A intercessão pelos Efésios

A intercessão pelos Efésios

A Intercessão pelos Efésios

 A oração perante o Pai (Mt 7:7-11) tem sido  a chave que abre a porta dos tesouros imensuráveis de Deus através da em Cristo Jesus, nosso Senhor, onde desfrutamos as riquezas da sua glória (Rm 9.23; Fp 4.19).

TEXTO BÍBLICO (Efésios 3.14-21)

 O Ministério da Oração

A oração e a razão: (v.14).

Não devemos nos apresentar diante de Deus para orar sem objetivos definidos. Precisamos saber sobre o que vamos orar. Nesta segunda oração, Paulo dá a impressão de ter descoberto a força moral e espiritual para estar na presença de Deus em oração e meditação. Ele ora porque se extasia diante das revelações dos “mistérios espirituais” guardados na eternidade e só revelados agora. Não se tratava de mera oração de petição. Era uma oração de participação nos segredos de Deus.

A oração e a postura (v.14).

Nem sempre os judeus ficavam de joelhos para orar, pois a postura usual deles era de pé. As muitas religiões pagãs usam a postura “de joelhos”, por isso, os judeus procuravam ser diferentes. O que realmente importa na oração não é a postura física, mas a atitude do coração de quem ora. Pôr-se de joelhos para orar pode indicar submissão e humildade perante o Senhor.

Não há uma postura determinada na Bíblia para orar, mas encontramos várias posturas distintas, dentre as quais, o dobrar os joelhos. Não se dogmatizou biblicamente uma ou mais posturas físicas para orar. Naturalmente, a melhor postura é aquela que vem de dentro de nossos corações. Jesus deu o exemplo em oração, mas orou em pé, de joelhos, prostrado e até certamente sentado (Mc 11.25; Lc 18.11,13; Mt 26.39). Orar de joelhos era uma forma comum (Sl 95.6; 1Rs 8.54; At 7.60; 9.40; 20.36; Lc 22.41).

Objetivo da oração: (v.14).

Há uma inter-relação entre as três pessoas da Trindade. Por isso, quando oramos a Deus nos dirigimos ao Pai, em nome de Jesus e o Espírito Santo confirma no íntimo do crente as orações feitas. Não há nada estabelecido na Bíblia de que a oração para ser recebida no céu deve ter uma forma específica dogmatizada.

Deus não é uma máquina cujo funcionamento depende de se apertar botões específicos. Não, Deus é um ser pessoal que tem sentimento e vontade como nós. Por isso, nossas relações com Ele não exigem sistemas, palavras certas ou coisas semelhantes. Ele é o Pai amoroso que ouve as nossas orações como a filhos. As palavras “pai” e “família” estão interligadas na oração.

A relação paterno-familiar entre Deus e a Igreja (v.15).

Uma das grandes bênçãos alcançadas pelos crentes é o de fazer parte da grande família de Deus. O texto diz “do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome”, indicando que a família de Deus inclui anjos e homens, especialmente, os que participam da vida em família. Naturalmente, os anjos que se rebelaram contra o Criador e todos os seres humanos não redimidos não fazem parte da família de Deus. Porém, na terra, a Igreja é constituída dos filhos de Deus, os quais se tornaram filhos por adoção em Jesus Cristo (Jo 1.12).

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OBS: “Nesta oração de Paulo, deparamos com a sua quarta e última petição na segunda metade de Efésios 3.19: ‘Para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus’. Aí está o cume da montanha! Depois que o nosso homem interior foi fortalecido com o seu poder por meio do Espírito Santo, depois que Cristo fixou residência em nossos corações e depois de termos começado a possuir a gloriosa plenitude de Deus, somente então é que o mais elevado pico na experiência cristã toma-se nossa propriedade.

As terras baixas, com seu sutil puxão para baixo, agora estão distantes. Mais um e último passo e alcançaremos o cobiçado alvo: sermos cheios com a plenitude de Deus. Isso é algo sem limites. Esse é o brilhante cume montanhoso, que está acima das nuvens — a mais elevada altura de todas. Ninguém pode buscar um tesouro mais precioso do que esse.

Em comparação com isso, quão completamente insignificantes são os tesouros terrestres. Entretanto, note que tal como no caso da luz de Deus que brilha em nossos corações, ‘temos… este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós’ (2Co 4.7). Em que consiste essa plenitude, na qual devemos fixar a nossa visão e orientar nossas mais fervorosas orações?

Consiste na conformidade com a imagem do Filho de Deus. Pois acerca dEle está escrito: ‘Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele [em Cristo] habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade” (Cl 2.9,10)” (O Espírito nos Ajuda a Orar, CPAD, pp.368,369).

A Plenitude de ter uma Vida de Oração

A palavra “plenitude” na linguagem bíblica tem uma importância extraordinária, porque se refere a tudo que é completo, total, absoluto, cabal. A plenitude de Deus se manifesta dentro deste texto de modo especial (v.16) porque a Trindade divina participa dela. Todos queremos ser cheios de Deus, do seu conhecimento, do seu poder.

A fonte da plenitude (v.16).

Paulo aponta a Deus Pai, Senhor e originador de todas as riquezas como a fonte de toda a plenitude (Ef 1.7,18). A epístola aos Efésios contém várias vezes a expressão “riquezas”, para indicar que as coisas de Deus não têm limites, não tem medidas, mas são abundantes e infindáveis.

Noutras epístolas do mesmo escritor aparece a mesma edificante expressão (Rm 2.4; 9.23; Fp 4.19; Cl 1.27; 2.2; 1Tm 6.17). Ora, Deus é pleno de glória, de poder, de autoridade, de majestade, pois Ele é o Pai da glória (Ef 1.7). Todas as glórias lhe pertencem e só Ele pode compartilhar sua glória com suas criaturas.

OBS: “Paulo, ao final de sua segunda oração, faz uma doxologia ao Deus Todo-Poderoso, que ouve e responde às orações. A oração do apóstolo parece ter alcançado um grau tão alto e sublime que nada poderia impedir a sua resposta. Para Paulo, Deus responde não somente ao que nós pedimos mas Ele pode fazer muito mais do que pedimos ou pensamos (v. 20).

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A total confiança no ilimitável amor divino move o coração de Deus, e a resposta divina chega com bênçãos excedentes, isto é, sempre acima do que pedimos ou pensamos. Para que isso aconteça, é necessário que nossos desejos, aspirações e vontades sejam canalizados para o centro da vontade de Deus, e Ele, como lhe convier, responderá às nossas orações.

Ele é poderoso não só para fazer tudo o que pedimos ou pensamos, mas para fazer tudo além do que pedimos ou pensamos, para fazer tudo muito mais abundantemente além do que pedimos ou pensamos” (CABRAL, Elienai. Comentário Bíblico Efésios. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp.68-69).

A riqueza do seu poder celestial pelo Espírito (v.16).

Outras versões da Bíblia fortalecem ainda mais o significado deste versículo ao usarem as palavras “robustecidos”, “fortalecidos” no lugar de “corroborados”. Paulo sabia que a prática da oração é sempre muito difícil. É uma das atividades da vida cristã que enfrenta mais obstáculos.

Por isso, o crente precisa do poder do Espírito para orar e enfrentar o mundo. Paulo sabia das dificuldades de se viver uma vida cristã vitoriosa e, para tanto, ele orou para que os efésios fossem corroborados com poder. Não era uma oração pedindo que o Espírito viesse para as suas vidas, porque o Espírito vive na vida íntima do crente, mas sim, que os tornasse aptos para enfrentar a oposição dos poderes do mal. Esse poder não vem de nós mesmos, mas de Deus (Ef 2.8,9).

A riqueza da habitação de Cristo no coração (v.17).

Não se trata aqui, de Cristo entrar e habitar novamente no coração do crente, como se Ele fosse um estranho. É, antes de tudo, a capacitação do crente, por Deus, para sentir e experimentar a presença desse Cristo dentro da sua vida, fazendo fluir essa experiência para fora, como testemunho vibrante.

Note isto, que é “pela ” e não pelos sentimentos que se sente a presença de Cristo dentro de nós. A fé torna-se aqui a chave para a experiência maravilhosa com Cristo dentro de nós. Sua presença flui para fora em alegria de viver, em prazer de servi-lo.

A riqueza de ser arraigado e fundado em amor (v.17).

As palavras “arraigados” e “fundados” podem ter sugerido duas lembranças na mente do apóstolo: a videira e o templo. “Arraigar” relembra uma planta e suas raízes que lhe dão suporte. Jesus utilizou a videira para ser figura da Igreja (Jo 15.1-5). Ser arraigado como cristão é ser aprofundado em Cristo, que, neste caso, é o solo no qual estamos plantados.

O amor é a manifestação frutífera dessa árvore. O termo “fundado” lembra uma construção e o seu fundamento. Para os judeus a construção mais suntuosa era o templo em Jerusalém. A Igreja é o grande edifício de Deus na Terra. Nós, os salvos como templo espiritual de Deus, estamos construídos e fundados em Cristo. É o mesmo que alicerçados. Nossa vida cristã estará segura se estiver fundada e alicerçada em Cristo.

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Compreendendo perfeitamente a Oração

“Para poderdes perfeitamente compreender” (v.18).

Estas palavras fazem parte do conteúdo da oração do apóstolo. Nos vv.16,17 ele ora por poder interior na vida dos crentes; agora, nos vv.18,19 ora para que os crentes compreendam a importância da presença de Cristo em suas vidas.

A ideia central desse último pedido é de que, pelo Espírito, eles possam ter um pleno entendimento da verdade e conhecê-la por experiência pessoal. Por isso, ora para que “eles sejam arraigados e fundados” no conhecimento de Cristo. Essa compreensão não é concedida por mérito pessoal de ninguém, mas é possível a todo crente que ama ao Senhor Jesus.

O amor de Cristo e sua dimensão (v.18).

O conhecimento dessas dimensões é dado “a todos os santos”; não a elementos isolados no contexto da Igreja, porque envolve todo o corpo de Cristo na terra. Os termos específicos do v.18 falam da abrangência desse amor, em largura, comprimento, altura e profundidade.

Quem poderá medir o amor de Cristo? Não há como nem imaginar essas dimensões. Quem poderá penetrar na profundidade do amor de Cristo, o qual sendo Deus, fez-se homem e humilhou-se à morte de cruz para expiar nossos pecados e prover nossa comunhão com o Pai?

Argumento Teológico

“Deus se revelou como alguém que expressa um tipo específico de amor, o qual é demonstrado por uma dádiva sacrificial. João o define desta forma: ‘Nisto está a caridade: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados’ (1Jo 4.10). Deus também demonstra o seu amor ao nos dar repouso e proteção (Dt 33.12), que devemos sempre lembrar em nossas preces de ações de graças (Sl 42.8; 63.3; Jr 31.3).

No entanto, a forma suprema do amor de Deus, sua maior demonstração de amor, acha-se na cruz de Cristo (Rm 5.8). Ele quer que estejamos conscientes de que seu amor faz parte integrante de nossa vida em Cristo: ‘Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)’ (Ef 2.4,5)” (Teologia Sistemática, CPAD, pp.137,138).

Cheios de toda a plenitude de Deus (v.19).

Plenitude é uma palavra característica de Efésios. Outros termos encontrados na epístola como “buscar”, “conhecer”, “corroborar”, “compreender”, “entender”, reforçam o ensino paulino de que precisamos ser cheios de Deus. Mesmo estando cheios da plenitude de Deus, Paulo deixa claro que devemos continuar a nos encher do Espírito; e a Igreja, embora seja a plenitude de Cristo, ainda deve crescer nEle até atingir a sua plenitude. Portanto, é um tipo de plenitude em que estamos completos em Cristo, mas que podemos crescer na própria plenitude.

Conclusão

Diariamente somos confrontados com inimigos espirituais e precisamos renovar nossa plenitude em Cristo. Conhecer o amor de Cristo que excede a todo o entendimento é uma meta que todo o crente deve buscar alcançar, e isto se dar por intermédio da oração.

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