Eleição e Predestinação

Eleição e Predestinação

Eleição e Predestinação

 Deus, em sua soberania, oferece graciosamente a salvação para todos os homens que, de acordo com o seu livre-arbítrio, podem aceitar ou recusar este convite.

Texto Bíblico Efésios 1.4-12

O verdadeiro sentido de Eleição

Eleição, procede de eklegomai, isto é, selecionar para si, escolher (Ef 1.4; Tg 2.5; 1Pe 1.2; 2.9). Este termo não quer dizer que Deus escolheu uns para a salvação e outros para a perdição. Mas que a salvação do homem não depende do que este é ou faz, porém da vontade e misericórdia de Deus (Ef 1.4,5; Cl 2.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13). O Pai ama e convida todos à salvação.

Ele não elege uns para a salvação e outros para a perdição: “não querendo que alguns se percam, senão que todos venham arrepender-se” (2Pe 3.9 cf. Jo 3.16; Rm 11.32; 1Tm 2.3,4). Portanto, a eleição, entendida em conjunto com a vocação e a predestinação, é a ação divina, mediante a qual, através de Cristo, o homem é eleito à salvação. Em razão de sua aceitação a Cristo, Ele passa a usufruir das bênçãos decorrentes da salvação. Textos como: Fp 2.15,16; 3.12-16; Cl 1.22,23; 1Tm 1.18,19; 4.9,10,16; 2Tm 2.10-13; demonstram que a eleição é uma ação divina, na qual o homem é convocado a obedecer, aceitando a Cristo como seu Salvador e Senhor (1Pe 1.2).

O sentido da Doutrina da Predestinação

A palavra ‘predestinação’ procede do grego, ‘proorizo’, e aparece cerca de seis vezes nas páginas do Novo Testamento. Uma vez é traduzida por ‘ordenou antes’ (1 Co 2.7); outra, por ‘anteriormente determinado’ (At 4.28); e quatro, por ‘predestinar’ (Rm 8.29,30; Ef 1.5,11) . O termo significa ‘destinar por antecipação’. Vejamos o que, segundo a Bíblia, é determinado por antecipação.

Fomos predestinados em Jesus.

Deus predestinou, por antecipação, o plano da nossa salvação, isto é, o meio pelo qual devemos ser salvos. Em Efésios 1.5, está escrito: ‘Nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo’, isto é, Jesus foi dado como sacrifício pela expiação dos nossos pecados desde a eternidade. Assim a Bíblia diz que Jesus foi morto desde a fundação do mundo (cf. Ap 13.8; 1Pe 1.20).

Fomos predestinados para ‘filhos de adoção’ (Ef 1.5).

Aqui observamos a finalidade da nossa salvação em Jesus — Deus predestinou que os pecadores fossem, por Jesus, feitos filhos de adoção. […] A predestinação ‘para filhos de adoção’ (Ef 1.5) refere-se, de acordo com Efésios 1.11,12, a nós ‘os que primeiro esperamos em Cristo’. Está, dessa maneira, incontestavelmente definido que a predestinação diz respeito aos que esperam em Jesus como o meio da sua salvação, conforme a ‘esperança do evangelho’ (Cl 1.23), os quais serão agraciados com o dom gratuito da salvação (Ef 2.4-9).

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Predestinados para refletir Jesus.

Deus também nos predestinou para sermos ‘conforme a imagem de seu Filho’ (Rm 8.29). Essa palavra nos revela o alvo que devemos alcançar por meio da salvação. Deus deseja que todos os que aceitam a Jesus como Salvador sejam transformados à imagem de seu Filho, o qual é a expressa imagem de Deus (Hb 1.3). […] Assim, Jesus foi predeterminado por Deus para ser o modelo, a fim de que muitos irmãos, por meio dEle, alcancem a imagem, cuja semelhança Deus, no princípio, criou o homem (Gn 1.27). Deus espera que cada homem defina sua posição quanto ao meio de salvação que Ele predestinou.

a) Aquele que aceita a Jesus fica grandemente enriquecido, pois é salvo porque aceitou a Jesus, o meio predestinado por Deus (Ef 1.5) conforme o seu propósito (Ef 1.11); é adotado por filho (Ef 1.5); a graça de Deus opera nele, para que alcance a imagem de filho de Deus (Rm 8.29,30).

b) Aquele, porém, que não aceita a Jesus, está perdido (Mc 16.16; Jo 3.18,19), não porque não estivesse incluído na predestinação de Deus, mas porque não aceitou o único meio da salvação que Deus oferece (Mt 23.37; Jo 5.40; Mt 22.3; Lc 14.17-24; 19.44; Is 50.2).

– Portanto, a afirmação doutrinária que diz ser a predestinação algo que determine a salvação para alguns e a perdição para outros previamente determinados não tem apoio na Bíblia […]” (BERGSTÉN, E. Introdução à Teologia Sistemática. RJ: CPAD, 1999, p.184-187).

OBS: ARGUMENTO TEOLÓGICO – A predestinação genuinamente bíblica diz respeito apenas à salvação, sendo condicionada à em Cristo Jesus, estando relacionada à presciência de Deus. Portanto, a predestinação dos salvos é precedida pelo conhecimento prévio de Deus daqueles que, diante do chamamento do Evangelho, recebem a Cristo como o seu Salvador Pessoal e perseveram até o fim.

A predestinação do crente leva-o a ser conforme a imagem de Cristo; assim sendo, todos somos exortados a perseverar até o fim: ‘aquele que perseverar até ao fim será salvo’ (Mt 24.13). A graça divina tanto salva quanto nos preserva a alma neste mundo corrupto e corruptor. A fé antecede a regeneração: ‘Porque pela graça sois salvos por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus’ (Ef 2.8); ‘Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado’ (Mc 16.16); ‘Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo'” (SOARES, Ezequias (Org.). Declaração de Fé das Assembleias de Deus. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp. 110-11).

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Eleição e Predestinação

Conforme Efésios 1.4,5, a eleição (v.4) precede a predestinação (v.5) que, embora infinita e insondável, não é a salvação em si. A predestinação é “para a salvação” (2 Ts 2.13), a fim de sermos filhos de adoção (Ef 1.5)

  1. Eleição (Ef 1.4,5). Antes mesmo de o Universo ter sido criado, nós já havíamos sido eleitos por Deus para usufruir plenamente da salvação. Leia também 1 Pe 1.1,2.
  2. Predestinação. O apóstolo afirma que fomos não somente eleitos, mas igualmente predestinados à vida eterna (Ef 1.5).

Isto não significa, porém, que Deus tenha amado apenas uma parte da raça humana; amou-a por completo. Pois a promessa do Salvador foi feita em primeiro lugar a Adão — o pai de todas as famílias da Terra e representante de toda a humanidade (Gn 3.15). Portanto, basta o homem receber a Cristo para desfrutar, de imediato, dos benefícios da eleição e da predestinação. Em sua presciência, Deus elegeu, em seu Filho, aqueles que, aceitando o Evangelho, experimentam o milagre da regeneração.

OBS: “O verbo ‘predestinar’ (proorizo) ocorre seis vezes no Novo Testamento, uma vez em Atos (4.28) e nas outras cartas de Paulo (Rm 8.29,30; 1 Co 2.7; Ef 1.5,11). Esse verbo significa ‘decidir antecipadamente’ e se aplica ao propósito de Deus compreendido pela eleição. A eleição é Deus escolhendo ’em Cristo’ um povo para si mesmo, e a predestinação diz respeito ao que Deus planejou, antecipadamente, fazer com aqueles que foram escolhidos.

Dessa forma, a questão da predestinação não significa Deus decidindo antecipadamente quem será salvo ou não, mas decidindo antecipadamente o que planeja que os eleitos, em Cristo, sejam ou venham a ser. Deus predestinou como os eleitos (isto é, aqueles que estão sendo salvos em Cristo) deveriam ser: em primeiro lugar, conforme a semelhança de seu Filho (Rm 8.29) e em seguida serem chamados (8.30), justificados (8.30), glorificados (8.30), santos e irrepreensíveis (Ef 1.4), adotados como seus filhos (1.5), redimidos (1.7), para o louvor de sua glória (1.11,12), aqueles que receberiam o Espírito Santo (1.13), destinatários de uma herança (1.14) e serem criados para realizar as boas obras (2.10)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol.2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.396-97).

O Livre-Arbítrio e a Soberania Divina

No Éden.

Em Jó 42, a soberania de Deus excede qualquer vontade humana; mediante esta soberania, Ele nos concede o livre-arbítrio. O Deus soberano, criador de todas as coisas e regente supremo de todo o universo, decidiu dar-nos a capacidade de escolher entre a natureza santa e a pecaminosa. No próprio Éden, Deus concede a liberdade para o homem escolher entre o certo e o errado, entre a vida e a morte, entre a natureza divina e a natureza carnal (Gn 3.1-13; Dt 30.19).

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Escolhendo uma vida santa.

Temos a capacidade de escolher em qual das duas naturezas desejamos viver: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade” (Gl 5.13). Quando escolhemos a natureza pecaminosa, inclinamo-nos à carne e às obras pecaminosas (Rm 8.6,7). Mas, ao decidirmos viver uma vida santa, voltamo-nos às coisas do Espírito (Rm 8.5,9,14), produzindo obras dignas de um verdadeiro filho de Deus (Rm 6.18,22; Gl 5.22).

O livre-arbítrio concedido por Deus não foi anulado pelos efeitos do pecado. Nós, os que decidimos por uma vida santa, estamos tanto sob a soberania de Deus quanto debaixo do livre-arbítrio concedido por Ele (Ap 3.20). – Lições Bíblicas CPAD – Jovens e Adultos – 1º Trimestre de 2006 – Título: Salvação e Justificação — Os pilares da vida cristã – Comentarista: Eliezer Lira – Lição 7: A chamada divina e o Livre-arbítrio – Data: 12 de Fevereiro de 2006

A Adoção

Antes de aceitarmos a Cristo, éramos apenas criaturas; agora, co-herdeiros de Cristo Jesus com pleno acesso a todas as bênçãos que, nEle, reservou-nos o Pai Celeste (Ef 1.13; 1 Co 3.21). A adoção, portanto, é uma das mais belas e confortadoras doutrinas da Bíblia.

Definição etimológica.

A palavra adoção, considerada literalmente, significa colocar na posição de filho.

Definição teológica.

No Novo Testamento, o vocábulo descreve o ato pelo qual Deus recebe, como filho, alguém que, legal e espiritualmente, não desfruta do direito de tê-lo como Pai. A partir desse momento, passa esse alguém, mediante o sacrifício de Cristo no Calvário, a desfrutar de todos os privilégios que Deus preparou àqueles que aceitam a Cristo como único e suficiente Salvador. O termo adoção encontra-se apenas nas epístolas paulinas (Rm 8.15,23; 9.4; Gl 4.5; Ef 1.5).

Os privilégios da adoção.

Adotado por Deus, o crente é considerado como filho do Pai Celeste (1 Jo 3.2); como irmão de Jesus (Hb 2.11); como herdeiro dos céus (Rm 8.17). De igual modo, é libertado do medo (Rm 8.15) e desfruta de segurança e certeza de vida eterna (Gl 4.5,6). Lições Bíblicas CPAD – Jovens e Adultos – 4º Trimestre de 2006 – Título: As verdades centrais da Fé Cristã – Comentarista: Claudionor Corrêa de Andrade – Lição 9: Salvação, o plano de Deus para a redenção humana – Data: 26 de Novembro de 2006

Conclusão

Basta um crente ouvir a palavra “predestinação” e, pronto, começa o embate. Cada um defende um ponto de vista diferente; uns citam Calvino, outros Armínio, como se a Escritura não fosse clara o suficiente para tratar do tema. Mais importante do que as argumentações de um teólogo são as afirmações absolutas e singulares das Sagradas Escrituras.  Deus, em sua soberania, oferece graciosamente a salvação para todos os homens que, de acordo com o seu livre-arbítrio, podem aceitar ou recusar este convite.

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