Tabernáculo – Um lugar da habitação de Deus

Tabernáculo - um lugar da habitação de Deus

TABERNÁCULO – UM LUGAR DA HABITAÇÃO DE DEUS

 

O tabernáculo resolveu o problema de se ter um Deus santo habitando em meio a um povo pecaminoso.

 

TEXTO BÍBLICO

(Êxodo 25.1-9)

V, 1 – Então, falou o SENHOR a Moisés, dizendo:

V, 2 – Fala aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada; de todo homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada.

V, 3 – E esta é a oferta alçada que tomareis deles: ouro, e prata, e cobre,

V, 4 – e pano azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pelos de cabras,

V, 5 – e peles de carneiros tintas de vermelho, e peles de texugos, e madeira de cetim,

V, 6 – e azeite para a luz, e especiarias para o óleo da unção, e especiarias

para o incenso,

V, 7 – e pedras sardônicas, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.

V, 8 – E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.

V, 9 – Conforme tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis.

 

DEFINIÇÕES PRECISAS

Para melhor compreensão das lições bíblicas deste trimestre achamos por bem de apresentarmos aqui a linguagem da tipologia que, certamente irá nortear as nossas lições estudadas desde a primeira.

A tipologia é um tipo especial de simbolismo. (Um símbolo é algo que representa outra coisa.) Podemos definir um tipo como um “símbolo profético” porque todos os tipos são representações de algo ainda futuro.

Mais especificamente, um tipo nas Escrituras é uma pessoa ou coisa no Antigo Testamento que prenuncia uma pessoa ou coisa no Novo Testamento. Por exemplo, o dilúvio dos dias de Noé (Gênesis 6-7) é usado como um tipo de batismo em 1 Pedro 3:20-21. A palavra para tipo que Pedro usa é figura.

1 – A Tipologia é o estudo de figuras e símbolos bíblicos, especialmente de cerimônias e ordenanças do Velho Testamento que prefiguram a Dispensação da Graça e as coisas celestes.

2 – Um tipo é uma semelhança divinamente ordenada pelas quais: pessoas; objetos; e eventos celestiais os são demonstrada pelos terrestres. Porém para uma coisa constitua tipo de outra, a primeira não só deve ter uma semelhança da segunda, mas, na sua instituição original, deve ter sido determinado que tivesse esta semelhança. Marsh.

3 – Um antítipo é aquela coisa celestial ou a realidade prefigurada pelo tipo.

TIPOS

O apóstolo Paulo escreve em 1 Coríntios 10.6: “…e estas foram-nos feitas em figura…”. A palavra grega tupos, aqui traduzida por “figura”, tem o sentido de “padrão”, “ilustração”, “exemplo” ou “tipo”.

Em 1 Coríntios 10.11, Paulo observa: “Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso…”. O quê? Neste caso, Paulo se refere a eventos relacionados ao êxodo no Antigo Testamento.

Assim, um tipo é um padrão bíblico, ou uma ilustração bíblica, normalmente extraída do Antigo Testamento, que assume a forma de padrões relacionados a pessoas, acontecimentos ou coisas.

A – Três coisas envolvidas num tipo.

  1. Uma coisa ou objeto material que representa uma coisa de ordem elevada.
  2. Esta coisa de ordem elevada representada, a qual passa a chamar antítipo ou realidade.
  3. A obra de tipo se expressa no termo “representado ou prefigurado”.

B – Declarações bíblicas quanto à natureza dum tipo.

  1. Sombra. Cl. 2:16, 17.
  2. Modelo, exemplar. Hb. 8:4, cinco.
  3. Sinal. Mt. 12:39.
  4. Parábola, alegoria. Hb. 9:9.
  5. Tipo. Rm. 5:14.
  6. Letra. II Co. 3:6.

C – Provas bíblicas dum tipo.

  1. Por declaração explícita. Rom. 5:14
  2. Por trocar os nomes do tipo e antítipo. (Cf. Adão primeiro e segundo). I Cor. 15:45. Páscoa (Cordeiros – Cristo) Êxodo 12:3; I Cor. 5:7.

Obs: Muitas vezes a tipologia textual é confundida com gênero textual. Um gênero textual é um exemplo mais específico de uma modalidade discursiva, que tem em si mesmo um aspeto tipológico. Anúncios, crônicas, editoriais, instruções de uso, fábulas, cartas, são apenas alguns exemplos de gêneros textuais.

 

O TABERNÁCULO

Hebreus 8.5 nos diz que o Tabernáculo foi construído a partir de um padrão celestial que fora mostrado a Moisés no monte Sinai: “Atenta, pois, que o faças conforme o Seu modelo, que te foi mostrado no monte” (Êx 25.40).

Estêvão observou em seu sermão: “Estava entre nossos pais no deserto o tabernáculo do testemunho, como ordenara aquele que disse a Moisés que o fizesse segundo o modelo que tinha visto” (At 7.44).

O Tabernáculo e, mais tarde, o Templo são tipos que se tornam padrões que revelam elementos-chave do plano divino de salvação. Thomas Ice é diretor-executivo do Pre-Trib Research Center (Centro de Pesquisas Pré-Tribulacionistas) e professor de Teologia na Liberty University. Ele é Th.M.

OBS: A obra de Gunar Vingren acerca do Tabernáculo está dividida em três capítulos: (1) Introdução, (2) O Tabernáculo e (3) Comparações e contraposições ao Tabernáculo. No terceiro capítulo, ele faz uma comparação do Tabernáculo, pelo qual o chama de “tenda do testemunho”, com a Igreja de Cristo.

Veja:

“Assim como a tenda do testemunho, com todos os seus utensílios, foi ordenada por Deus, a igreja cristã recebeu de Deus suas normas e seus mandamentos.

A tenda no Antigo Testamento era o lugar onde Deus se revelava, enquanto as igrejas cristãs são, hoje, o lugar da presença de Deus, o lugar onde se faz a sua vontade. O primeiro era constituído de riquezas e material precioso, o segundo é constituído também de material precioso, isto é, de almas humanas redimidas do pecado por meio da graça de Cristo Jesus.

Desta forma, à tenda do Antigo Testamento se contrapõe a igreja cristã do Novo Testamento. A bacia com água ficava em frente da tenda e, na água, Arão e seus filhos limpavam seus pés e suas mãos antes de adentrarem o santuário para que não morressem.

Já o batismo é a maneira pela qual o cristão ingressa na Igreja de Deus. Aquele que crê e recebe o batismo será salvo. Após o batismo, seremos sepultados com Deus, e assim como Cristo ressuscitou dos mortos, passaremos a caminhar em uma nova vida”.

(VINGREN, Gunnar. O Tabernáculo e Suas Lições: Monografia de graduação em Teologia do fundador das Assembleias de Deus no Brasil, defendida em 1909 no Seminário Teológico Sueco de Chicago (EUA). Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.76 -77).

 

TÍTULOS DESCRITIVOS

A) Santuário.

  • Ex. 25:8 – Chama atenção ao caráter deste, como lugar santo.
  • O palácio do Grande Rei.

B) Tabernáculo.

  • Ex. 25:9 – Latim “tenda” – Hebraico um lugar de habitação ou morada. João 1:14 e 1:1.

C) Tenda

  • Ex. 40:2 e 39:33-43.

D) Tenda da revelação.

  • Nm. 18:4 – centro do culto.

E) Tenda do testemunho.

  • Nm. 9:15 – Refere-se à arca onde estava à lei, o testemunho.
  • Ex. 25:16 – Santidade culpa do homem e eficiência da expiação.

F) Casa de Deus. Juízes 18:31.

  • Foi chamado assim na terra de Canaã.

G) Templo do Senhor ou Jeová.

  • I Sm. 3:3 – O Tabernáculo nessa ocasião talvez já fosse maior.

H) Santuário Terrestre ou material

–      Hb, 9:1 – Pertencia a Dispensação das cerimônias. Um tipo de Jesus:

  • Lugar de encontro. II Cor. 5:18. Em Cristo, Deus e o homem se encontram.
  • Lugar de revelação. João 1:8. Deus revelou seu caráter em Jesus. Rom. 3:26.

Obs: A construção do tabernáculo envolveu todo o povo. Todo o povo se beneficiaria do tabernáculo, e assim a todos foi permitido participar de sua construção, ou pela doação dos materiais, ou pela habilidade no trabalho, ou por ambos.

 

MORADA DE DEUS COM O HOMEM

Que Deus deseja morar com o seu povo se vê pelo fato de que no Jardim do Éden, depois de interrompida a comunhão com o homem por causa do pecado, Ele imediatamente começou a revelar um plano que visava a sua restauração.

Esta revelação aumenta em beleza, glória e intimidade de Gênesis ao Apocalipse. Cf. Isaías 57:15 e 66:1,2. Deus habita com um povo santo, redimido da escravidão satanás (faraó) o mundo (Egito) com um povo protegido pelo sangue.

Na Palavra temos diversas manifestações da presença divina:

  1. O Abraão (Gn. 18:1-8).
  2. No tabernáculo.
  3. No Templo de Salomão, tipo daquela presença permanente, embora ele mesmo tiver desaparecido.
  4. No Filho de Deus, Jesus Cristo –– Emanuel.
  5. No Espírito Santo.
  6. No Templo Milenial.
  7. No céu, a morada eterna (Eis o tabernáculo de Deus está com os homens), Apoc. 21:3 (Assim ficaremos sempre com o Senhor) I Ts. 4:17.
  8. A) TIPO DE JESUS

–  “Far-me-ão um santuário para que eu habite no meio deles. Seguindo em tudo o que eu te mostrar, o modelo do tabernáculo, e o modelo de tabernáculo, e o modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o faraó” – Ex. 25:8, nove. Nesta passagem vemos:

  1. A graça – que Deus consinta fazer um tabernáculo.
  2. Ordem – tudo devia ser feito segundo o plano por Deus estabelecido.

Adão foi a primeira morada de Deus na terra. Veio à falha, e o descaso de Deus ficou interrompido. O plano de Deus é imutável e, por conseguinte mandou seu Filho – segundo Adão.

A graça e a ordem aqui reveladas mostram Jesus. OO Tabernáculo é tipo de Jesus. Aquele que era Deus (João 1:1) se fez carne (João 1:14) por Sua própria vontade. Ele “habitou” (esquênesen, no grego, literalmente “tabernaculou” entre os homens). Cf. Heb. 2:14 “Ele… participou, (no grego “epilamteno” literalmente “lançar mão de”. Reflexivo, indicando ação da Sua vontade. Assumiu, e não só nasceu destas cousas”) Cf. versículo 16 – a semente de Abraão. Tomou sobre Si a natureza humana, mas permanecia o Filho de Deus, igual a Deus em substância.

Testemunho deste fato:

  • Apóstolo João, João 1:14.
  • João Batista, João 1:34.
  • Natanael, João 1:49.
  • Paulo, Cl. 1:19. A plenitude de Deus morava em Jesus (majestade, poder, personalidade). Cf. João 14:9; 3:34; 1:18; I Tim. 3:16; Cl. 1:16; Hb. 1:3; Tito 2:13; Rom. 9:5; I João 5:20. Assim em Cristo o descanso de Deus é restaurado. Hb. 8:1. Descanso da redenção. Cristo o verdadeiro Tabernáculo.

CONCLUSÃO

Há uma porção de maneiras pelas quais a construção do tabernáculo é aplicável às nossas vidas, mesmo que estejamos separados dos israelitas da época de Moisés por muitos séculos e pelo menos uma dispensação.

No Evangelho de João o Senhor Jesus Cristo é apresentado como o Filho de Deus que habitou entre os homens (Jo. 1:14). O Senhor Jesus foi desta forma o lugar da morada de Deus entre os homens durante Sua jornada na terra. Assim Ele pôde dizer à mulher samaritana que estava chegando a época em que o lugar de adoração não é a preocupação principal (Jo. 4:20-21).

Da época da vinda de Cristo até o presente o lugar da morada de Deus entre os homens não é concebido em termos de edifícios.

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular; no qual todo edifício, bem ajustado, cresce para santuário dedicado ao Senhor, no qual também vós juntamente estais sendo edificados para habitação de Deus no Espírito.” (Ef. 2:19-22) (I Pe. 2:4-5, 9).

– Bibliografia

– Bíblia de Estudo Palavra Chave (ARC)

– A Bíblia de Estudos das profecias. E.R.A.

– Dicionário Online

– Apontamentos Teológico do Autor

– Matéria do curso: Bacharel em Teologia do CTEC VIDA CRISTÃ https://ctecvidacrista.com.br

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