O Sermão do Monte: O caráter do Reino de Deus

O Sermão do Monte o caráter do Reino de Deus

Sermão do Monte: O caráter do Reino de Deus

O Reino de Deus é basicamente o domínio: (“basileia”,(βασιλεία), reino (domínio), o reinado ou a soberania de Deus sobre tudo. A doutrina acerca do Reino de Deus permeia a Bíblia como um todo. Por isso é preciso entender que a expressão “Reino de Deus” traz um conceito bastante amplo, cujo significado e sentido devem ser compreendidos à luz do contexto de toda Escritura.

As profecias acerca do Reino de Deus estão presentes desde o Antigo Testamento. Mas é no Novo Testamento que a mensagem sobre o Reino de Deus se desenvolve de uma forma ainda mais clara, principalmente sendo o tema mais frequente da pregação de Jesus.

 Texto Bíblico (Mateus 5.1-12)

Reino de Deus ou Reino dos Céus?

1º – Algumas pessoas tentam aplicar significados diferentes às designações “Reino de Deus” e “Reino dos Céus”. Mas um estudo bíblico básico sobre o tema mostra claramente que não há qualquer diferença entre essas duas expressões.

– A expressão “Reino dos Céus” aparece trinta e quatro vezes no Evangelho de Mateus; enquanto que a expressão “Reino de Deus” aparece somente cinco vezes. Já os outros três Evangelhos fazem uso frequente da expressão “Reino de Deus”.

– Além disso, em várias passagens que Mateus usa a designação “Reino dos Céus”, os textos paralelos de Marcos, Lucas e João usam a designação “Reino de Deus”. O próprio Mateus usou as duas expressões juntas de forma intercambiável (Mateus 19:23,24). Portanto, as designações “Reino de Deus”, “Reino dos Céus” ou simplesmente “Reino” são sinônimas (cf. Mateus 5:3; Lucas 6:20).

4º – Há uma sugestão muito usada para explicar o motivo pelo qual Mateus usa “Reino dos Céus” em preferência a “Reino de Deus”. Essa explicação diz que Mateus usa a expressão “Reino dos Céus” porque ele era um judeu escrevendo para judeus. Os judeus tinham por costume usar o nome de Deus o menos possível, por tê-lo como muito sagrado. Então Mateus respeitou essa tradição e falou do “Reino dos Céus”.

– Por outro lado, a expressão “Reino dos Céus” talvez não fosse tão inteligível para os gentios quanto “Reino de Deus”. Então pode ser por isso que Marcos, Lucas e João usam essa expressão ao invés de “Reino dos Céus”.

(Adaptação: W. Hendriksen).

As Bem Aventuranças como prosperidade no Reino de Deus

– O ilustre Pastor e PROFESSOR Dr. caramuru descreve: – Na continuidade do estudo deste segundo bloco do trimestre letivo, em que se procura desfazer diversos ensinos distorcidos sobre a prosperidade bíblica à luz das Escrituras, analisaremos o que o Senhor Jesus entende por bem-aventurança, ou seja, por um estado maior que a felicidade.

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– Russell Norman Champlin conceitua as bem-aventuranças como “promessas feitas aos discípulos fiéis do reino dos céus” (Bem-aventuranças. In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.1, p.488). Segundo o mesmo teólogo, “…As bem-aventuranças mostram como seremos abençoados se fizermos disso a regra de nossas vidas. Os crentes seriam oprimidos pelo mundo…Mas os oprimidos haverão de obter, finalmente, a vitória, embora nunca sem uma clara lealdade ao seu Senhor…” (op.cit., pp.488-9).

– A palavra “bem-aventurado” , usada com suas cognatas cerca de cinquenta vezes em o Novo Testamento, é tradução do grego “makarismós” (??????????), cujo significado é “felicidades”. Para os gregos antigos, ser “makários” (????????), i.e., “bem-aventurado”, era viver livre de sofrimentos e de preocupações, ideia pagã que foi completamente apropriada pela “teologia da prosperidade”.

–  Por isso, os estudiosos entendem que a raiz da palavra grega esteja vinculada à ideia de “grande” e, por isso, usada como sinônimo de “rico”, no seu sentido predominantemente material, sendo, por vezes, aplicada aos deuses, como num contraste com a situação medíocre do ser humano.

– Os próprios judeus entendiam que a “bem-aventurança” era, principalmente, um estado de bem-estar material, ainda que como recompensa pela observância fiel da lei. Este significado, entretanto, era, talvez, fruto da influência das ideias da cultura helenística sobre os judeus, visto que, se formos verificar a utilização do termo no Antigo Testamento, a palavra hebraica “ ‘esher” (?????), não tenha esta conotação, mas apenas a de “quão feliz”, o que é, quase sempre, utilizada com um significado senão totalmente, predominantemente espiritual.

– Tanto assim é que o professor judeu David Flusser (1917-2000), um dos grandes pesquisadores do cristianismo primitivo e suas origens judaicas, demonstrou que, entre os essênios (um das seitas judaicas existentes nos dias de Jesus), como mostram os Manuscritos do Mar Morto, a ideia de “bem-aventurança” era muito próxima a que Jesus apresentou no sermão do monte, ideia esta despida de conotações materialistas, mas embebidas de forte conotação social e espiritual.

– Na abertura do sermão do monte, considerado um verdadeiro resumo da doutrina cristã, o Senhor Jesus apresenta as “bem-aventuranças”, ou seja, indica, de pronto, que o objetivo de Deus ao homem é proporcionar a este homem a “felicidade”. Deus quer que o homem seja feliz e a característica dos que resolvem obedecer-Lhe e viver em comunhão com Ele é a “felicidade”. Estas bem-aventuranças também são mencionadas em Lucas, no chamado “sermão da planície” (Lc.6:17-49).

– Esta “felicidade” ou “mais que felicidade”, entretanto, não se apresenta, como entendiam alguns segmentos judaicos, influenciados pelas ideias pagãs, em um estado de bem-estar material. Conforme já tivemos ocasião de estudar neste trimestre, o Senhor Jesus mostrou, claramente, que os ricos não são as pessoas mais propícias à salvação, logo após o encontro com o “mancebo de qualidade”, tendo também mostrado, na parábola do rico insensato, que a vida de qualquer não consiste na abundância do que se possui.

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– No início deste Seu sermão, o Senhor Jesus mostra quem é “bem-aventurado”, ou seja, quais são as características daqueles que são os Seus discípulos, que têm recebida a “felicidade” que Deus quer dar aos que Lhe servem com fidelidade e obediência.

“A expressão ‘bem-aventurado’ oferece a chave para a verdadeira felicidade oferecida pelo Mestre. A palavra, no original grego, significa a bênção divina em contraste com a felicidade humana. Esta bem-aventurança descreve o estado de vidas em retidão: aqueles humildes, mansos, misericordiosos, puros de coração e pacíficos. Jesus ensina não depender da felicidade por Ele oferecida do que temos ou fazemos, mas do que somos; e não pode ser importada, mas precisa nascer da alma.

O mundo tem o seu próprio conceito de bem-aventurança, onde feliz é o homem forte, rico, popular e satisfeito consigo mesmo. Quando Jesus anunciou seu segredo, aquelas palavras soaram de forma estranha a muitas pessoas, pois descreviam um modo de viver que lhes parecia impraticável” (PEARLMAN , Myer. Mateus: O Evangelho do Grande Rei. 5.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.30).

As nove bem aventuranças

Ao fazer esta descrição das “bem-aventuranças”, o Senhor Jesus mostra-nos, com absoluta clareza, o que é ser “feliz”, “mais do que feliz”, o que é ser “abençoado” segundo o ponto-de-vista divino, o que, certamente, mostra quão distante das Escrituras estão os ensinos falsos da “teologia da prosperidade”.

As nove bem-aventuranças, assim como as nove qualidades do “fruto do Espírito” estão também umbilicalmente relacionadas com os “dois grandes mandamentos da lei”, que se resumiram no “mandamento novo” de Cristo, que são as diretrizes, as regras essenciais para que o homem mantenha comunhão com Deus.

Como de todos nós é sabido, ao ser indagado por um doutor da lei a respeito de quais seria o grande mandamento da lei, Jesus respondeu que o grande mandamento da lei era “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” (Mt.22:37), acrescentando ainda que havia um segundo mandamento, semelhante àquele, a saber: “Amarás o próximo como a ti mesmo”, sendo que a lei dependeria destes dois mandamentos (Mt.22:38-40).

Dirigindo-Se aos Seus discípulos, porém, o Senhor Jesus lhes deu um novo mandamento, qual seja: “Que vos amei uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo.15:12), mandamento que sintetiza n’Ele e em Seu exemplo os dois grandes mandamentos da lei mosaica, pois, se amarmos uns aos outros como Jesus nos amou, estaremos amando a Deus de todo o nosso coração, e de toda a nossa alma, e de todo o nosso pensamento, como também o próximo a nós mesmos, pois foi assim que Jesus fez, visto que, pela vontade do Pai, deu a Sua vida pelos homens.

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Neste novo mandamento, que sintetiza os dois grandes mandamentos da lei e, portanto, não é inovação alguma, mas a própria concretização da lei na pessoa de Cristo, o único ser humano que a cumpriu, temos três dimensões que são, precisamente, as três dimensões das bem-aventuranças ou das qualidades do fruto do Espírito, a saber:

a) a dimensão vertical – o relacionamento entre Deus e o homem – a “bem-aventurança” é um novo patamar de um relacionamento entre Deus e o homem sem a separação proporcionada pelo pecado e que nos traz comunhão com o Senhor pelo sangue de Cristo.

b) a dimensão horizontal – o relacionamento entre os homens – a “bem-aventurança” é um novo patamar de um relacionamento entre os homens que, libertos do pecado, podem amar o próximo e querer-lhe bem.

c) a dimensão interna – o relacionamento do homem consigo mesmo – a “bem-aventurança” é um novo patamar do relacionamento do homem consigo mesmo, pois a mortificação da natureza pecaminosa permite que haja uma harmonia e equilíbrio entre corpo, alma e espírito.

– Por isso, as “bem-aventuranças” podem, também, ser divididas em três grupos, conforme expressam os efeitos da salvação em Cristo Jesus seja no relacionamento com Deus, seja no relacionamento com os demais homens, seja no relacionamento consigo mesmo. Vejamos, pois, cada uma destas dimensões e as correspondentes “bem-aventuranças”.

Segundo Mateus, existem três aspectos relativos ao reino dos céus: a realidade, a aparência e a manifestação. A realidade do reino dos céus é o conteúdo interno (os princípios) do reino dos céus em sua natureza celestial e espiritual, conforme revelado pelo novo rei na montanha nos capítulos cinco, seis e sete. A aparência do reino dos céus é o estado externo (identificação) do reino dos céus, como revelado pelo rei à beira-mar no capítulo treze (Mt 13).

A manifestação do reino dos céus é a vinda prática do reino dos céus em poder, conforme revelado pelo rei no Monte das Oliveiras nos capítulos vinte e quatro (Mt 24) e vinte e cinco (Mt 25). Tanto a realidade como a aparência do reino dos céus estão com a igreja hoje.  A realidade do reino dos céus é a vida adequada da igreja (Rm 14:17), que está dentro da aparência do reino dos céus, conhecido como cristandade.  A manifestação do reino dos céus será a parte celestial do reino milenar que se aproxima, que é chamado o reino do Pai em Mt 13:43.

Conclusão

No Reino de Deus, a vontade do Pai é conhecida e praticada por amor, devoção, prazer, submissão, dever e gratidão (Rm 5.5; 2 Co 9.13; Lc 18.1 ; Jn 2.9). Fazer continuamente a vontade de Deus, nesse Reino, deve ser a nossa maior prioridade, não importando os obstáculos “pois que por muitas tribulações nos importa entrar Reino de Deus” (At 14.22). O Reino Deus e sua justiça devem ser o nosso anseio e alvo principal (Mt 6.33).

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