A velhice de Davi

A velhice de Davi

A velhice de Davi

Davi foi o homem segundo o coração de Deus, no entanto, como aprendemos, isso não significa que fosse isento de falhas ou imune ao pecado. Ele teve seus acertos, mas também seus erros.

Os aspectos do caráter de Davi revelados nas Escrituras tornaram-no muito mais que um rei. Eles o transformaram em um líder-servo, um homem segundo o coração de Deus, que até hoje ilustra as histórias bíblicas para as crianças, inspira vocações e serve de referenciais para nós, adultos.

Texto Bíblico (2 Samuel 23:1-7)

A velhice na Terceira Idade

Em alguns períodos da história, chegar aos 60 anos era uma façanha reservada às classes privilegiadas. Houve um tempo, em Roma, que as mulheres dificilmente conseguiam ultrapassar a terceira década de sua existência. Aliás, até o século XIX, a expectativa de vida, na Europa, não ia além dos 45 anos.

Portanto, raramente se falava em menopausa e em especialidades médicas como a geriatria. Naquele  tempo, pouco se falava acerca da Terceira Idade.

Hoje, porém, com o significativo aumento da expectativa de vida, há que se encarar, amorosa e otimisticamente, esta fase tão importante da existência humana. Como temos agido em relação aos nossos familiares da Terceira Idade? Nesta lição, aproveitemos a oportunidade para repensar nossas atitudes em relação aos idosos.

Afinal, como todos desejamos ser bem tratados nessa fase da vida, que levemos em conta o princípio da semeadura e da colheita (Gl 6.7).

Via de regra, a Terceira Idade é a faixa etária da vida humana que começa a partir dos 60 anos. O salmista refere-se a esta fase de nossa vida: “A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos” (Sl 90.10).

Como se vê, nessa passagem, a Terceira Idade, para os judeus, começava aos 70 anos. De qualquer forma, eis um problema que requer pronta solução de uma sociedade que, contaminada pelo imediatismo, não está disposta a amparar os que a ajudaram a construí-la.

As limitações da Terceira Idade

Não são poucas as limitações em decorrência da Terceira Idade: sociais, econômicas, físicas, psicológicas e até espirituais. Por isto, devem os ministérios de nossa igreja, voltados para a Terceira Idade, estar atentos a todas elas, objetivando proporcionar aos idosos uma melhor condição para se viver.

Limitações sociais.

Achegada da Terceira Idade coincide, geralmente, com a aposentadoria, período em que tanto o homem quanto a mulher, por mais importantes que tenham sido, podem cair numa profunda depressão em virtude da sensação de inutilidade. Haja vista o que aconteceu com o profeta Samuel. Rejeitado em sua velhice, foi tomado por uma profunda tristeza. Deus, entretanto, como o Psicólogo dos psicólogos, soube como tratar o seu servo, dando-lhe uma nova perspectiva de vida (1Sm 8.1-9).

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Limitações econômicas.

A Terceira Idade representa também uma significativa queda no poder aquisitivo. Ciente disto, o salmista ora ao Senhor: “Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando se for acabando a minha força” (Sl 71.9).

Limitações físicas.

Por mais robusto que seja o ser humano, não poderá escapar às limitações físicas que lhe impõem a Terceira Idade (Ec 12.1-9). Aparecem a canseira e o enfado (Sl 90.10). A visão perde a sua força (Gn 27.1). 0 vigor vai desaparecendo (Gn 17.17).

Limitações psicológicas.

É necessário compreender que as motivações psicológicas de um idoso não são as mesmas de um jovem. Leia com atenção 2 Samuel 19.34-37. Por isto ajamos com discernimento para oferecer-lhes algo que realmente os ajude nesta tão importante fase da vida.

Salomão discorre sobre os problemas psicológicos enfrentados na Terceira Idade: “como também quando temerem o que está no alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua eterna casa, e os pranteadores andarão rodeando pela praça” (Ec 12.5).

Limitações espirituais.

Há idosos que apresentam uma significativa queda em sua vida espiritual, principalmente quando deixam a liderança de um ministério. Vimos o que aconteceu ao profeta Samuel. A família e a igreja, portanto, devem estar atentas e preparadas para ajudar os seus idosos a superar as suas limitações, porque grandes são as possibilidades encontradas na Terceira Idade.

A rebelião de Adonias

“Adonias queria realmente ser rei de Israel. Afinal, ele era o filho mais velho de Davi vivo. Era bonito, talvez nobre na aparência – tanto assim que dois dos conselheiros de Davi (Joabe e Abiatar) deram-lhe apoio. Mas Davi já havia prometido seu trono a Salomão.

Os sonhos e planos de Adonias foram em vão. Isso não impediu Adonias. Desesperadamente aprisionado em seu próprio mundo, ele contratou um bando de homens da corte e carruagens para ‘provar’ que ele era o rei.

Até realizou os sacrifícios oficiais esperados de um rei recém-coroado e enviou convites para sua própria coroação. Seu jogo quase funcionou, mas sua obstinação finalmente levou à sua morte.

Ele não conseguia reconhecer e nem trabalhar dentro de limites. Por qualquer motivo, estava indisposto a respeitar os desejos dos outros ou aceitar a vontade de Deus quando essa contradizia a sua própria. Seu egocentrismo levou-o a desafiar seu pai, negar a soberania de Deus e, eventualmente, morrer de forma precoce.

Siga seus planos dentro da vontade de Deus, e não em vez de ou apesar dela. Os limites que Ele colocou sobre você só fará seus planos florescerem. Nossos desejos encaixam-se melhor dentro da vontade de Deus”. (KENDRICK, M.; DARY, L. 365 lições de vida extraídas de personagens da Bíblia. RJ: CPAD, 1999. p.148).

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Deus escolhe o sucessor de Davi

Sabemos pela Escritura que o governo monárquico de Davi teve uma longa duração, cerca de 40 anos. Mas, como nenhum governo humano tem a capacidade de se perpetuar, chegou o tempo do segundo monarca de Israel passar o cetro para o seu sucessor.

A história mostra-nos os últimos atos daquele que, sem dúvida, foi um dos maiores governos da história bíblica. Davi é um dos poucos personagens da Bíblia que tem a rara capacidade de nos causar admiração e decepção ao mesmo tempo. Admiração pela sua piedade e coração quebrantado; e decepção por haver falhado quando todos vibravam por seus acertos. Seja como for, o velho monarca conseguia ainda ouvir a Deus e, por isso, foi capaz de preparar um sucessor.

As insubmissas escolhas humanas.

A transmissão do reino a Salomão não aconteceu de forma tão amistosa e pacífica. Durante seu reinado, Davi teve que administrar alguns conflitos internos que provaram ser extremamente danosos.

O mais impressionante é que os levantes contra a autoridade real, isto é, as tentativas de golpe de estado, não vieram, por exemplo, dos militares, mas de seus próprios filhos: Absalão (2 Sm 15.4) e Adonias (1 Rs 1.5). Nenhum deles havia sido escolhido por Deus para suceder Davi.

De fato, o que observamos são homens ávidos pelo poder e que desejavam sentar-se no trono a qualquer custo. Eram escolhas e projetos meramente humanos para uma nação que tinha, de Deus, um desígnio divino a cumprir (Sl 135.4).

A escolha divina.

Quando Davi ainda fazia seu projeto para a construção do Templo, Deus revelou ao profeta Natã que um de seus filhos, e não ele, seria o escolhido de Deus para construir o Santuário (1 Cr 17.11-15). A profecia do texto de 1 Crônicas 17.11-15, refere-se primeiramente a Salomão, o herdeiro carnal de Davi, que levantaria posteriormente o Templo.

Contudo, ela também aponta para o futuro e prediz o reino eterno do Messias, Jesus Cristo, o filho de Davi. Salomão, portanto, não chegou ao trono por uma simples indicação de Davi, mas por uma escolha divina (1 Cr 22.9), pois, mesmo antes de apresentá-lo ao povo, Davi já sabia dessa revelação divina.

Um sucessor de pouca experiência, mas que herdou um grande legado

O legado político institucional. Sem dúvida um dos grandes legados que Davi deixou para seu filho Salomão foi o fortalecimento das instituições. Uma nação forte possui instituições sólidas.

Não devemos esquecer que Israel, até os dias de Samuel, era apenas um aglomerado de tribos. Com Saul, a monarquia foi instaurada, todavia, por causa de seu governo desobediente a Deus, não foi possível consolidá-la.

No final do reinado de Davi encontramos as instituições de Israel bastante consolidadas. Observamos nos dias de Davi um exército bem montado, capaz de vencer grandes batalhas e uma guarda real bem aparelhada (1 Cr 18.14-17; 27.32-34). Outro fator que deve ser levado em conta é o sistema judiciário daqueles dias.

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O rei agia como o juiz do povo (1 Cr 18.14). Entretanto, ele nomeara oficiais e juízes para cuidar da política externa e dos negócios da coroa real (1 Cr 26.29-32). Davi foi hábil na organização até mesmo das minúcias do reino (1 Cr 27.25-31).

O legado religioso.

O maior legado deixado por Davi ao seu filho Salomão foi o espiritual. Davi foi um homem que durante sua vida, demonstrou por diversas vezes que era dependente da orientação divina (1 Sm 23.2; 30.8; 2 Sm 2.1), e sabia, portanto, que o reinado do filho só teria êxito se Salomão agisse da mesma forma.

A chave para um reinado bem-sucedido estava no conhecimento e cumprimento das leis imutáveis de Deus, por isso, Davi apela ao filho para que não se esqueça, durante o seu governo, de ser um homem apegado à Palavra de Deus.

Ele já havia discursado antes e lembrado toda a congregação de Israel de guardar todos os mandamentos do Senhor (1 Cr 28.8). O aviso fora dado e cabia ao seu filho, juntamente com seus súditos, observar esse importante legado (1 Cr 28.9).

OBS: “O reino de Davi veio, completo, para as mãos de Salomão. Era uma área estimada em 128.000 quilômetros quadrados […]. Sob o domínio de Davi, as condições domésticas em Israel permaneciam primitivas e patriarcais. Davi fez nascer a nação israelita; Salomão produziu o estado israelita.

O seu governo era uma monarquia absoluta. Os membros do seu gabinete ampliado eram chamados de príncipes. […] Ignorando as antigas divisões tribais, Salomão dividiu o país inteiro em 12 distritos administrativos, nove a oeste do Jordão e três a leste. Em cada distrito havia um oficial comissionado cuja responsabilidade era a de fornecer à corte provisões para um mês a cada ano. […]

Porém, várias políticas de Salomão não eram boas:

(1) o trabalho forçado desorganizava a vida familiar do seu povo;

(2) o comércio internacional trouxe deuses estrangeiros e encorajou a idolatria;

(3) seu excessivo programa de construções superou os seus recursos;

(4) sua corte esplendorosa cobrava excessivas taxas do seu povo, sobrecarregando a todos;

(5) sua imensa poligamia chegava a ser uma tolice […].

Embora indignado com Salomão, o Senhor, por sua graça, não lhe tirou o reino; mas tirou de seu filho . Mas o Senhor levantou ‘adversários’ a Salomão.

O primeiro foi Hadade, o edomita, que tinha fugido para o Egito durante o reinado de Davi. […] Mesmo com todas as fraquezas, Salomão […] foi o responsável pelo estabelecimento do Templo como o santuário religioso central da nação”. (Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2006. pp.1740-42).

Conclusão

Davi cumpriu a sua missão, mas antes de morrer foi sábio e preparou um sucessor. Embora estejamos separados de Davi por um longo espaço de tempo, os princípios por ele vividos ainda continuam válidos para hoje.

A liderança de Davi foi bem-sucedida porque ele não viveu para si, mas para Deus e para o próximo. Será que somos líderes com este perfil? Será que temos buscado esse tipo de vida?

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