O Sacerdócio Celestial

O sacerdócio Celestial

O Sacerdócio Celestial

Os sacerdotes humanos eram cobertos de fraquezas e defeitos e, por isso, pouco podiam fazer pelos homens.

Todavia, Jesus, como Sumo Sacerdote, era de uma ordem superior e perfeita e, por conta disso, capaz de condoer-se e socorrer os que a Ele recorrem. “Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão” (Hb 4.14).

Texto Bíblico (Hebreus 9.11-15; Apocalipse 21.1-4)

Ilustrações da Igreja que a ligam ao Sacerdócio Celestial de Cristo

1 – A assembleia dos cidadãos.

A Septuaginta emprega o mesmo termo ekklesía para traduzir o hebraico qahal, “assembleia, multidão humana reunida”, em referência à congregação de Israel (Dt 23.2; 31.30; 2Cr 6.3), e para verter mais quatro palavras menos frequentes no Antigo Testamento.

Esse era o mesmo vocábulo para a assembleia dos cidadãos em Atenas.

Mas o termo aparece no Novo Testamento com um significado glorioso: “Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus” (Ef 2.19) e “universal assembleia e igreja dos primogênitos” (Hb 12.23).

Essas palavras expressam um tom de uma celebração jubilosa, de uma reunião festiva com todos os remidos como cidadãos da comunidade celestial (Ap 5.11-13).

2 – O significado da expressão “Santa Igreja Católica”.

Essas palavras aparecem nos principais credos da antiguidade cristã. O termo katholikós, “universal, geral”, significa literalmente “de acordo com o todo”, pois é substantivo composto por katá e de holos.

A preposição grega katá significa “de cima para baixo, contra, ao longo de, conforme, de acordo, segundo”, e a palavra holos quer dizer “todo, inteiro, completo”.

Foi Inácio, bispo de Antioquia (70-110), que empregou o termo para designar a igreja com o sentido de “geral, universal”. Mas o significado exato do termo se perdeu com o tempo.

3 – A adoração.

Os crentes em Jesus se reúnem para a adoração pública e coletiva. Os dois principais verbos gregos para “adorar”, no Novo Testamento, são proskyneo, que significa “adorar, render homenagem”, no sentido de prostrar-se (Ap 19.10), e latreuo, que significa “servir” a Deus (Ap 22.3).

À luz da Bíblia, podemos definir adoração como serviço sagrado, culto ou reverência a Deus por suas obras (Sl 92.1-5) e por aquilo que Deus é (Sl 100.1-4). Não há diferença entre “servir” e “adorar” nem entre “prostrar-se” e “adorar”.

Os principais elementos de um culto são: oração, louvor, leitura bíblica, pregação ou testemunho, oferta e manifestação dos dons do Espírito Santo (1Co 14.26).

4 –  A família de Deus.

Não devemos confundir igreja com templo; a casa de Deus é outra coisa. Há passagens no Novo Testamento em que o termo “casa” parece se referir à igreja: “para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo” (1Tm 3.15); “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo” (1Pe 2.5); “já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus” (1Pe 4.17).

O termo “casa” também é utilizado na Bíblia metaforicamente para designar “família” (Js 24.15; At 16.31). A Igreja é citada como a família de Deus (Ef 2.19) e o templo espiritual de Deus (1Co 3.16; Ef 2.22). É por isso que chamamos de irmãos aqueles que se convertem ao Senhor Jesus.

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5 – A morada de Deus.

Quando Saulo de Tarso se encontrou com Jesus no caminho de Damasco, ele ouviu a voz que dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (At 9.4).

Saulo perseguia os discípulos de Jesus, mas o Senhor se identificou com eles. Ao apóstolo foi revelado que a Igreja é o corpo espiritual de Cristo, sendo o Senhor mesmo a cabeça (Ef 1.22,23; Cl 1.18), e seus membros são o templo de Deus, a habitação do Espírito Santo (1Co 3.16); em outras palavras, a morada de Deus no Espírito (Ef 2.22).

O tabernáculo e o Templo de Jerusalém representavam a presença de Deus (Êx 40.34; 2Cr 7.2,16). O salmista diz: “SENHOR, eu tenho amado a habitação da tua casa e o lugar onde permanece a tua glória” (Sl 26.8). Não existe mais o Templo de Jerusalém, mas Deus habita no cristão individual (Jo 14.23; 1Co 6.19).

Obs.: “A fim de enfatizar e visualizar a relação viva dos crentes com o Cristo, a Bíblia o apresenta como o ‘cabeça’ da Igreja, e a Igreja como seu ‘corpo’ (1Co 12.27; Ef 1.22,23; Cl 1.18). Há várias razões para esta analogia.

A igreja é a manifestação física — visível — de Cristo no mundo, a fazer seu trabalho, tal como chamar os pecadores ao arrependimento, proclamando a verdade de Deus às nações e preparando-se para as eras vindouras.

A Igreja também é um corpo, composta de um arranjo complexo de diversas partes, cada qual discreta, cada qual recebendo do Cabeça, cada qual com seus próprios dons e ministérios, contudo, todos necessários à obra de Deus por vir (Rm 12.4-8; 1Co 6.15; 10.16,17; 12.12-27; Ef 4.15,16). (MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa . 1ª Edição. RJ: CPAD, 1995, pp.134-35).

6 – O corpo de Cristo

Com essa expressão o autor sacro refere-se ao fato de que se Cristo é o cabeça da Igreja, nós, seus servos, somos o corpo que obedece solenemente a cabeça: “Regozijo-me, agora, no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja” (Cl 1.24).

7 – O templo de Deus

Essa expressão mostra que um templo, ou santuário, é o lugar em que Deus é cultuado e habita em toda a parte. Assim como o Senhor morou no tabernáculo no deserto, Deus agora vive, por seu Espírito, na Igreja (Ef 2.21,22; 1Co 3.16,17).

8 – A noiva de Cristo

a expressão é usada como uma ilustração para contar a união e a comunhão de Deus com o seu povo (Ef 5.25-27; Ap 22.17). Com Deus tratava a nação de Israel como sua esposa, o apóstolo Paulo apresenta o noivo, Jesus Cristo, em pleno cuidado com a sua noiva, a Igreja.

Essas expressões são imagens ou figuras de linguagem, recursos linguísticos adotados pelos santos escritores, a fim de nos ajudar na aquisição da revelação de Deus para o ser humano por intermédio de Sua Palavra. Por isso, o seu uso não deve ser forçado ou exagerado.

Diante do exposto, concluímos que Deus estabeleceu a sua morada, primeiramente no tabernáculo e depois no Templo, ambos consagrados a Ele, e que da mesma forma o Espírito Santo também estabeleceu a sua habitação no corpo do cristão individual.

Entre gentios e judeus, o Senhor Jesus formou um novo povo (1Co 10.32), de modo que o gentio deixa de ser gentio quando se converte ao evangelho de Jesus Cristo (1Co 12.2; Ef 2.11). (Adaptação) Lições Bíblicas CPAD Adultos – 3º Trimestre de 2017 – Título: A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos – Comentarista: Esequias Soares – Lição 8: A Igreja de Cristo – Data: 20 de Agosto de 2017

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Razões pelas quais identifica-se Jesus Cristo como Sacerdócio Celestial da Igreja

I – Quanto ao aspecto de sua tipologia

Um sacerdócio com realeza.

O autor sacro destaca que Melquisedeque era um sacerdote-rei. Como sacerdote, recebeu dízimos de Abraão e como rei governava sobre Salém (Hb 7.2).

Embora os reis tivessem alguma participação no culto da Antiga Aliança (2Sm 6.12-14; 1Rs 3.4,15; 9.25), todavia, a função sacerdotal levítica, de oferecer sacrifícios e representar o povo diante de Deus, cabia somente aos sacerdotes (1Sm 13.9,13; 2Cr 26.16-18). Eles não eram reis.

A ordem do sacerdócio levítico não previa a existência de um sacerdote-rei. A existência de um sacerdote-rei, portanto, no contexto bíblico só poderia acontecer se este fosse de outra ordem.

Jesus, que era da tribo de Judá, é levantado por Deus como sumo sacerdote segundo essa nova ordem, da qual Melquisedeque é o tipo (Sl 110.4).

Um sacerdócio firmado na justiça.

Mostrando a tipologia sobre o sacerdócio de Melquisedeque, o autor destaca que este fora “rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz” (Hb 7.2).

A figura histórica de Melquisedeque como rei de Salém aparece em Gênesis 14.18-20 no contexto da guerra de cinco reis contra quatro no vale do Rei.

O nome Melquisedeque, cujo significado original era “Sedeque é rei”, é interpretado pelo autor de Hebreus como “rei de justiça” (Hb 7.2). É fora de qualquer dúvida que Melquisedeque é um tipo de Jesus, que reinaria com justiça e cujo reinado não teria fim (Is 32.1; Jr 23.5; Lc 1.33).

Um sacerdócio com legitimidade divina.

O versículo três de Hebreus sete — “sem pai, sem mãe, sem genealogia” —, deve ser visto como um contraste entre o sacerdócio levítico e o de Melquisedeque.

O sacerdócio levítico dependia da genealogia para se legitimar. Quem não fosse da tribo de Levi não podia oficiar como sacerdote.

É exatamente isso o que o autor quer mostrar, pois assim como o sacerdócio de Melquisedeque não dependia de genealogia para mostrar sua legitimidade sacerdotal, da mesma forma o sacerdócio de Cristo era também legítimo por pertencer a uma ordem superior, a ordem de Melquisedeque.

II –  Quanto ao aspecto de sua natureza

Um sacerdócio perfeito.

A palavra teleiôsis (perfeição) usada pelo autor em Hebreus 7.11, quer dizer também um “alvo a ser atingido”.

Nesse contexto ela é usada para se referir ao relacionamento com Deus. Nem a Lei nem o sistema sacerdotal do Antigo Testamento puderam resolver o problema da culpa e produzir o perdão que a santidade de Deus exigia.

O autor sacro destaca que o problema do relacionamento do homem com Deus só pode ser resolvido por um sacrifício perfeito, algo que o sistema levítico não tinha possibilidade de realizar.

Um sacerdócio imutável.

O capítulo sete ainda destaca que “mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (Hb 7.12).

O Espírito Santo havia falado por boca de Davi que seria levantado um sumo sacerdote de outra ordem, a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4).

Se uma nova ordem se instauraria, consequentemente a antiga passaria. Essa profecia quando cumprida, necessariamente, tornava obsoleta a lei mosaica e o sacerdócio levítico, demonstrando dessa forma o seu caráter transitório. Somente o sacerdócio de Jesus seria imutável e de caráter não transitório.

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Um sacerdócio eterno.

Assim, o sacerdócio de Cristo “não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude da vida incorruptível” (Hb 7.16).

A expressão “vida incorruptível” é uma referência a ressurreição de Jesus e seu triunfo sobre a morte, demonstrando assim o caráter eterno do seu sacerdócio.

Cristo não era sacerdote por uma imposição humana ou mandamento carnal, mas por atribuição divina. Como diz o versículo 17: “Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7.17).

Obs.: Sacerdócio Perpétuo – “O escritor se vale de um argumento tipicamente rabínico baseado no fato de que nem o nascimento nem a morte de Melquisedeque constam dos registros bíblicos.

Assim, de acordo com a Escritura, ele é uma figura perpétua, um símbolo apropriado de Jesus a quem, devido a sua vida eterna, permanece como um sacerdote perpetuamente”. Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, de Lawrence O. Richards, CPAD, p.861.

III – Quanto ao aspecto de seus atributos

Um sacerdócio santo.

Santidade é um dos atributos de Deus (Is 6.3). Em outro ponto da carta aos Hebreus, o autor sagrado afirma que sem “a santificação, […] ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Esta era uma das exigências da lei mosaica: que o sumo sacerdote não apresentasse nenhum defeito, inclusive físico (Lv 21.16-23).

Assim, devido à condição humana, não apenas os sacerdotes não eram perfeitos, mas todo sistema sacerdotal levítico era imperfeito. Somente Cristo podia atender as exigências de um sacerdócio inteiramente santo e perfeito (Hb 7.26).

Um sacerdócio inculpável.

Vimos que Jesus cumpriu todas as exigências de uma vida santa requerida para o sumo sacerdote. Mas além desse atributo, Ele deveria ser também “inocente” (Hb 7.26).

A palavra akakos, traduzida aqui como “inocente”, significa também “sem maldade” e é descrita pelos lexicógrafos como ausência de tudo o que é ruim e errado.

O apóstolo Pedro afirmou sobre Jesus que Este “não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1Pe 2.22). Não havia culpa nem imperfeição no sacerdócio de Cristo Jesus.

Um sacerdócio imaculado.

O autor sacro usa o termo amiantos (Hb 7.26), para dizer que Jesus é um sacerdote sem “mácula”.

Essa palavra, que também tem o sentido de “sem manchas”, era usada no contexto bíblico para se referir tanto a pureza ritual como ética. Foi a essa vida santa, no seu sentido ético, e não apenas ritual, que o autor alude para retratar o Senhor como “separado dos pecadores”.

O Filho de Deus assumiu a condição humana e se fez pecado pelos homens (2Co 5.21), mas sem pecar. Cristo é o sacerdote imaculado e sem manchas. Adaptado) – Lições Bíblicas CPAD – Adultos – 1º Trimestre de 2018 – Título: A supremacia da Cristo – Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus – Comentarista: José Gonçalves – Lição 7: Jesus — Sumo Sacerdote de uma Ordem superior – Data: 18 de Fevereiro de 2018

Conclusão

Vimos que a Bíblia  apresenta as qualificações que eram exigidas para um sacerdote e depois, também apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote perfeito.

O Filho de Deus viveu toda a nossa condição humana e, como sacerdote perfeito, está habilitado para interceder por nós. Por isso o seu sacerdócio não é e nem pode ser humano ou terrestre, mas sim, CELESTIAL, isto é, vindo do Céu! ALELUIA!

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