A natureza dos Anjos – A beleza do Mundo Espiritual

A natureza dos Anjos - A beleza do Mundo Espiritual

A NATUREZA DOS ANJOS – A BELEZA DO MUNDO ESPIRITUAL

 

Os anjos são seres celestiais a serviço de Deus para auxiliar o povo de Deus em toda a sua história.

Contudo, a Bíblia mostra que os anjos não são mitos nem lendas, mas seres espirituais que atuam na vida dos que se entregam a Cristo e o tem como Senhor de suas vidas.

 

TEXTO BÍBLICO

(Lucas 1.26-35)

26 – E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,

27 – a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.

28 – E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.

29 – E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras e considerava que saudação seria esta.

30 – Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus,

31 – E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o V, nome de Jesus.

32 – Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai,

33 – e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim.

34 – E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão?

35 –     E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

 

DEFINIÇÃO, CARACTERÍSTICAS E NATUREZA DOS ANJOS

(Ne 9:6; Hb 1:7,14; Lc 9:26).

1 -Definição

O termo,  “anjo” da língua portuguesa tem origem na palavra latina “angelu”, que por sua vez se deriva do termo grego. A Angelologia não se constitui no enfoque primário das Escrituras.

Daí o fato de haver não poucas divergências quanto á definição doas Anjos, seu caráter e obras. Os aparecimentos angelicais, em sua maioria, não são provocados nem preditos.

E, mesmo nessas manifestações fugazes, há ênfase em Deus (ou Cristo), confirmando verdades, e não produzindo-as por si mesmas.

Angelologia do grego (angelos, mensageiro, enviado; estudo,tratado), é o tratado acerca dos anjos. Anjo, em Hebraico “Malakh” que quer dizer: “mensageiro”, aparece no Novo Testamento sob a palavra “aggeloi” somente para indicar seres celestiais, com exceção de Lucas 7:24; 9:52 e, talvez, Apocalípse 1:20.

Depreende-se então que o termo não encerra, em si, a natureza, mas o ofício. Mas, tanto no grego quanto no hebraico, esta palavra pode ser usada também para referir-se aos mensageiros humanos. Na Vulgata, a fim de se fazer tal distinção, ocorrem os termos “angelus e nuntio”, respectivamente para seres celestiais e humanos.

  • Cristo comprovou a existência dos anjos ( Jo.1:51 ).
  • O Apóstolo Paulo também testemunhou ( Gl.1:8 ).
  • O próprio Satanás falou dos anjos (Mat.4:6 ).
  • O Apóstolo João falou mais de 60 vezes no livro de Apc. (Ap 1:1 ).

Anjos, então, foram comprovados pelos escritores da Bíblia e pelo próprio Jesus Cristo, como sendo reais. Apesar de toda confusão de todos os tempos, não podemos negligenciar esta grande doutrina – Angelologia.

2 – Características e Natureza Moral dos Anjos

a) Criaturas

Os anjos não existem desde a eternidade (Ne 9:6; Sl 148:2,5; Cl 1:16), eles foram criados, conforme as passagens bíblicas afirmam. Não se sabe a época em que foram criados por não ter na bíblia nenhuma alusão, mas se crer que á sua criação está ligada a criação dos céus (Gn 1:1), provavelmente antes da criação da terra (Jó 38:4-7), ao contrário do homem, foram feitos do pó da terra pelo poder de Deus (Gn 2:7).

b) Espíritos

Embora muitas vezes os anjos se revelaram em forma corpórea (Gn 18:19; Jz 2:1; 6:11-24; Mt 1:20; Lc 1:26; Jo 20:12; Hb 13:2), eles são descritos como espíritos, sem corpo físico (Gn 6:2; Sl 104:4; Hb 1:7,14; Ef 6:12).

c) Imortais

Ou seja, incapazes de morrer. Os anjos não são eternos quanto ao seu princípio (pois um dia foram criados), embora jamais deixem de existir, isto é, nunca morrerão (Lc 20:35,36).

d) Poderosos

– A eles foi-lhes delegado poder (II Ts 1:7,8), incluindo o poder sobre-humano (Sl 103:20). Eles não são onipotentes, mas apresentam forças superiores ás dos homens (Dn 9:21; Mt 25:53; 28:2; At 5:19; 12:7,23).

e) Inteligentes

São dotados de uma superior Inteligência e sabedoria, mas não são oniscientes (II Sm 14:17,20). Isso referi-se à capacidade de conceituar, discernir e idealizar algo.

Todavia, em sua sabedoria há limitações, pois não sabem o dia da volta de Cristo (Mt 24:36), nem em plena magnitude da salvação dos homens (I Pe 1:12).

Pode-se afirmar também que, como ocorre aos seres humanos, à mente angelical tem sido depositadas informações pelas constantes observações e experiências ao longo da sua existência.

f) Gloriosos

Conforme Lucas 9:26, os anjos são seres dotados de dignidade e glória sobre humanas.

g) Numerosos

Segundo as escrituras, há uma quantidade imensa; o número é astronômico (Dn 7:10; Mt 26: 53; Hb 12:22). Nesta acepção, o criador é chamado de “Senhor dos Exércitos”  (Yahveh-Shabaoth).

h) Assexuados

Ou seja, não são masculinos nem femininos. Na bíblia são descritos como varões, mas não podem propagar sua espécie. Assim, a quantidade de anjos atualmente é a mesma desde a criação (Lc 20:34,35).

I) Dotados de Livre Arbítrio

No caso aqui, o livre arbítrio é a faculdade de escolher entre o bem e o mal, caracterizando o seu possuidor de criatura racional e moralmente livre. Desta forma, os anjos podem escolher o bem ou o mal, visto que alguns se tornaram pecaminosos em seu caráter por uma má decisão voluntária (II Pe 2:4).

j) Santos

Este aspecto angelical envolve tanto o caráter quanto o serviço.  Por assumirem posições de contato direto com Deus, denota-se um estado de santidade e reverência à Deus e seus propósitos (Is 6:2,3; 89:7; Jud 6; Ap 14:10).

 

CLASSIFICAÇÃO E OFÍCIO DOS ANJOS

Texto Bíblico: (Sl 103:20; Ef 6:11,12)

EM RELAÇÃO AOS ANJOS BONS

Este termo do grego (arkhangelos, principal entre os anjos), ocorre somente duas vezes nas escrituras: (I Ts 4:16; Jd 9). Miguel é o único arcanjo mencionado na bíblia pelo nome; suas atividades são mencionadas como comandante de um exército celestial (Ap 12:7). E príncipe da nação Israelita (Dn 10:13,21,; 12:1).

Os apócrifos mencionam supostos companheiros de Miguel, subtendendo-se como de iguais classes e função: Uriel, Rafael, Zariel e Gabriel. Este último é citado também pelos canônicos, embora apenas com a designação de “anjo” (Dn 8:16; 9:21; Lc 1:19,26).

A) Anjos

Existe muitíssimos anjos (Milhares de milhares e miríades de miríades”, (Dn 7:10; Ap 5:11). O escritor aos Hebreus considerou-os incontáveis (Hb 12:22), que voam rapidamente em nosso auxílio (Dn 9:21; Ap 14:6). Possivelmente, é a classe mais numerosas dos seres celestiais e estão subdivididas em  “anjos eleitos e anjos das nações”:

1º Anjos Eleitos: Tudo indica que são os que permaneceram fiéis a Deus por ocasião da rebelião de Satanás (Mt 25:41; I Tm 5:21) e que estão sempre presentes nas atividades Cristológicas (I Tm 5:21; II Tm 1:7).

2º Anjos das Nações: Este termo é usado tanto para os anjos bons quanto para os anjos maus. O que está escrito no livro de Daniel 10:13,20) sugere a ideia de anjos guardiães de nações, por exemplo: (o da Pérsia, o da Grécia e o de Israel) podendo referir-se aos “principados” mencionados no Novo Testamento (Ef 3:10; 6:12; Cl 2:15). Esta classe pode englobar outras organizações angélicas, como a dos arcanjos (Dn 10:21; Jd 9).

B) Querubins

Alguns acreditam que os Querubins do Hebraico “Kerub” não sejam reais, se não apenas manifestações simbólicas com propósitos soteriológicos.

Mas essa opinião não se coaduna com as escrituras, as quais apresentam os querubins como entidades distintas (Gn 3:24; II Rs 19:15).

O nome parece significar “cobrir” ou “guardar”, por analogia às suas tarefas; guardiões e sustentadores do templo e do trono do Senhor (Sl 18:9,10; 80:1; 99:1). São também comparados aos “seres viventes” em Apocalípse 4. Conforme Ezequiel 28: 14,16, Satanás pode ter sido um Querubim.

C) Serafins

São mencionados na bíblia acima dos querubins e em pé diante de Deus, prestando-lhe culto e adoração (I Sm 4:4; Is 6:1,2,6). Enquanto os querubins incubem-se da justiça e do poder na execução das ordens de Deus, os Serafins ocupam-se em liderar os céus na adoração ao Senhor onipotente e de purificação dos servos de Deus para culto e a serviços aceitáveis.

O termo significa “consumir com fogo”, tornando os serafins como agentes de purificação pelo fogo, conforme indicado pelo profeta Isaías capítulo 6.

D) Anjo do Senhor

Há várias referências bíblicas sobre aparições do Anjo do Senhor, sendo este um ensino da maior importância, pois são estas aparições teofanias, mais especificamente teofanias em que Deus se apresentava em forma humana.

Há no Antigo Testamento 62 referências ao Anjo do Senhor (ou à variante Anjo de Deus), sendo a primeira em Gênesis 21:17, quando o Anjo de Deus aparece a Agar no deserto.

O Anjo do Senhor apareceu por várias vezes executando tarefas destinadas aos anjos ordinários, ou seja, trazendo mensagens de Deus, protegendo o povo de Deus, e suprindo suas necessidades.

Contudo, apesar de várias controvérsias entre os eruditos quanto a este assunto específico, devemos aqui estabelecer a identidade do Anjo do Senhor, como sendo pré-encarnações de nosso Senhor Jesus Cristo.

Para tanto trataremos alguns pontos que sempre distinguem as aparições do Anjo do Senhor de aparições de outros anjos: Um dos pontos mais relevantes quanto a esta questão é que no contexto do Novo Testamento não há sequer uma referência a “o Anjo do Senhor”.

Sempre que ocorre referência a “Anjo do Senhor”, esta se faz como “um anjo do Senhor” e nunca como “O Anjo do Senhor”. Esta substituição diz muito em sua aplicação direta, pois, ser “um”, é ser um entre muitos, e ser “o” é ser único do gênero.

No texto grego não encontramos o artigo definido “o” anexo à palavra aggelov (aggelos), colocando todas as referências com exceção de Atos 7:30, na condição de um em muitos, e não de único em sua espécie. É importante tomarmos esta posição, especialmente em vista de I Timóteo 3:16, pois Deus já havia se manifestado em carne, tornando estas ocorrências como aparições de um de seus anjos.

O Anjo do Senhor aceitou a adoração de Josué. Um anjo comum não admite ser adorado, como pode bem ser visto nas passagens em Apocalipse 19:10 e 22:8-9. A instrução é clara: “Adora a Deus”. Anjos têm clara noção de sua posição e não admitem que os homens os adorem.

Se o “Anjo de Deus” que apareceu a Josué não fosse o próprio Deus (segunda pessoa da trindade), não teria aceitado, de forma alguma, a adoração de Josué.

Em Juízes 13:15-22 temos:

(15) Então Manoá disse ao anjo do SENHOR: Ora deixa que te detenhamos, e te preparemos um cabrito.

(16) Porém o anjo do SENHOR disse a Manoá: Ainda que me detenhas, não comerei de teu pão; e se fizeres holocausto o oferecerás ao SENHOR. Porque não sabia Manoá que era o anjo do SENHOR.

(17) E disse Manoá ao anjo do SENHOR: Qual é o teu nome, para que, quando se cumprir a tua palavra, te honremos?

(18) E o anjo do SENHOR lhe disse: Por que perguntas assim pelo meu nome, visto que é maravilhoso?

(19) Então Manoá tomou um cabrito e uma oferta de alimentos, e os ofereceu sobre uma penha ao SENHOR: e houve-se o anjo maravilhosamente, observando-o Manoá e sua mulher.

(20) E sucedeu que, subindo a chama do altar para o céu, o anjo do SENHOR subiu na chama do altar; o que vendo Manoá e sua mulher, caíram em terra sobre seus rostos.

(21) E nunca mais apareceu o anjo do SENHOR a Manoá, nem a sua mulher; então compreendeu Manoá que era o anjo do SENHOR.

(22) E disse Manoá à sua mulher: Certamente morreremos, porquanto temos visto a Deus”.

Esta passagem nos esclarece vários pontos. O primeiro a ser levado em conta é o nome do anjo do Senhor, que é Maravilhoso. Ora, vemos em Isaías 9:6, que Maravilhoso é nome dado ao menino que nos foi dado por Deus para salvação do homem.

Alem disto vemos o próprio reconhecimento de Manoá (pai de Sansão) de que o Anjo do Senhor que lhe havia aparecido era Deus. Vemos também o anjo do Senhor subindo na chama do altar, tipologia para o sacrifício que a segunda pessoa da trindade, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, viria a fazer por todos os homens.

Por todas estas razões devemos entender com firmeza e clareza que O Anjo do Senhor (ou o Anjo de Deus) no Antigo Testamento é sim, e sem dúvidas nosso Senhor Jesus Cristo.

E) O Anjo Gabriel

A palavra Gabriel vem do hebraico “Gabriy’el”, que quer dizer “guerreiro de Deus” ou “homem de Deus”, provindo da junção de “geber”, “homem forte” ou “guerreiro” e ‘el.

Este anjo é o anunciador das grandes mensagens de Deus para a humanidade, tendo aparecido a Daniel e depois no Novo Testamento durante a anunciação do nascimento de João o Batista de Jesus Cristo. É o anjo que assiste diante de Deus, sendo ele o portador das grandes mensagens de Deus para os homens.

 

ANJOS BONS E ANJOS MAUS

1-  ANJOS BONS

Os anjos bons fazem aquilo que contribuem para o engradecimento da glória de Deus. Seu ofício ou função consiste em:

  1. A) Adorar à Deus (Mt 18:10; Ap 5:11,12; Sl 148:2; Hb 1:6)
  2. B) Proteger e livrar o povo de Deus (Gn 19:1; I Rs 19:5; Sl 91:11; Dn 6:22; At 5:19; 12:11)
  3. C) Dirigir e encorajar os servos à Deus (Mt 28:5-7; At 8:26; 27:23,24)
  4. D) Interpretar a vontade de Deus para os homens (Jó 33:23; Dn 10:5-11; Zc 1:9,13,14,19)
  5. E) Executar o juízo contra indivíduos e nações (Gn 19:12,13; II Sm 24:16; At 12:23)
  6. F) Transportar os salvos ao dormirem em Jesus ( Lc 16:22)

Esses seres angelicais executam as obras de Deus tanto no julgamento dos inimigos do povo de Deus como também dos crentes quando estes desobedecem a Deus. Eles revelam e comunicam a mensagem de Deus aos seres humanos.

Obs: Acerca dos Anjos maus (caídos, demônios) falaremos na próxima lição 3)…

CONCLUSÃO

“Esses seres angelicais executam as obras de Deus tanto no julgamento dos inimigos do povo de Deus como também dos crentes quando estes desobedecem a Deus.

Eles revelam e comunicam a mensagem de Deus aos seres humanos. Há inúmeros fatos dessa natureza nas Escrituras, como o anúncio a Zacarias sobre o nascimento de João Batista e a Maria, sobre o nascimento do Senhor Jesus. Esses mensageiros celestiais assistiram os apóstolos Pedro e Paulo e o próprio Senhor Jesus.

Foram eles que anunciaram às mulheres a ressurreição de Jesus e estiveram presentes na sua ascensão. […] A Bíblia mostra diversas vezes os anjos socorrendo os servos e servas de Deus em suas lutas e dificuldades” (Declaração de Fé das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.87).

Referências

– Bíblia de Estudo Plenitude (ARC)

– A Bíblia de Estudos das profecias. E.R.A.

– Dicionário Online

– Apontamentos Teológico do Autor

– Horton, Stanley, M. Teologia Sistemática, Uma perspectiva Pentecostal. Rio: CPAD. 1996.

– Menzies, William w; Horton Stanley M. Doutrinas Bíblicas – Uma Perspectiva Pentecostal. Rio: CPAD. 1996.

– Pearlman, MYER. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Flórida. Vida. 2 ed. 1974.23ª Imp. 1996.

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