Paz de Deus antídoto contra as inimizades

Paz de Deus Antídoto contra as inimizades

Paz de Deus antídoto contra as inimizades

 

Para realizar a missão de anunciar o Reino de Deus aos povos, o crente precisa viver em paz, uns com os outros.

 

Neste artigo você estudará sobre:

1. O vínculo da paz, fruto do Espírito

2. Inimizades, obras da carne

3. Paz, fruto do Espírito

4. Argumentação Ilustrativa

Bons estudos!

 

TEXTO BÍBLICO

(Efésios 2.11-17).

11 Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens;

12 Que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

13 Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto.

14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio,

15 Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,

16 E pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.

17 E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto;

 

O VÍNCULO DA PAZ – FRUTO DO ESPÍRITO

1 – Cristo, nossa paz, forma o novo homem

Ao sintetizar tudo o que Deus fez na salvação por intermédio de Cristo, Paulo diz que Cristo é a fonte da nossa paz (2.14-18).

No contexto de Efésios, isso não quer dizer que Cristo seja a fonte da paz interior, mas que Ele é o meio de reconciliação entre judeus e gentios e entre os membros da nova comunidade e Deus.

O objetivo da salvação não é apenas fazer com que os indivíduos estejam corretos diante de Deus, mas também que estejam corretos uns com os outros.

À medida que Deus, por intermédio de Cristo, une judeus e gentios, a reconciliação opera de forma triangular entre os três.

Judeus e gentios, quando entram na nova comunidade, não deixam de ser quem eram; todavia, agora, eles podem atuar juntos, lado a lado, como evidência do amor transformador e conciliador de Deus (1Co 7.17-24; Rm 14—15).

Essa obra de reconciliação é o fundamento para a nova comunidade que Deus está edificando por intermédio de Cristo, Por isso, ao longo de Efésios 2.11-22, o termo dominante e repetido é o prefixo syn (‘juntos’).

Deus formou uma nova unidade, na qual se diz que Ele de dois criou ‘um novo homem'” (ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p.347). Leia mais sobre o propósito do fruto do Espírito.

2 – A Justificação pela fé em Cristo, gera a paz

Há uma transformação na vida do pecador quando passa a ser um crente verdadeiro, não importando o que tenha sido anteriormente.

Sendo justificado pela fé, tem paz com Deus. O Deus santo e justo não pode estar em paz com um pecador enquanto este estiver sob a culpa do pecado.

A justificação elimina a culpa, e assim abre caminho para a paz. Esta é concedida por meio de nosso Senhor Jesus; por meio dELe como o grande Pacificador, e Mediador entre Deus e o homem.

O feliz estado dos santos é o estado de graça. Somos levados a esta graça. Isto significa que não nascemos neste estado.” Para conhecer mais, leia Comentário Bíblico de Matthew Henry, CPAD, p. 929.

3 – A unidade ao redor da pessoa de Jesus Cristo deve ser mantida

Por que são tão prejudiciais as murmurações e as contendas, as queixas e as discussões? Se tudo o que uma pessoa conhece a respeito de urna igreja é o fato de que os seus membros discutem, reclamam e fazem intrigas constante mente, ela terá uma falsa impressão do Evangelho de Cristo.

A crença em Cristo deve unir os que confiam nEle. Se as pessoas na nossa igreja estão sempre reclamando e discutindo, elas não têm o poder unificador de Jesus Cristo.

Deixe de discutir com outros cristãos, ou de se queixar sobre as pessoas e as condições na igreja, e permita que o mundo veja Cristo (Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.260).

4 – A Paz que Une

(Salmos 133.1-3). Davi declarou que a união é agradável e preciosa. Infelizmente, a união que deveria ser encontrada na Igreja nem sempre o é.

As pessoas discordam e causam divisões por causa de assuntos sem importância. Alguns sentem prazer em causar tensão, depreciando e desacreditando os outros. A união é importante porque:

(A) faz da igreja um exemplo para o mundo e ajuda a aproximar as pessoas do Senhor;

(B) ajuda-nos a cooperar conforme a vontade de Deus, antecipando um pouco do gozo que teremos no céu;

(C) renova e revigora o ministério, porque existe menos tensão para extrair a nossa energia.

Viver em união não significa que concordaremos com tudo; haverá muitas opiniões, da mesma maneira que existem muitas notas em um acorde musical.

Mas devemos concordar em nosso propósito na vida; trabalhar juntos para Deus. A união reflete a nossa concordância de propósitos” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.822).

 

INIMIZADES – OBRAS DA CARNE

“Inimizades” (gr. echthra), i.e., intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas. A convivência em sociedade nunca foi fácil e nunca será. O comportamento humano sempre foi pautado por traições, mesquinharias, enganos, tropeços…

O ser humano é extremamente melindroso, e se ofende, e se sente ameaçado por pouca coisa, ás vezes por quase nada. Algumas vezes por nada.

A já comentada insegurança da alma do ser humano, as vezes o leva a tangenciar a paranóia, fazendo-o pensar que há pessoas que querem prejudicá-las, afligi-las, machucá-las, atingi-las, roubá-las, matá-las.

Assim, as vezes, uma falta de cumprimento, é suficiente para desencadear um processo que pode acarretar rompimento de relacionamentos.

Nossos olhos são a janela de nossa alma, e o que vemos depende de nosso estado de espírito, do que somos e das circunstâncias em que ocorrem os fatos.

Nós filtramos, interpretamos o que vemos, e as vezes, chegamos a conclusões totalmente erradas.

Construamos toda uma situação de maldade, toda uma cadeia de intrigas, toda uma fundamentação e o conluio de pessoas que se unem para nos prejudicar, nos ludibriar, que as vezes não corresponde a realidade dos fatos. Vemos intenções que somente existem na nossa imaginação.

Por que estou falando sobre isto?

Porque “inimizade” é um conceito ativo, não um conceito passivo. Isto é, no mais das vezes, não são as pessoas que se declaram nossas não-amigas.

Lógico que há situações em que não tem como deixarmos de reconhecer inimigas porque elas assim se declaram e praticam atos de inimizades. Mas, no mais das vezes, nós é que “sentimos” que as pessoas são ou se tornaram nossas inimigas.

Por um motivo ou outro de menos importância, passamos a antipatizar com algumas pessoas. A acreditar que elas tem algo contra nós, e que, assim, não querem o nosso bem… ou, pelo menos, não se interessam com o nosso bem-estar.

Há que se diferenciar quem são efetivamente, nossos inimigos, e quem são aqueles que consideramos, elegemos, como nossos inimigos.

Quando as pessoas em nossa volta deliberada e intencionalmente querem nos prejudicar e fazem coisas no intuito de nos acrescentar dores e aflições, inegável que são nossas inimigas, e que por isso mesmo devemos amá-las (Mt. 6:44).

A operação da carne

A carne opera quando, seguindo nossa essência má e egoísta, consideramos, elegemos nossos irmãos como inimigos, e procuramos nos afastar deles, deixamos de nos preocupar com elas. E chegamos até a sentir uma ponta de satisfação se eles passarem por dores e aflições.

Inimizade é obra da carne. Você tem sido amigo(a) de teus irmãos? As pessoas da igreja são tuas amigas? As pessoas da igreja tem a ti como amigo(a)? Existem três sentimentos que podemos sentir em relação as pessoas que estão nas igrejas: amor, ódio e indiferença.

De longe, é possível concluir que o sentimento mais comum e a indiferença. Tanto faz como tanto fez se as pessoas estão na igreja ou não. Indiferença é uma forma da inimizade de que fala a Bíblia… Temos que amar, e sermos amigos das pessoas que estão na igreja.

Não importa se elas se importam conosco ou não, se nos amam ou não. Nós temos que amá-las, e ajudá-las, e nos importarmos com ela. O que foge disto não é amor.

Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. (Mt.22:37-39). Mais sobre o perigo das obras da carne.

 

PAZ – FRUTO DO ESPÍRITO

“Paz” (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).

A Paz (do latim Pax) é geralmente definida como um estado de calma ou tranquilidade, uma ausência de perturbações e agitação. Derivada do latim Pacem = Absentia Belli, pode referir-se à ausência de violência ou guerra.

Neste sentido, a paz entre nações e dentro delas, é o objetivo assumido de muitas organizações, designadamente a ONU.

No plano pessoal, paz designa um estado de espírito isento de ira, de desconfiança e – de um modo geral – de todos os sentimentos negativos.

Assim, ela é desejada por cada pessoa para si próprio e, eventualmente, para os outros, ao ponto de se ter tornado uma frequente saudação (que a paz esteja contigo) e um objetivo de vida.

A paz é mundialmente representada pelo pombo e pela bandeira branca. Paz também é um estado de espírito, onde o ser se encontra equilibrado e sereno, com isso, encontrando a sua total paz interior. Paz de Deus antídoto contra as inimizades.

Paz

Trata-se de uma qualidade espiritual produzida pela reconciliação, pelo perdão dos pecados e pela conversão da alma transformada segundo a imagem de Cristo (Rm 12.18). Leia Rm 5.1.

A queda do homem no pecado destruiu a paz com Deus, com outros homens, com o próprio ser, com a própria consciência. Foi por meio da instrumentalidade da cruz que Deus estabeleceu a paz (Cl 1.20).

O crente vive no meio da violência que gera insegurança e medo nas pessoas, mas essa virtude do Espírito lhe concede tranquilidade e confiança.

De acordo com a cultura grega primitiva, a paz ou eirēnē, como chamavam, era a completa ausência de guerra, ou o tempo decorrido entre o fim de uma guerra e o início de outra.

Os gregos costumavam também qualificar como paz o estado de serenidade diante da contemplação do Belo.

Conceito religioso e cristão

O conceito religioso expresso pelo termo hebraico shālôm e pelo sentido cristão de eirēnē ultrapassa a concepção que a palavra paz possa ter em qualquer língua: “O Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Nm 6.26); “Porque ele [Cristo] é a nossa paz” (Ef 2.14a).

A paz segundo os dois Testamentos é obtida mediante a bênção ou favor divino. Em Números, o “rosto” de Deus é um hebraísmo que significa “seu favor” e “sua presença”, assim sendo, a paz procede do favor e da presença de Deus entre o seu povo.

Em Efésios, a paz não se restringe apenas a um resultado da mercê de Deus para com seu povo, mas abrange também sua graça encarnada na pessoa de Cristo.

Isto possibilita a reconciliação do homem com Deus (paz com Deus), a fim de que se adquira a paz de Deus por meio desse relacionamento.

Jesus, a nossa paz (eirēnē), é o reconciliador celestial que destruiu a inimizade e a barreira que nos separavam das promessas divinas e do próprio Deus (Ef 2.11-22), Paz de Deus antídoto contra as inimizades. 

 

ARGUMENTAÇÃO ILUSTRATIVA

1 –  Exemplos do Antigo Testamento.

a) Abraão era um homem que amava a paz. Gênesis 13 narra a disputa que ocorreu entre os pastores de Abraão e os de Ló, porque não havia bastante terra para todos os seus rebanhos e tendas.

Para evitar a desarmonia, Abraão pôs de lado seus direitos como padrasto e tio, e permitiu que Ló escolhesse a propriedade que quisesse.

Como se verificou, Abraão se beneficiou da escolha de Ló, e este sofreu como resultado da carnal opção que fez.

Quem está disposto a abrir mão de seus direitos para ser pacificador, está seguindo o princípio ilustrado por Abraão, e esta atitude resulta em bênção para nós.

b) Isaque é mais um exemplo de alguém que se empenhou pela paz. O capítulo 26 de Gênesis narra que depois da morte de Abraão, Isaque reabriu os poços que seu pai cavara, os quais seus inimigos fecharam enchendo-os de terra.

Os servos de Isaque abriram outro poço, mas seus adversários contestaram. Abriram um segundo poço, e os opositores reclamaram novamente. Então Isaque simplesmente saiu dali e cavou um terceiro poço. Desta vez, os inimigos não se opuseram, mas o deixaram em paz.

Pouco depois, Deus apareceu a Isaque e renovou suas promessas com ele. Isaque aprendeu que ter paz e viver em paz é mais importante do que fazer as coisas do modo que queremos.

c) Daniel, o profeta, foi lançado na cova dos leões, mas pôde dormir profundamente a noite toda, sem medo, porque confiou em Deus.

Daniel aprendera que se ele confiasse em Deus em todas as circunstâncias, ele teria paz. O Salmo 91.15 dá-nos esta garantia, quando estamos em dificuldades: “Estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei”.

Se reivindicarmos esta promessa, poderemos ter a paz que Daniel teve mesmo em tempos de intenso sofrimento ou dificuldade.

2 –  Exemplos do Novo Testamento.

a) Nosso Senhor Jesus é chamado o “Príncipe da Paz” (Is 9.6) e o “Cordeiro de Deus” (Jo 1.29). O cordeiro ilustra um quadro de paz. Jesus é o Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo (Ap 13.8).

A primeira mensagem pregada depois que Jesus nasceu foi de paz (Lc 2.14). Quando Jesus enviou os primeiros pregadores, ele os orientou a pregar a paz (Lc 10.5).

O próprio Jesus é a nossa paz, e ele pregou a paz (Ef 2.14,17). Jesus pela cruz fez-se mediador entre Deus e os homens, fazendo a paz (1Tm 2.5). É, pois, inadmissível um crente brigão.

b) A igreja primitiva ilustra que o crescimento é um dos resultados da paz. É verdade que a igreja mais cresce em tempos de aflição; tempos de bonança vigiada oferecem oportunidade de recuperação de forças e expansão.

A igreja primitiva fez bom uso dos tempos de tranquilidade e paz (At 9.31). Reinando a paz no rebanho, ela compõe e reforça a comunhão, criando um laço indissolúvel entre os crentes.

c) As sete igrejas na Ásia foram saudadas com a expressão “Graça e paz” dirigida a todos os fiéis dessas igrejas (Ap 1.4).

Graça e paz são qualidades básicas para a igreja: graça é a boa vontade do Pai para conosco e sua boa obra em nós; paz é a prova ou certeza de que esta graça foi dada. Não há verdadeira paz sem a graça de Deus, e onde há graça de Deus, a sua paz se segue.

 

CONCLUSÃO

Deixemos a inimizade de lado, que só nos afasta de Deus e produzamos o fruto da união e que alivia o nosso interior.

Quando falamos de paz como fruto do Espírito, não estamos aludindo ao alívio momentâneo proporcionado em momentos de silêncio ao lado de um lago na montanha, ou à beira-mar, ou em outro lugar tranquilo.

Não estamos falando sobre a distração das diversões, que por pouco tempo tiram nosso pensamento dos problemas.

Não temos em mente a paz oferecida no consultório de um psicólogo ou em tranquilizantes e drogas. Estamos nos referindo à paz que se desenvolve em nosso interior quando temos o Espírito Santo habitando em nós. Paz de Deus antídoto contra as inimizades.

 

Referências

– Bíblia do Pregador Pentecostal (ARC)

– Bíblia de Estudo Palavra Chave (ARC)

– Apontamentos Teológico do Autor

– Dicionário da Língua Portuguesa Online

– Lições Bíblicas CPAD – Jovens e Adultos – 1º Trimestre de 2005 – Título: O Fruto do Espírito — A plenitude de Cristo na vida do crente – Comentarista: Antonio Gilberto

 

Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC. Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB). Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama). Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI). Conferencista, Seminarista, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba.

 

 

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