O Perigo das Obras da Carne na vida do Cristão

O perigo das obras da carne

O PERIGO DAS OBRAS DA CARNE

 

O perigo das obras da carne é constante na vida do cristão. Para vivermos protegidos contra o pecado é necessário estarmos cheios do Espírito Santo e lavados pelo sangue de Jesus.

Apesar de recebermos uma  nova condição que desfrutamos a partir do novo nascimento (Jo 3.3-8; Gl 3.2; 4.29), ainda que perdoados, purificados e habitados pelo Espírito Santo, não deixamos de hospedar, dentro de nós, uma fera chamada “carne”.

Devemos estar atentos a esses perigos, para que pequenos ou grandes males não venham tirar a nossa comunhão com Cristo.

 

Neste artigo você estudará sobre:

1. O mundanismo interior

2. A manifestação da carne

3. Obras da Carne

4. O conflito entre Carne e Espírito

Bons estudos!

 

TEXTO BÍBLICO

(Lucas 6.39 – 49)

39 E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova?

40 O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.

41 E por que atentas tu no argueiro que está no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?

42 Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.

43 Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.

44 Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.

45 O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca.

46 E por que me chamais, SENHOR, Senhor, e não fazeis o que eu digo?

47 Qualquer que vem a mim e ouve as minhas palavras, e as observa, eu vos mostrarei a quem é semelhante:

48 É semelhante ao homem que edificou uma casa, e cavou, e abriu bem fundo, e pôs os alicerces sobre a rocha; e, vindo a enchente, bateu com ímpeto a corrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque estava fundada sobre a rocha.

49 Mas o que ouve e não pratica é semelhante ao homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a corrente, e logo caiu; e foi grande a ruína da casa.

 

ARGUMENTO TEOLÓGICO

Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis (Gálatas 5.16-17).

 

O MUNDANISMO INTERIOR

Algumas pessoas pensam que o mundanismo está limitado ao comportamento exterior — as pessoas com quem nos associamos, os lugares que frequentamos, as atividades que apreciamos.

O mundanismo é também interior, porque começa no coração, e é caracterizado por três atitudes:

(1) a cobiça pelo prazer físico — a preocupação com a satisfação dos desejos físicos;

(2) a cobiça por tudo o que vemos — almejar e acumular coisas, curvando-se ao deus do materialismo; e

(3) o orgulho das nossas posses — obsessão pela condição, posição ou por ser importante. Quando a serpente tentou Eva (Gn 3.6), tentou-a nestes aspectos. Semelhantemente, quando o Diabo tentou Jesus no deserto, estas foram as três áreas de ataque (ver Mt 4-1-11).

Em contraste. Deus estima o autocontrole, um espírito de generosidade, e o compromisso de servir com humildade, É possível dar a impressão de evitar os prazeres mundanos e ao mesmo tempo abrigar atitudes mundanas no coração.

É também possível, como Jesus, amar os pecadores e dedicar-lhe tempo, enquanto mantemos um forte compromisso com os valores do Reino de Deus.

Quais são os valores mais importantes para você? Suas ações refletem os valores de Deus ou os valores do mundo?” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 1783-84). Com Jesus Cristo cuidando dos nossos caminhos o perigo das obras da carne é afastado da sua vida.

A MANIFESTAÇÃO DA CARNE

OBRAS DA CARNE

“Carne” (gr. sarx) é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21).

Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14; ver Gl 5.17 ).

As obras da carne (5.19-21) incluem:

(1) “Prostituição” (gr. pornéia), i.e., imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de quadros, filmes ou publicações pornográficos (cf. Mt 5.32; 19.9; At 15.20,29; 21.25; 1Co 5.1). Os termos moichéia e pornéia são traduzidos por um só em português: prostituição.

(2) “Impureza” (gr. akatharsia), i.e., pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração (Ef 5.3; Cl 3.5).

(3) “Lascívia” (gr. aselgeia), i.e., sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e a decência (2Co 12.21).

(4) “Idolatria” (gr. eidololatria), i.e., a adoração de espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra (Cl 3.5).

(5) “Feitiçarias” (gr. pharmakeia), i.e., espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria (Êx 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23).

(6) “Inimizades” (gr. echthra), i.e., intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.

Conheça mais:

(7) “Porfias” (gr. eris), i.e., brigas, oposição, luta por superioridade (Rm 1.29; 1Co 1.11; 3.3).

(8) “Emulações” (gr. zelos), i.e., ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros (Rm 13.13; 1Co 3.3).

(9) “Iras” (gr. thumos), i.e., ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações violentas (Cl 3.8).

(10) “Pelejas” (gr. eritheia), i.e., ambição egoísta e a cobiça do poder (2Co 12.20; Fp 1.16,17).

(11) “Dissensões” (gr. dichostasia), i.e., introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (Rm 16.17).

(12) “Heresias” (gr. hairesis), i.e., grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja (1Co 11.19).

(13) “Invejas” (gr. fthonos), i.e., antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos.

(14) “Homicídios” (gr. phonos), i.e., matar o próximo por perversidade. A tradução do termo phonos na Bíblia de Almeida está embutida na tradução de methe, a seguir, por tratar-se de práticas conexas.

(15) “Bebedices” (gr. methe), i.e., descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.

(16) “Glutonarias” (gr. komos), i.e., diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.

As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, isto é, não terá salvação (5.21; ver 1Co 6.9 ).

 

OBRAS DA CARNE

Obras da Carne (vv.19-21). As obras da natureza humana caída, embora invisíveis, são conhecidas por todos: “As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas” (Gl 5.19).

Ainda que não exaustiva, o apóstolo relaciona, em uma lista, quinze práticas que demonstram uma vida controlada pelos desejos humanos pecaminosos, conhecidas como obras da carne. Tais obras, segundo o pastor John Stott, abrangem pelo menos quatro áreas da vida humana:

1) área do sexo: imoralidade sexual, impureza e ações indecentes;

2) área da religião: Adoração de ídolos, feitiçarias;

3) área social: inimizades, brigas, ciúmes, acessos de raiva, ambição egoísta, desunião, divisões, invejas; e

4) área da alimentação: bebedeiras e farras.

É bom lembrar que Paulo deixa evidente que aqueles que escolhem viver suas vidas debaixo do domínio da natureza pecaminosa, produzindo suas más obras, recebem uma dura advertência: […] não receberão o Reino de Deus” (v.21).

CARNAL

Esta palavra aparece somente no Novo Testamento, embora o termo ‘carnalmente’ seja encontrado três vezes no Antigo Testamento. ‘Carnal’ aparece no Novo Testamento onze vezes, e ‘carnalmente’ uma vez.

‘Carnal’ significa ‘pertinente à carne’. O substantivo gr. SARX significa basicamente o corpo de um animal ou de uma pessoa, ou a carne de um animal.

No entanto, no Novo Testamento, o termo ‘carnal’ algumas vezes está literalmente relacionado à carne, e algumas vezes à antiga natureza humana corrompida por Adão, que é encontrada em todos os homens.” Para conhecer mais, leia Dicionário Bíblico Wycíïffe, CPAD, p. 379.

 

 O CONFLITO ENTRE CARNE E ESPÍRITO

I – A CARNE DESAGRADA, PORÉM O ESPÍRITO FRUTIFICA

1 – “É o Espírito Santo que produz o fruto espiritual em nós quando nos rendemos sem reservas a Ele.

Isso abrange nosso espírito, alma e corpo e todas as faculdades que os constitui. O crente que quiser mandar na sua vida e fazer a sua vontade para agradar a si próprio pode continuar como cristão.

No entanto, nunca será vitorioso no seu viver em geral, e nem terá jamais, o testemunho do Espírito na sua consciência cristã de que está em tudo agradando a Cristo e fazendo o seu querer. O perigo das obras da carne continua a rodeá-lo.

O fruto do Espírito é o caráter de Cristo produzido em nós para que em nosso viver o demonstremos ao mundo. Caráter este sem , como revelado nos tipos, símbolos, figuras e nas inúmeras profecias messiânicas do Antigo Testamento, e nas diversas passagens do Novo Testamento que tratam do assunto, a começar pelos Evangelhos” (GILBERTO, Antônio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2.ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.15-16).

2 – Simbolismo ilustrado

“Era um costume na Palestina antiga, assim como hoje, plantar figueiras e outras árvores nas vinhas. Era um meio de utilizar cada pedaço disponível de boa terra.

A figueira aqui, como em todo o simbolismo bíblico, refere-se a Israel. […] E foi procurar neta fruto, não o achando. Embora a figueira estivesse na vinha, ela não tinha outro propósito a não ser dar fruto.

Da mesma forma. Israel só tinha uma razão para ocupar o primeiro ou qualquer outro lugar: cumprir a missão que lhe fora dada por Deus.

Visto que a figueira era infrutífera, não teria o direito de existir; e visto que Israel se recusava a cumprir sua missão determinada por Deus, não tinha o direito de continuar” (Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol. 6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 437-38).

3 – O comportamento Cristão

Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne’ (Gl 5.16-18). O motivo de sermos verdadeiramente livres não é o fato do nosso passado ter sido mudado, ou o fato dos nossos sentimentos atuais terem mudado.

Ainda podemos nos sentir inadequados, inseguros, hesitantes, e com medo. Nós somos livres porque Deus nos deu o seu Espírito Santo. Portanto, o perigo das obras da carne não deve ser ignorado.

O Espírito de Deus em nosso interior nos capacita. Liberdade não significa uma vida sem conflitos, significa a possibilidade de viver sem experimentar derrotas! As nossas fraquezas não precisam nos arrastar para baixo, o nosso passado não mais nos incapacita.

O Espírito Santo está ao nosso lado na guerra contra os desejos da nossa natureza pecadora. Nós não olhamos mais para a Lei, e lutamos.

Olhamos para o Espírito Santo, confiamos nEle, e fazemos o que é certo” (RICHARDS, Lawrence 0. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.848).  Leia mais sobre O propósito do Fruto do Espírito.

Carnais e espirituais (Rm 8:5,6).

O apóstolo fala de dois grupos de pessoas os carnais e os espirituais. Cabe a cada crente fazer uma análise introspectiva para verificar se suas inclinações são carnais ou espirituais.

O homem é aquilo que imagina a sua alma (Pv 23.7). E Jesus afirmou que o homem fala daquilo que o seu coração estiver cheio (Lc 6.45). O pensamento do homem norteia o seu comportamento.

Se a mente é carnal, seu comportamento é carnal, resultando em morte; se a mente é espiritual, seu comportamento é espiritual, resultando em vida e paz.

Inclinação da carne (v.7). Isso significa ter mente carnal, vida controlada pela carne. Tal pessoa não está sob o domínio do Espírito. Quem assim vive, não pode agradar a Deus (v.8).

Só conseguiremos agradar a Deus fazendo-lhe a vontade. Mas só o conseguiremos se estivermos sob a direção do Espírito Santo. Atenção, pois o perigo das obras da carne é constante.

 

CONCLUSÃO

Somente pelo e no Espírito somos fortalecidos e podemos vencer a carne. Não abra mão de viver uma vida cheia do Espírito Santo.

Não temos nada a perder, muito pelo contrário, com o Espírito e em sua força somos mais que vencedores. O perigo das obras da carne é constante, vigiemos pois e andemos em Espírito.

 

Referências

– Bíblia do Pregador Pentecostal (ARC)

– Bíblia de Estudo Palavra Chave (ARC)

– Apontamentos Teológico do Autor

– Dicionário da Língua Portuguesa Online

 

Comentário Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Ibotirama-Bahia. Pós-Graduado em Docência do Ensino Superior. Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC. Membro do CEECRE (Conselho Estadual de Educação e Cultura Religiosa da CEADEB). Diretor da ESTEADI (Escola Teológica da Assembleia de Deus em Ibotirama). Presidente do Conselho de Pastores e Líderes Evangélicos de Ibotirama (CONPLEI). Conferencista, Seminarista, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba.

 

 

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