Epístola aos Romanos

A Epístola aos Romanos

A Epístola aos Romanos

 

A Epístola de Paulo aos Romanos se tornou importantíssima para a literatura judaico-cristã e principalmente para a igreja em Roma, pois a mesma trouxe fundamentos doutrinários e teológicos para a igreja, além de definir com claridade a verdadeira essência do cristianismo, a saber, “graça salvadora em Cristo Jesus! ”.

 

Neste artigo você estudará sobre:

1. Origem e data da Carta aos Romanos

2. Esboço da Epístola aos Romanos

3. Sinopse da Epístola aos Romanos

4. Argumentações acerca da Epístola aos Romanos

5. A posição e Eleição de Israel com Nação

6. A prática Cristã

Bons estudos!

 

ORIGEM E DATA

A epístola aos romanos foi escrita por Paulo, provavelmente na cidade de Corinto, Grécia, enquanto ele estava hospedado na casa de Caio e transcrita por um dos Setenta Discípulos, o escriba chamado Tércio de Icônio.

Há uma série de razões que convergem para a teoria de que Paulo a escreveu em Corinto, uma vez que ele estava prestes a viajar para Jerusalém ao escrevê-la, o que corresponde com Atos 20:3, no qual é relatado que Paulo permaneceu durante três meses na Grécia.

Isso provavelmente implica Corinto, pois era o local de maior sucesso missionário de Paulo, na Grécia. Adicionalmente Febe, uma diaconisa da igreja em Cencréia, um porto a leste de Corinto, teria sido capaz de transmitir a carta a Roma depois de passar por Corinto.

Erasto, mencionado em Romanos 16:23, também viveu em Corinto sendo comissário da cidade para obras públicas e tesoureiro da cidade em várias épocas, mais uma vez indicando que a carta foi escrita em Corinto.

O momento exato em que foi escrito não é mencionado na carta, mas foi obviamente escrito quando a coleta de ofertas para Jerusalém tinha sido montada e Paulo estava prestes a ir a Jerusalém, ou seja, no final de sua segunda visita a Grécia, durante o inverno que precedeu a sua última visita a essa cidade. A maioria dos estudiosos propõem que a carta foi escrita no final de 55, 56 ou 57.

Outros propõem o início de 58 ou 55, enquanto Luedemann defende uma data anterior, como 51/52 (ou 54/55), na sequência de Knox, que propõe 53/54. O teólogo Fábbio Xavier, em seu artigo Conhecendo os Romanos de Roma, deixa claro que a carta pode ter sido redigida por volta de 55 e 56.

Obs: Segundo o comentarista das lições Bíblicas do 2º  trimestre 1998, Pr. Ezequias Soares, o livro de romanos é o que tem mais títulos dentre outros da bíblia, a saber: Evangelho segundo Paulo, Evangelho do Cristo ressurreto, Tratado Teológico Paulino, Mais puro Evangelho, principal das Epístolas Paulinas, etc.

Roma a cidade capital do Império Romano.

O prestígio de Roma como capital era sem limites. Convergiam para Roma tudo o que se pode imaginar. Para lá chegavam às riquezas obtidas das conquistas Romanas. Era centro cultural, político, social e religioso dos Romanos por excelência.

Paulo encontrou também uma situação que ele presenciara em outras grandes cidades a semelhança de Corinto. Existia além da opulência da riqueza, uma atmosfera moral, contrária à prática do evangelho.

Assim como em Corinto também em Roma existia um verdadeiro catálogo de vícios que o paganismo gerou. Em 57/58 época da carta vivia-se o tempo do Imperador Nero com todas as suas consequências.

Os historiadores calculam que viviam nesta época em Roma cerca de um milhão de pessoas, a grande maioria plebeus e libertos que se sustentavam a custa do estado e um grande número de escravos. Os judeus marcavam sua presença em Roma em grande número em especial ao longo das estradas Romanas dominando o comércio de bens.

ESBOÇO DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS

 1 – Introdução – 1.1-17

Apresentação pessoal, saudação, tema (16-17).

 2 – O problema humano – 1.18 a 3.20.

O pecado, sua universalidade e suas consequências.

3 – A solução divina – A salvação: 3.21 a 5.21.

A origem do pecado e a origem do perdão.

O método da salvação: justificação pela fé no sacrifício de Cristo.

 4 – A santificação – 6 a 8.

Ação do Espírito Santo na vida do salvo.

 5 – A soberania divina – 9 a 11.

Judeus e gentios no plano de Deus.

 6 – O cristianismo prático – 12 a 15.13.

A vida cristã na igreja, na sociedade e nas relações pessoais.

O serviço cristão.

 7 – Conclusão – 15.14 a 16.27.

Assuntos pessoais, admoestações e saudações finais.

 

SINOPSE DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS

O Plano da Salvação

1 – Sua necessidade: fundamentada na culpabilidade universal da humanidade:

A – Dos gentios (1.18; 2.16)

B – Dos judeus (2.17 a 3.20)

C – Todos são pecadores (3.23)

 2 – Seu método: justificação ou justiça pela fé (3.21-28)

A – É universal (3.29-30)

B – Honra a Lei (3.31)

 3 – Ilustrado na vida de Abraão: creu Abraão e isso lhe foi imputado como justiça (cap. 4)

A – Independente das obras (4.1-6)

B – Independente da Lei (9-12)

C – Separado da Lei (13.25)

D –  – Suas bênçãos: se tornam efetivas através do amor de Deus, que é manifestado no sacrifício de Cristo (5.1-11).

E – O alcance: o dom gratuito da salvação alcança todos os homens (5.12-21). (Extraído da Bíblia Thompson –  Bíblia de Estudo de Genebra).

 

ARGUMENTAÇÕES ACERCA DA EPÍSTOLA AOS ROMANOS

Martinho Lutero

Qualificou a carta de Paulo aos romanos como a “mais importante peça do Novo Testamento. É o mais puro Evangelho. Vale a pena para um Cristão não somente memorizar palavra por palavra, mas também ocupar-se com ela diariamente, como se fosse o pão diário da alma”. Romanos têm estado na vanguarda de vários movimentos importantes no protestantismo.

As palestras de Martinho Lutero sobre Romanos em 1515-1516, provavelmente coincidiram com o desenvolvimento de sua crítica ao Catolicismo que levou às 95 Teses de 1517.

Em 1738, na audiência do “Prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos” lido na Igreja de St. Botolph em Aldersgate Street, Londres, John Wesley disse que sentiu seu coração “estranhamente aquecido”, uma experiência de conversão, que é muitas vezes vista como o início de Metodismo. (Wikipédia, a enciclopédia livre 30/03/2016).

Calvino

Escreveu “que entre as muitas e notáveis virtudes, a Epístola possui uma em particular, a qual nunca é suficientemente apreciada, a saber: se porventura conseguirmos atingir a genuína compreensão desta Epístola, teremos aberto uma amplíssima porta de acesso aos mais profundos tesouros da Escritura”.

João Crisóstomo

O maior pregador do século V, pedia que Romanos fosse lido em alta voz uma vez por semana. Agostinho, Lutero e Wesley, três figuras extremamente importantes para a nossa herança cristã, viveram a firmeza da fé através do impacto da carta aos Romanos em suas vidas.

Todos os reformadores da igreja viam Romanos como sendo a chave divina para o entendimento de toda a Escritura. Porque aqui Paulo une todos os grandes temas da Bíblia: Pecado, Lei, julgamento, destino humano, fé, obras, graça de Deus, justificação, eleição, o plano de salvação, a obra de Cristo e do Espírito Santo, a esperança cristã, a natureza e vida da igreja, o lugar do judeu e do gentio nos propósitos de Deus, a filosofia da igreja e a história do mundo, a mensagem do Antigo Testamento, os deveres da cidadania cristã e os princípios de retidão e moralidade pessoal.

Romanos nos abre uma perspectiva através da qual a paisagem completa da Bíblia pode ser vista e a revelação de como as partes se encaixam no todo se torna clara.

(http://www.santovivo.net/gpage217.aspx).

 

A POSIÇÃO E ELEIÇÃO DE ISRAEL COMO NAÇÃO

Até aqui foi revelado o plano divino da salvação pela fé. Agora ele se dirige especificamente aos judeus. Várias perguntas são propostas, tais como: “se os judeus foram rejeitados como nação, que será das promessas do Velho Testamento?”; “Se Israel é o povo escolhido de Deus e que recebeu Sua Palavra, as alianças e a Lei, por que rejeitou como nação o seu Messias?”; “Será Israel restaurado ainda?”.

Posição (9.1-5)

O primeiro problema tratado por Paulo é o da resistência de Israel ao Evangelho. A tristeza do apóstolo por eles leva-o a desejar sacrificar sua própria vida, se isso de alguma maneira pudesse contribuir para a salvação de seu povo.

Eleição (9.6-13)

Temos aqui uma ilustração da soberania de Deus para escolher quem Ele quiser. A ilustração para demonstrar essa soberania é a escolha de Jacó em detrimento de Esaú. A distinção entre os descendentes naturais de Abraão e os espirituais.

“Pois nem todos os descendentes de Israel são Israel” (v.6). Paulo não está negando a eleição de todo Israel (como nação), mas declara que dentro de Israel há uma separação entre o Israel que aceitou o Messias e o Israel que não aceitou. A descendência física não é nenhuma garantia de inclusão na família de Deus.

Deus é Soberanos (9.13-21)

“Amei a Jacó, mas odiei a Esaú”. Paulo está claramente lidando com a eleição individual, não nacional. A intenção de Paulo fica evidente, tendo em vista o problema com o qual está lidando: como pode a promessa de Deus continuar firme quando tantos dos que integram Israel são incrédulos e, por isso, eliminados da aliança? Deus é injusto? Injusto ao eleger, com base em sua soberania, como no caso de Jacó e de Esaú?

Não houve injustiça da parte de Deus em escolher Isaque e Jacó em detrimento de Ismael e Esaú. Ao mostrar o direito soberano de Deus na escolha, Paulo relembra o que Deus falou a Moisés “Terei misericórdia de quem Eu quiser ter misericórdia e terei compaixão de quem Eu quiser ter compaixão” (Ex 33.19).

Este versículo é uma declaração incontestável da soberania de Deus. Ele é livre e age sempre de forma justa com sua criação, conforme sua vontade. Como Deus agiu com Faraó, alguns interpretam que o rei do Egito foi predestinado para a perdição, pois ele teve o coração endurecido por Deus (Ex 8.15-23).

Deus não é um juiz que age sem misericórdia, pois Paulo em última análise apresenta como motivo da rejeição de Israel a sua incredulidade (v. 30-32).

Alguém ainda pode dizer: “Se Deus determinou quem terá ou não o coração endurecido, como pode culpar alguém por endurecer o coração? ”. Paulo responde: “Quem é você, ó homem para questionar a Deus? ” (v.20).

Paulo não está silenciando a todas as perguntas que os homens querem fazer a Deus, mas fala da atitude impenitente de desafio a Deus, os quais querem que Ele preste contas à raça humana por seus atos, difamando assim o caráter do Criador, ao questioná-lo.

Os Gentios foram enxertados (11.17-24)

Para haver o enxerto é preciso que se faça um corte na planta. A poda de alguns ramos, que eram os judeus que não aceitaram o Messias, abriu brechas na Oliveira para que os gentios fossem enxertados. Uma vez enxertados somos participantes da seiva.

Mas não pense que você foi enxertado por seus méritos, cuidado! Se os ramos originais foram cortados por causa de sua incredulidade, então devemos a cada dia com humildade reconhecer que somos dependentes da misericórdia de Deus. A raiz da Oliveira representa os Patriarcas. A Oliveira inteira representa o povo de Deus.

Israel será salvo (11.25-32)

Chegando a plenitude dos tempos, Israel será vivificado e restaurado. Deus se voltará para Israel por causa da Sua fidelidade ao pacto feito com os patriarcas. A cegueira dos judeus chegará ao fim com a vinda do libertador de Israel, ou seja, Israel reconhecerá Jesus como o seu Messias.

 

A PRÁTICA CRISTÃ

Capítulo 12

Este capítulo apresenta um dos melhores resumos dos deveríeis cristãos encontrados na Escritura. Paulo detém-se nos pormenores para demonstrar que Jesus Cristo é o Senhor de todas as áreas da vida do crente.

Toda epístola procura demonstrar que Deus exige nossa atuação como cristãos fazendo a diferença no mundo de pecado, bem como nossa fé demonstrada na obediência.

O Poder concedido por Deus a cada crente para cumprir vários ministérios na Igreja, não pode ser motivo para alguém tomar atitudes de superioridade ou de justiça aos próprios olhos. Paulo assemelha os cristãos aos membros do corpo humano.

Há muitos membros e cada um tem uma função, mas todos são necessários para a saúde do corpo. Isso ensina que para Deus não há “queridinhos”, todos são importantes. Se cada um respeitar a importância do outro, naturalmente a unidade da Igreja de Deus será mantida.

Os cristãos têm responsabilidades sociais para com todas as pessoas, mais ainda para com os outros de sua congregação (v. 13). (www.santovivo.net/gpage217.aspx)

 

CONCLUSÃO

Vimos, também nesta carta (A Epístola aos Romanos), que Paulo não se esqueceu de alertar a Igreja sobre os que causam divisões e colocam dificuldades no caminho do evangelho.

Era muito comum aparecerem nas igrejas pessoas que se diziam irmãos, mas na verdade traziam ensinos espúrios e deturpações do ensino dos apóstolos. O apóstolo encerra a carta com um hino de louvor a Deus.

 

Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC. Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB). Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama). Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI). Conferencista, Seminarista, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba.

 

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