O Bom Pastor e os pastores infiéis

O Bom Pastor e os pastores infiéis

O Bom Pastor e os pastores Infiéis

O pastor é aquele que foi escolhido pelo Senhor para cuidar das almas ganhas para o reino de Deus.

Texto Bíblico (Ezequiel 34.1-12)

A figura do Pastor nas Escrituras

A figura do pastor nas Escrituras Sagradas é um dos pontos mais marcantes da influência da cultura hebreia na revelação que Deus dá à humanidade através da Bíblia Sagrada, visto que os israelitas são um povo que se construiu ao redor da atividade da criação de animais, notadamente de ovelhas (Gn.13:7; 26:20; 46:32,34; 47:3).

A palavra hebraica empregada para pastor é “ra-ah” (הער) , entendido como “aquele que apascenta, cuida, zela, alimenta” os animais. Em o Novo Testamento, a palavra grega empregada é “poimen” (ποιμήν), que tem o mesmo significado. Bem se vê, portanto, que o pastor é aquela pessoa que foi escalada para cuidar das ovelhas, tratá-las, cuidar de seu dia-a-dia, a fim de que possam crescer saudáveis até o momento em que cumpram a finalidade de sua criação, que era tanto o fornecimento de alimentação quanto o fornecimento de lã para os homens.

Normalmente, os pastores não eram pessoas que tinham alguma projeção social, mas, pelo contrário, via de regra, eram pessoas simples, pessoas que se encontravam na base da pirâmide social, não raras vezes escravos ou servos de alguém. Vemos isto em diversas passagens bíblicas: em Gn.13:7,8, observamos que os pastores de Abrão e de Ló eram servos, muito provavelmente escravos de ambos; em Gn.26:20, também vemos que os pastores de Isaque eram servos daquele patriarca; Davi, o mais jovem e, por isso mesmo, o mais desprezado dos filhos de Jessé (tanto que nem foi chamado ao banquete), era pastor de ovelhas; Doegue, um estrangeiro, era pastor de Saul (I Sm.21:7), a mostrar que se tratava de posição subalterna na ordem social israelita. Em Is.38:12, a habitação do pastor é descrita como sendo uma “choça”, ou seja, uma simples tenda, facilmente removível, a nos mostrar com era humilde a condição do pastor.

Disto já tomamos uma importantíssima lição, qual seja, a de que a figura do pastor está, na Bíblia Sagrada, vinculada à ideia de serviço.  O pastor, antes de mais nada, dentro da cultura hebreia, era um serviçal, alguém que estava a serviço de alguém, o verdadeiro dono do rebanho, o verdadeiro dono dos animais. É o que bem verificamos em Ex.3:1, quando se deixa bem claro que Moisés era o pastor, mas o rebanho não era seu e sim de seu sogro Jetro. Nas Escrituras Sagradas, a figura do pastor também sempre está ligada à dedicação e à sensibilidade. O primeiro pastor de ovelhas mencionado é Abel (Gn.4:2), que, não sem razão, é, também, o primeiro justo (Mt.23:25; Hb.11:4).

– Abel tinha sensibilidade espiritual e ofereceu o melhor de suas ovelhas para o Senhor, a mostrar que o pastor é alguém que, por cuidar de ovelha, um animal extremamente delicado e que exige total dedicação, precisa ser sensível. Também não é coincidência que Moisés, antes tão violento, depois de quarenta anos como pastor de ovelhas, tenha se tornado o varão mais manso que havia sobre a face da Terra (Nm.12:3).

O ultimato Divino aos pastores no Livro de Ezequiel

Capítulo Trinta e Quatro O tema unificador deste capítulo é o de que existem falsos pastores que se contrastam com o futuro Verdadeiro Pastor. O capítulo se divide naturalmente em cinco partes: 1. Vss. 1-10; 2. Vss. 1116; 3. Vss. 17-22; 4. Vss. 23-24; 5. Vss. 25-31. No início de cada seção, há um título e um parágrafo introdutório. Os vss. 23-24 falam especificamente do Messias-Rei, que é o Verdadeiro Pastor de Israel e, neste tema, a passagem encontra seu auge. O autor se prepara para apresentar o tema principal dos capítulos 3139, a restauração de Israel. O Messias-Rei é descrito como o Servo de Yahweh (vs. 23). Os falsos pastores serviam a si mesmos, rejeitando a responsabilidade de ser servos do povo. Deixaram as ovelhas a vaguear e, por esta razão, sofreriam um julgamento temível de Deus.

O tema do Verdadeiro Pastor se apresenta também em Jer. 10.21; 23.1-4; 25.34-38 e 50.6. Cf. Miq. 5.5; Zac. 10.2-3; 11.3-8; I Reis 22.17. Passagens análogas são: Jer. 23.1-6; 31.9-10; Zac. 11.4-17; 13.7; Sal. 80.1 e 95.7. Ver no Dicionário o artigo intitulado Pastor. Julgamento dos Falsos Pastores (34.1-10) É fato temível receber uma missão espiritual significativa e tratá-la de ma­ neira trivial, ou pior, usá-la como meio de ganhar dinheiro, fama e posição. Foi assim que os falsos pastores agiram, com resultados desastrosos para as ove­ lhas, que se tornaram corruptas e se espalharam nos campos da vida, sem nenhuma direção ou propósito firme. Os pastores, além de negligentes, eram falsamente motivados por seus próprios prazeres e interesses, envolvendo-se em crimes pesados. Eles se alimentaram e deixaram as ovelhas morrer de fome (vs. 8).

CAPÍTULO 34.1 (Tiago 1.22). Veio a mim a palavra do Senhor. Esta é a declaração comum que introduz novos materiais ou oráculos. Lembra que as mensagens foram inspiradas divinamente e que Ezequiel era o profeta autorizado por Yahweh. Cf. Eze. 13.1; 14.2; 15.1; 16.1. 34.2 Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel. Yahweh fala com o profeta utilizando seu título comum (anotado em Eze. 2.1). Mandou-o repreender os profetas desviados de israel-Judá. Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno Deus) pronuncia um oráculo ameaçador e, como Soberano, tem o poder para efetuá-lo. Os líderes perversos, alimentando-se fartamente, deixaram as ovelhas passar fome.

O padrão de seu serviço era o interesse próprio, não o bem-estar do povo. Realizando seu jogo perverso, logo caíram em infrações sérias, inclusive crimes de sangue. “Os vss. 2-4 apresentam a verdadeira atitude profética em relação aos líderes ímpios (cf. Jer. 22.13-17; Osé. 1.4; 7.7; I Sam. 8.1-22” (Theophile J. Meek, inloc.). O falso pastor considera o rebanho somente como um meio para ganhar algo de valor para si mesmo. Obviamente, devem existir poder e liderança em qualquer sociedade, mas não sem a responsabilidade que vise o bem-estar coletivo. “Os líderes freqüentemente foram chamados pastores. Ver Sal. 78.70-72; Isa. 44.28; Jer. 23.1-4; 25.34-38. Ezequiel expôs primeiramente os pecados dos falsos pastores e depois pronunciou um julgamento justo contra eles (vss. 7-10)” (Charles H. Dyer, in loc.).

CAPÍTULO 34:6

34.6 Comeis a gordura. Quando um animal era sacrificado, as “delicadezas” (segundo a mente hebraica), o sangue e a gordura, pertenciam a Yahweh, sendo queimados no Seu altar. Ver as leis sobre o sangue e a gordura em Lev. 3.17. Então, oito porções (os melhores cortes da carne) pertenciam aos sacerdotes. O restante era dividido entre os adoradores que haviam trazido os sacrifícios. Uma refeição comunal terminava o rito, cada um comendo sua porção apropriada. – Aqueles perversos e presunçosos falsos pastores tomavam para si mesmos o melhor, que pertencia exclusivamente a Yahweh! Na mente hebraica, tal ação configurava um ato de traição que anulava a lei mosaica e merecia execução legal. Os perversos, então, se apossa­ vam das outras partes dos animais, para comer e fazer roupas. Fartavam-se e engordavam, deixando o povo sem nenhuma provisão de comida ou de roupa.

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Aqueles homens eram tiranos gananciosos, explorando o povo. “Os pastores (isto é, reis, oficiais etc.) abusaram do povo (Jer. 23.13-17) e o espalharam (Jer. 10.21; 23.1-4). Este oráculo reforça a doutrina da responsabilidade pessoal (Eze. 18.5-22). Os líderes, supostamente, eram sujeitos às leis de Deus (II Sam. 12.1-15), mas, de fato, eram rebeldes e perversos” (Oxford Annotated Bible, introdução à seção). Em vez de alimentar as “ovelhas”, usaram-nas para alimentar a si mesmos! Eles as abatiam, roubavam, praticavam crimes de sangue, pewertiam a lei de Moisés, pro­ moviam injustiças sociais, utilizando as primícias para seu próprio benefício, impondo pesados impostos sobre os menos afortunados, enquanto o dinheiro se acumulava em suas tesourarias pessoais. O Targum diz, simplesmente, em um sumário sucinto: “Vós comeis o que é bom”, implicando que somente o ruim ficou para as ovelhas. “Foram como cachorros famintos que nunca se satisfazem, como Isa. 56.11 diz” (Fausset, In

– As minhas ovelhas  andam  desgarradas porto dos  montes . O povo pecador tornou-se iníquo seguindo os maus exemplos dos líderes. Logo, os lobos atacarão para devorar líderes e liderados, que com partilharão o mesmo destino catastrófico. Os lobos internacionais eram os soldados babilónicos, sempre famintos, à procura de vítimas. Algumas poucas ovelhas que sobreviveram aos ataques dos lobos esconderam-se nas ravinas das colinas, em cavernas, em câmaras secretas. Algumas fugiram para países vizinhos e sofreram exílio permanente. A maioria dos sobreviventes foi levada cativa para a Babilônia, onde a miséria continuou. “Lá fora” não houve ninguém que cuidasse das ovelhas perdidas e doentes. Nenhum homem se preocupava com as suas almas. Chaucer falou de ovelhas perdidas “orientadas” por pastores perdidos: Ele mesmo sendo um vagabundo, deixando O caminho estreito, Não era nenhuma maravilha, e suas ovelhas tolas Também erraram o caminho.

– As minhas ovelhas. Note-se que Yahweh as chama de “minhas ovelhas”, a despeito de seus pecados. Ele era o Pastor, mas aqueles designados subpastores foram negligentes e abusaram de seus deveres, descumprindo sua missão. Nunca a missão de alguém deve servir a si mesmo. Foram espalhadas sobre toda a face da terra. Ninguém se preocupou em procurá-las.

loc.). Tais cães são gulosos, nunca se fartam; são pastores que nada compreendem. (Isaías 56.11) “Egoísmo é a característica principal dos pastores infiéis. Cf. João 10.1-17” (Ellicott, in loc.).

34.4 A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes. Entre o povo comum, sempre existem os fracos e os doentes, os indefesos e os totalmente dependentes, que podem ser facilmente explorados. Tais pobres almas, aqueles violentos desprezaram e exploraram, lucrando com cada ato perverso. Governa­ ram com força excessiva, castigando com impostos absurdamente altos, intimi­ dando, extorquindo, perseguindo, fazendo leis injustas que só serviam às classes mais altas, à custa do povo. Não tinham coração nem consciência, agiam como lobos. Aqueles ímpios não eram passivos; agiam com vigor, sempre machucando os fracos, espiritual e fisicamente. Cf. Êxo. 23.4. O líder verdadeiro leva seriamen­ te os deveres para ajudar seu povo: Nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. (I Pedro 5.3-4)

(NCV) Por contraste, o Verdadeiro Pastor veio para procurar e salvar o que foi perdido (Luc. 19.10).

CAPÍTULO 34.7-8 Tão c erto com o eu vivo , diz o Senhor. Yahweh (vs. 7), isto é, Adonai Yahweh (vs. 8), o Soberano Eterno Deus, dirigiu sua palavra de ira contra aque­ les ímpios que não cumpriram sua missão em favor de Judá. Fez um juramento “por sua própria vida”, garantindo a realização da ameaça. Por falta de liderança espiritualmente adequada, as ovelhas caíram em uma idolatria, adultério e apostasia. Os lobos do campo devoraram as ovelhas desprotegidas. Houve lobos no Egito, Edom, Amom e na Babilônia, esperando a chance de devorar uma ovelha descuidada. “As bestas selvagens das nações exploraram Judá, especial­ mente os babilónios” (Theophile J. Meek, in loc.).

O Targum, sobre este versículo, lembra que os “pastores” eram os governadores, os civis e os religiosos, as pessoas de autoridade. Eram homens sem escrúpulos, violentos, destruidores, implacáveis, desumanos, como já visto nos vss. 2-4. 34.9-10 Ouvi a palavra do Senhor. Yahweh exige que aqueles líderes miseráveis escu­ tem o seu decreto. De novo, Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno Deus) fala, ameaçando agir com Seu poder soberano. Um julgamento severo é o tema do decreto, que começará com a liderança do país e descerá a todos os níveis daquela sociedade corrupta. Os pastores infiéis serão removidos de seus ofícios. Perderão sua missão nobre.

34.5 – Estou contra os pastores, e deles demandarei as minhas ovelhas; porei termo no seu pastoreio. Eles serão levados para a Babilônia como

– Assim se espalharam, por não haver pastor. Os lideres não foram pastores, mas tiranos. Não protegeram o rebanho, mas o exploraram. Seus atos violentos espalharam as ovelhas, deixando-as desprotegidas e sem nenhum verdadeiro pastor. Perdidas nos campos, elas se tornaram alimento para as feras que vigiavam aqueles lugares, sempre famintas, sempre matando, sempre esperando para devorar mais uma vítima. Os vss. 5-6 mencionam três vezes a dispersão das ovelhas, ressaltando que aquela ação figurava entre suas ofensas principais. O dever do pastor era o de não permitir justamente aquilo. Mas os falsos pastores tinham uma regra só: servir a si mesmos. “Eles não mereciam o nome pastor; era um ultraje aplicar esse título augusto a eles (I Reis 22.17; Mat. 9.36). Cf. Mat. 26.31, onde também vemos a dispersão das ovelhas, porque o verdadeiro Pastor fora morto” (Fausset, in loc.).

O povo se envolveu em pecados pesados como idolatria, adultério, explorações dos fracos, atos antissociais, opressões, porque não tinha líderes para instruir e guiar em caminhos retos. O Targum explica que a maior dispersão era justamente o cativeiro babilónico, que o povo sofreu por causa da infinidade de suas transgressões. Provavelmente, o vs. 6 inclua esta ideia cativos, para serem vítimas de abuso de “outros líderes” . O lobo-Babilônia os devorará como eles devoraram o rebanho de Yahweh; a Lei Moral da Co­ lheita segundo a Semeadura será satisfeita. O Senhor Soberano deve inter­vir para garantir a realização do Pacto Abraâmico, pois Judá estava sob ame­ aça de total extinção. Esta mensagem concorda com o teísmo bíblico: O Cri­ ador não abandonou Sua criação, mas intervém, castigando os maus e re­ compensando os justos. Contraste-se esta declaração com o deísmo, que diz que o Criador (pessoal ou impessoal) abandonou Sua criação ao comando das leis naturais. Ver no Dicionário os verbetes chamados Teísmo e Deísmo. Considere-se o que aconteceu com Zedequias e seus filhos e príncipes (Jer. 52.3-11)1

– Yahweh como o Bom Pastor (34.11-16) O texto é claro: Yahweh é o bom Pastor, mas esta seção pode ser interpre­ tada messianicamente, prevendo o Messias agindo como instrumento do Deus Eterno.

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EZEQUIEL Paralelos. Em espírito, esta seção é paralela a João 10.1-18; Heb. 13.20; I Ped. 2.25; 5.4. Cf. Mat. 10.6 e 25.32. Ver no Dicionário o artigo intitulado Pastor, e ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o artigo denominado Pastor (Ofício da Igreja). “O que os falsos pastores não realizaram por causa de sua ganânda (vss. 1-10), Yahweh realizará; cuidará de Seu rebanho (vss. 11-16); garantirá justiça entre as ovelhas (vss. 17-24); estabelecerá um pacto de paz (vss. 25-31)” (Charles H. Dyer, in loc.). A figura do pastor se eleva ao ofício do Rei-Pastor, o Messias, nos vss. 23-24.

CAPÍTULO 34.14 – Apascentá-las-ei em bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem. Assim será quando o Bom Pastor assumir o controle da situação, fazendo violento contraste com os maus-tratos dos falsos pastores. Todas as suas necessidades serão satisfeitas, em pastos ricos e verdejantes, onde a sombra da fome não atinge ninguém. O rebanho estará em descanso e plenitude, e suas ansiedades esvanecerão. Ver no Dicionário o artigo chamado Providência de Deus. O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

34.11 Assim diz o Senhor Deus: Eu mesmo procurarei as minhas ovelhas. Adonai Yahweh (o Soberano Eterno Deus), exercendo Seu poder divino e soberano, assu­ mirá o ofício do Pastor e providenciará para suprir as necessidades do rebanho. Este título divino é usado 217 vezes neste livro, mas somente 103 no restante do Antigo Testamento. Exalta a soberania de Yahweh, cuja vontade deve ser realizada entre os homens. Ver no Dicionário os artigos chamados Soberania de Deus e Providência de Deus. As provisões de Yahweh reverterão os danos cometidos pelos pastores infiéis. O rebanho dispersado será recolhido; a diáspora (ver a respeito no Dicionário) terminará. O próprio Adonai-Yahweh procurará Suas ovelhas e as salva­ rá dos lobos. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. (Lucas 19.10)

(Salmo 23.1) Nós somos Teus, nosso Amigo Tu seja; Seja o Guardião do nosso caminho; Guarda Teu rebanho, do pecado nos defende, Procura-nos quando vagueamos. (William B. Bradbury).

CAPÍTULO 34.15 – Eu m esmo apascentarei as minhas ovelhas, e as farei repousar. Este versículo repete os dois elementos principais do vs. 14: a alimentação do rebanho e sua segurança e plenitude em ricos pastos. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.

– Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso. (João 10.11) (Salmo 23.2). Champlin; Ezequiel capítulo por capítulo.

OBS: ARGUMENTO TEOLÓGICO – PASTORES INFIÉIS – “Enquanto o profeta é chamado de atalaia, os governantes de Israel são aqui chamados de pastores (2). Estão incluídos os reis, os príncipes e os ma­gistrados. […] Esses têm sido pastores infiéis para com o povo de Deus. Eles não têm sustentado o rebanho do Senhor (2), Israel. Em vez disso, eles estão mais preocupados em se alimentar a si mesmos e a estar bem vestidos (3). Eles não tiveram misericórdia para com a ovelha doente nem com a que estava ferida. Eles não buscaram a perdida (4), como Cristo, o Bom Pastor, fez anos mais tarde (Jo10.11,14)” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 476).

O Ultimato Divino aos Pastores e Profetas no Livro de Jeremias

1 – Bons e ruins

Pastores qualificados e dedicados merecem o respeito e apóio das ovelhas por eles guiadas. Paulo disse: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Timóteo 5:17). O autor de Hebreus nos ensina: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hebreus 13:17). Homens fiéis que amam a Deus e aceitam a responsabilidade de ajudar seus irmãos chegarem ao céu devem ser tratados com respeito e apreço. Infelizmente, alguns “pastores” não são dignos de honra. Alguns que se dizem conhecedores da palavra de Deus não são fiéis no seu ensinamento. Vamos considerar a mensagem de Jeremias 23 e algumas aplicações dela.

– Jeremias profetizou nas últimas quatro décadas antes da queda de Judá à Babilônia. Ele chamou o povo, e especialmente os líderes dos judeus, ao arrependimento. Jeremias bem entendeu que o principal problema não foi uma questão de diplomacia ou poder militar. Este servo de Deus viu a corrupção do povo, de cima para baixo, como motivo do castigo divino iminente. No capítulo 23, ele apresenta uma mensagem de Deus que mostra a diferença entre o Pastor verdadeiro e fiel e os maus pastores que maltrataram as ovelhas do Senhor.

2 – Ai dos pastores infiéis (Jeremias 23:1-4).

Deus falou aos líderes em Judá, dizendo que eram culpados de negligenciar e maltratar o rebanho dele. Preste atenção nos verbos que ele usa para descrever a conduta destes pastores: destruir, dispersar, afugentar e não cuidar. Pastores devem juntar, alimentar, cuidar, guiar e proteger, mas os pastores de Israel faziam tudo ao contrário! Outra coisa marcante neste parágrafo é a maneira que Deus fala do rebanho. Ele o descreve como “o meu povo”, “as ovelhas do meu pasto” e “as minhas ovelhas”.

A linguagem dele mostra o problema raiz do comportamento errado dos líderes. Eles não amavam o povo como Deus o amava! Para eles, ser pastor era uma posição de destaque, honra e privilégio. Para Deus, ser pastor era uma posição de responsabilidade, sacrifício e amor. Hoje, ainda há muitos que olham para o cargo de pastor como uma posição de honra a ser cobiçada. Buscam o destaque e desejam a honra diante dos homens. Ao invés de agir humildemente como pastores no rebanho local (veja 1 Pedro 5:1-3), apresentam-se em todo lugar com o “título” de pastor. Em outras palavras, “Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados mestres pelos homens” (Mateus 23:6-7). Tais pastores não qualificados não cuidam do rebanho como devem.

3 – O Renovo de Davi (Jeremias 23:5-8).

Em contraste total com os pastores infiéis, Deus apresenta o Renovo de Davi, conhecido posteriormente como o Bom Pastor (João 10:11). As qualidades do Messias, destacadas neste trecho, identificam um pastor totalmente diferente daqueles corruptos em Judá. Este descendente de Davi é um Rei justo e sábio, que executa a justiça (5). Enquanto os nomes dos infiéis cairiam em podridão (Provérbios 10:7), o nome deste Pastor é o mais exaltado de todos: “…será este o seu nome, com que será chamado: Senhor, Justiça Nossa” (versículo 6). O Bom Pastor seria a manifestação perfeita da justiça de Deus, e é identificado claramente no Novo Testamento como Deus (YHWH, Yahweh, Jeová ou Javé – cf. Hebreus 1:10-12, uma citação do louvor dirigido a Deus em Salmo 102; compare João 1:1; 8:24,58; etc.).

– O Bom Pastor e seus servos fiéis (cf. 3 e 4) alimentam e cuidam do rebanho, dando-lhe uma habitação segura. Este Pastor não é ladrão, salteador ou mercenário (João 10:8,10,13). Ele é o Filho sobre a casa, que dá esperança aos seus servos perseverantes (Hebreus 3:6).

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4 – Os líderes contaminados (Jeremias 23:9-15).

Jeremias sentiu o efeito da palavra do Santo Senhor e ficou doente por causa da maldade do povo (9-10). Ele viu o povo sofrendo o castigo merecido por ser adúltero e rebelde. Mas esta maldade não era apenas das multidões irreligiosas que não se importavam com as coisas de Deus. Os líderes espirituais praticavam e incentivavam a iniqüidade! “Pois estão contaminados, tanto o profeta como o sacerdote; até na minha casa achei a sua maldade, diz o Senhor” (11). Aqueles que tinham o dever de mostrar o caminho da luz iam tropeçar e cair no escuro (12,15).

Os falsos profetas de Judá eram piores do que os de Samaria (13-14), e Deus já havia destruído Samaria! Estes líderes apoiavam e até incentivavam práticas erradas. Hoje, muitas pessoas que se dizem pastores e evangelistas fazem a mesma coisa. Pregando um evangelho diluído e atualizado para atrair pessoas carnais, continuam adulterando a palavra de Deus para manter a lealdade delas. A palavra de Deus não deve ser alterada e atualizada pelo homem, porque já é perfeita e eterna. Cabe a nós aceitá-la como servos humildes do Senhor.

5 – Não ouça! (Jeremias 23:16-22).

Frequentemente, pessoas me dizem que tem o costume de assistir a diversos programas religiosos, porque “todos falam da palavra de Deus”. Outros andam visitando várias igrejas, mesmo sabendo que ensinam e praticam coisas erradas, porque “se sentem bem”. Ainda outros dão pouca importância ao estudo cuidadoso e constante da palavra de Deus, preferindo ler e ouvir as idéias e os ensinamentos de homens. Mas é isso o que Deus quer? No ambiente da confusão religiosa de Judá, o Senhor não falou para as pessoas ouvirem a todos. Ele disse: “Não deis ouvidos às palavras dos profetas que entre vós profetizam e vos enchem de vãs esperanças; falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor” (16). Jeremias havia profetizado da dureza do castigo divino, e os falsos mestres negavam seus ensinamentos, dizendo que Deus não ia castigar assim (veja um exemplo disso na desavença entre Jeremias e Hananias no capítulo 28).

Hoje, há muitos pastores que dão falsas esperanças. Vamos considerar apenas dois exemplos: 1. Minimizar ou negar a gravidade de pecados que Deus condena. Justificam práticas claramente condenadas nas Escrituras, dando aos praticantes falsas esperanças da salvação. Deste modo, alguns justificam relações homossexuais e realizam casamentos de gays, outros apóiam a fornicação de casais que vivem amasiados. Muitos inventam todo tipo de argumento para passar por cima das instruções de Jesus sobre o casamento, divórcio e segundo casamento (Hebreus 13:4; Lucas 16:18; Mateus 19:9; etc.), aceitando e até incentivando casamentos adúlteros. Enchem as pessoas de falsas esperanças, pois muitas pessoas que continuam nestas práticas condenadas acreditam que entrarão no céu. Foram enganadas e ensinadas que 1 Coríntios 6:9-10 (pessoas que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus) não se aplica a elas! 2. Negar as condições dadas por Deus para a nossa salvação.

Muitos pastores pregam a salvação barata, usando o raciocínio humano para negar os mandamentos de Deus. É incrível, e incrivelmente triste, ver até que extremo pastores chegam hoje para anular simples instruções de Deus sobre o arrependimento e o batismo para remissão dos pecados (Marcos 16:16; Atos 2:38; 22:16; etc.). Como os falsos profetas 600 anos antes de Cristo, estes mestres enganadores vão correndo para falar, mas não falam a palavra de Deus (21). O Senhor disse na época de Jeremias: “Mas, se tivessem estado no meu conselho, então, teriam feito ouvir as minhas palavras ao meu povo e o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações” (22).

6 – Os sonhos e as visões (Jeremias 23:23-32).

Jeremias enfrentou um outro problema que ainda perturba as pessoas que buscam o Senhor hoje. Falsos profetas usavam seus próprios sonhos como se fossem revelações divinas, enganando as pessoas ingênuas. Deus disse: “Tenho ouvido o que dizem aqueles profetas, proclamando mentiras em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. Até quando sucederá isso no coração dos profetas que proclamam mentiras, que proclamam só o engano do próprio coração? Os quais cuidam em fazer que o meu povo se esqueça do meu nome pelos seus sonhos que cada um conta ao seu companheiro.

Portanto, sou contra esses profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras…, que pregam a sua própria palavra e afirmam: Ele disse! Eis que eu sou contra os que profetizam sonhos mentirosos, diz o Senhor, e os contam, e com as suas mentiras e leviandades fazem errar o meu povo; pois eu não os enviei, nem lhes dei ordem, e também proveito nenhum trouxeram a este povo, diz o Senhor” (25-32). Não é a mesma coisa que acontece hoje? Supostos profetas preferem falar o que vem do próprio coração, alegando ter sonhos e revelações de Deus, e não ensinam a verdade eterna que Deus revelou para todos na Bíblia. E muitos ouvintes dão mais importância às revelações particulares do que à mensagem das Escrituras. “A palavra do Senhor, porém, permanece eternamente” (1 Pedro 1:25).

7- Como nos proteger dos falsos mestres.

Como podemos nos proteger dos pastores infiéis e dos falsos profetas? É essencial: 1. Ouvir a palavra do Senhor (Jeremias 22:29; Atos 28:25-27); 2. Acolher o amor da verdade (2 Tessalonicenses 2:10); 3. Discernir entre o certo e o errado (1 Tessalonicenses 5:21-22); e 4. Ser praticantes da palavra (Tiago 1:21-25). por Dennis Allan. (adaptado).

OBS: ARGUMENTO TEOLÓGICO – O REBANHO – ”As coisas que Deus promete fazer pelo seu rebanho, como o Bom Pastor, são belas e graciosas (11-31). Ele buscará as ovelhas dispersas (12). Isso, evidentemente, refere-se aos israelitas que estavam dispersos em muitos países. Sendo uma promessa eterna do Deus eterno, ela sem dúvida se refere à graça de Deus que continua buscando o pecador e o constrangendo a voltar para o rebanho. O dia de nuvens e de escuridão é uma figura para um tempo de incerteza e medo” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4- Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 476).

Conclusão

O povo se envolveu em pecados pesados como idolatria, adultério, explorações dos fracos, atos anti-sociais, opressões, porque não tinha líderes para instruir e guiar em caminhos retos. Infelizmente, alguns “pastores” não são dignos de honra. Alguns que se dizem conhecedores da palavra de Deus não são fiéis no seu ensinamento. Mas Paulo disse: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Timóteo 5:17). O autor de Hebreus nos ensina: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros” (Hebreus 13:17). Homens fiéis que amam a Deus e aceitam a responsabilidade de ajudar seus irmãos chegarem ao céu devem ser tratados com respeito e apreço.

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