguem-se quanto à prática, mas possuem as mesmas formações linguísticas. Evangelização é o anúncio da mensagem. Evangelismo é a técnica de comunicação da mensagem.

FUNDAMENTO OU BASE DA EVANGELIZAÇÃO

O Pastor Guilhermo Cook, da Costa Rica, declarou num congresso de missões que a tarefa da evangelização está firmada em três bases distintas: a base cristológica, a ministerial e a sociológica.

1. A base cristológica.

É evidente que a mensagem que pregamos aos pecadores só pode ser a mesma que Cristo pregou quando esteve na Terra.

Jesus, ao iniciar o seu ministério terreno, o fez a partir da cidade de Nazaré, quando entrou numa sinagoga e levantou-se para ler a Escritura. Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías e, ao abri-lo, leu e explicou o texto de Isaías 61.1,2 (ver Lc 4.18,19).

Nesta Escritura, Cristo se identificou com a missão para a qual viera (Jo 1.14), mas não restringiu a mensagem e a missão evangelizadora para si, pois outorgou-as a seus discípulos (Jo 20.21).

Ora, o mesmo Espírito que ungiu a Jesus para proclamar as boas-novas habita na Igreja para que ela dê continuidade à proclamação da mensagem salvadora do evangelho de Cristo (Lc 24.49; At 1.8; Rm 1.16). Leia mais sobre Deus, o primeiro evangelista.

2. A base ministerial.

No Antigo Testamento identificamos três ministérios distintos: o sacerdotal, o real e o profético.

a) O sacerdote representava o povo diante de Deus, orando e intercedendo por ele no exercício do ministério no Tabernáculo ou no Templo;

b) O rei representava a Deus perante o povo, e simbolizava o domínio do divino sobre o humano;

c) O profeta era o intermediário entre Deus e o povo, comunicando a mensagem de amor e de juízo.

Quando Jesus se fez homem, exerceu esse tríplice ministério. Como rei, nasceu da linhagem real de Davi (Lc 1.32; Rm 1.3).

Como sacerdote, foi declarado sacerdote de acordo com a ordem de Melquisedeque, e não segundo a levítica (Hb 7.11-17,21-27). Como profeta, Cristo foi identificado pela mensagem que pregava (Lc 4.18,19).

Porém, o Senhor Jesus transferiu para a igreja esse tríplice ministério. A igreja é vinculada à linhagem real de Jesus, porque somos o seu corpo glorioso na terra (Ap 1.6; 1 Co 12.27).

O sacerdócio da igreja é identificado pela sua presença no mundo como intermediária entre Deus e os homens. Exercemos esse ministério, cumprindo as responsabilidades sacerdotais: interceder e reconciliar o mundo com Deus (2 Co 5.18,19; Hb 2.17).

E, por último, a igreja, ao anunciar a Cristo como Senhor e Salvador, cumpre o seu papel profético (1 Pe 2.9; At 1.8).

3. A base sociológica.

Em síntese, pessoas evangelizam pessoas, pois Jesus morreu pelos pecadores. É sociológica porque a igreja emprega os meios da comunicação pessoal para persuadir os indivíduos de que Jesus é o Salvador; e porque a mensagem não se restringe a um grupo, mas tem por objetivo alcançar todas as criaturas.

Obs.: Os três pilares, que alicerçam a evangelização – cristológico, ministerial e sociológico – descrevem os fundamentos por meio dos quais as igrejas locais realizam a missão evangelizadora.

 

A EVANGELIZAÇÃO URBANA E A TRANSCULTURAL

 1. Evangelização urbana.

Sem prescindir da evangelização nos meios rurais, é um fato notório em nossos tempos que a vida urbana é uma realidade que desafia e exige da igreja uma pronta e veemente atitude para alcançá-la.

Existe um fluxo migratório incontrolável de pessoas que deixam a vida rural e saem em busca de melhores oportunidades nas grandes cidades.

Muitos problemas sociais resultam da desorganização da vida urbana, e a igreja deve estar preparada para responder a esses dilemas. Estratégias adequadas devem ser desenvolvidas para alcançar as pessoas.

Os problemas típicos da vida urbana, tais quais a diversidade cultural, a marginalização social, o materialismo, a invasão das seitas e as tendências sociais, desafiam a igreja no sentido de, sem afetar a essência da mensagem do evangelho, demonstrar o poder da Palavra de Deus que transforma e dá esperança a todos (Rm 1.16).

2. Evangelização transcultural.

A evangelização transcultural começa na vida urbana com as diferentes culturas vividas pelos seus habitantes. Porém, ela avança quando requer dos missionários uma capacitação especial para alcançar as pessoas.

É preciso que o missionário tenha uma visão nítida de que a mensagem do evangelho é global, pois o Cristianismo deve alcançar cada tribo, e língua, e povo, e nação até as extremidades da terra (Is 49.6; At 13.47).

Obs.: A missão evangelizadora da igreja é local e global enquanto a evangelização local é intracultural (dentro da cultura do evangelista), a global é transcultural (fora da cultura do evangelista).

Nenhuma barreira material, moral ou espiritual será capaz de impedir a Igreja de cumprir a sua missão na Terra.

 

A IGREJA COMO PORTADORA DO MISTÉRIO OCULTO

Segundo o texto de 1 Pe 2.9,10, a igreja deve cumprir plenamente o seu tríplice ministério: real, sacerdotal e profético, para que a sua missão satisfaça o projeto de Deus na Terra.

Cada membro do Corpo de Cristo é responsável pela comunicação da “sabedoria de Deus em mistério” (1 Co 2.7). O mistério, anteriormente oculto, foi revelado por meio de Jesus e preordenado desde a eternidade para nossa glória salvífica.

O anúncio da sabedoria de Deus em mistério não é apenas um privilégio, mas uma responsabilidade que impele o crente a consagrar a sua vida, esforço e tempo.

Portanto, o crente é responsável pela comunicação do mistério de Deus revelado em sua vida: as bênçãos espirituais em Cristo (Ef 1.3), a adoção (Ef 1.5), o selo e penhor do Espírito (Ef 1.13), entre tantos outros mistérios que foram compartilhados com cada crente em particular.

Sejamos, pois, ministros de Cristo e despenseiros fiéis dos mistérios de Deus, como ordena a Bíblia (1 Co 4.1). Sabemos que Deus não faz acepção de pessoas, de nações ou de raças. É da vontade do Senhor que o Evangelho de Jesus Cristo, seu Filho, seja anunciado a todos os povos.

Revelação e Mistério

Os termos revelação e mistério são associações comuns nas epístolas paulinas. Paulo emprega, por exemplo, o termo mistério seis vezes na epístola aos Efésios.

Para compreender adequadamente este termo é necessária uma comparação formal com a epístola aos Colossenses, pois esta também usa o termo várias vezes (1.26,27; 2.2; 4.3).

O termo também pode ser encontrado em Romanos (duas), 1 Coríntios (seis), 1 Timóteo (duas), 2 Timóteo (duas). Os usos do termo mystēhon nestas epístolas possuem particular afinidade com o contexto já encontrado em Efésios e Colossenses.

Em Colossenses, mistério é especificado pelo genitivo ‘mistério de Deus’ (2.2) e ‘mistério de Cristo’ (4.3). Nos outros dois casos (1.26,27), o contexto define o mistério em relação a Deus e a Cristo: ‘Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória’.

Em Colossenses 2.2, este mistério é o próprio Cristo: ‘para conhecimento do mistério de Deus — Cristo’.  Esse conjunto de características se encontra também nos textos de Efésios.

Em três casos, o mystēhon é determinado por um genitivo que o coloca em relação com a iniciativa eficaz e gratuita de Deus, a sua ‘vontade’ (1.9), com o Cristo (3.4) ou com o Evangelho (6.19).

Em dois casos, o termo é usado de forma absoluta, ‘o mistério’ (3.3,9), mas o contexto permite referi-lo, sem dúvida, a Deus ou ao Cristo.

Exclui-se dessa perspectiva o caso de 5.32, onde designa uma interpretação ‘profética’ de um texto bíblico, precisamente, de Gênesis 2.24, relido à luz da ligação salvífica entre Cristo e a Igreja […]”. (BENTHO. E. C. Hermenêutica fácil e descomplicada. 3.ed. RJ: CPAD, 2005, p.37-8.)

 

A MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA

Para obter sucesso na sua missão evangelizadora, a igreja não necessita de aventurar modelos de práticas estranhas, pois o modelo de atos dos apóstolos é suficiente.

Atos dos Apóstolos

“Os capítulos iniciais do Livro de Atos definem os alicerces do explosivo crescimento da jovem igreja. Por cerca de quarenta dias os discípulos foram ensinados, por Jesus, sobre ‘o Reino de Deus’ e sua responsabilidade de difundir a mensagem de Jesus ‘até aos confins da terra’ (1.1-8).

A ascensão visível de Cristo ao céu foi seguida por um breve período de espera, durante o qual os discípulos escolheram um fiel seguidor de Jesus para assumir o lugar de Judas Iscariotes (1.9-26). Esta espera terminou no dia de Pentecostes.

Os primeiros capítulos de Atos apresentam os temas que percorrem todas as epístolas do Novo Testamento, e são vitais para nós hoje.

O primeiro tema é o Espírito Santo. Sua vinda inaugura a igreja […]. O segundo tema é a evangelização. Os primeiros cristãos são levados a proclamarem o Senhor […].

O terceiro motivo é a comunhão. Os membros da jovem igreja são unidos por comprometimento compartilhado com Jesus. Eles adoram, estudam, repartem e oram juntos, em unidade que inspira profundo carinho de uns pelos outros.

Embora devamos encarar o Livro de Atos como documento descritivo que retrata o que aconteceu no século I, em lugar de encará-lo como um documento prescritivo que nos instrui sobre como devemos viver hoje, estes três temas nos lembram de como dependência do Espírito, paixão pela evangelização e comprometimento com a comunhão são vitais para qualquer pessoa que procure seguir a Jesus Cristo em nossa época”. (RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. RJ: CPAD, 2007, pp.251-2).

 

CONCLUSÃO

A Igreja não foi edificada por Cristo para construir escolas, fundar hospitais ou assumir cargos políticos, por mais dignas que sejam tais realizações, mas para cumprir com o mandato de “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).

Quando os crentes prescindem da evangelização, não resta mais nada a igreja do que ser uma associação religiosa em busca de privilégios e reconhecimento social.

Somente um poderoso reavivamento na vida dos crentes será capaz de transformar uma igreja apática quanto à evangelização em uma comunidade rediviva.

Cada crente deve envolver-se com a evangelização dos pecadores. Cada cristão deve ser uma fiel testemunha de Cristo.

Portanto, A mensagem do evangelho deve ir a todas as extremidades da Terra, porque a salvação que Cristo consumou no Calvário visa a toda a humanidade. A igreja não pode negligenciar sua missão principal: alcançar todos os povos com a mensagem do evangelho.

 

Referências

– Bíblia de Estudo Palavra Chave (ARC)

– Apontamentos Teológicos do Autor

– Dicionário Online da Língua Portuguesa

– 1º Trimestre de 2007 : A Igreja e a sua missão –  Elienai Cabral –  14 de Janeiro de 2007

 

Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC. Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB), Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama). Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI). Conferencista, Seminaristas, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba.

 

 

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